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Como Rodrigo Caserta reposicionou operação global da Avanade, joint venture mais bem-sucedida da história

Imagem: Divulgação

Há um ano, Rodrigo Caserta assumiu o comando global da Avanade, nascida da união entre Accenture e Microsoft e reconhecida por mais de duas décadas como o case mais bem-sucedido de joint-venture corporativa em tecnologia. Seu desafio era o de preservar esse legado enquanto conduzia uma reinvenção, menos sobre portfólio, mais sobre pessoas.

A transição começou com um ponto de inflexão. Depois de 25 anos operando como a força de execução da Accenture, a Avanade entendeu que excelência operacional já não bastava. Era hora de abrir espaço para novas propostas de valor, novos mercados e uma cultura de entrega que refletisse o futuro.

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“Fizemos bem o que sabíamos fazer. Mas não seria suficiente para o futuro”, resume Caserta ao IT Forum. Foi o nascimento da estratégia New Horizon, que redesenhou a companhia de dentro para fora, das estruturas aos comportamentos, das ofertas ao perfil dos talentos.

O modelo tradicional das consultorias, no qual mais receita significa mais pessoas, deixou de fazer sentido. Caserta evita a palavra ruptura, mas fala em inevitabilidade. “Hoje é possível crescer 15% sem aumentar time. A produtividade movida por inteligência artificial (IA) e automação muda completamente a relação entre pessoas e valor.”

Essa nova lógica redefine o que é escalar um negócio de serviços. “As conversas com os clientes deixaram de ser sobre o custo da hora do time e passaram a ser sobre o valor gerado pelo impacto. Crescemos em resultado sem necessariamente ampliar tamanho”, explica.

Para sustentar essa virada, a Avanade criou uma infraestrutura global de requalificação. Além do uso da IA na rotina, a mentalidade de IA gerou como resultado uma força de trabalho com profissionais capazes de atuar em múltiplos projetos simultaneamente, orientados por dados, autonomia e propósito. “O gerente de projeto que ficava 15 meses em um único cliente agora lidera diferentes fluxos. Precisamos de pessoas que aprendem rápido e se adaptam. É isso que define o profissional do futuro.”

A nova fronteira de crescimento

A transformação da Avanade também passa por uma mudança de foco estratégico. Historicamente voltada a grandes corporações, a companhia passou a investir no mercado de médias empresas.

“Esses negócios querem resultados rápidos, soluções padronizadas e investimentos proporcionais à sua realidade. Se abordássemos esse mercado tal qual o enterprise, seríamos lentos e caros”, diz Caserta.

A empresa, então, criou times dedicados e métricas próprias para esse perfil de negócio, com ciclos mais curtos e entregas contínuas. A fórmula tem funcionado. No último ano fiscal, encerrado em agosto de 2025, a Avanade passou de uma média global de 20 novos clientes por mês para 45 novos logos mensais.

O avanço traduz o impacto direto da nova estratégia: ampliar o alcance sem comprometer a qualidade das entregas. “Não dá para falar em disrupção sem repensar a maneira como prospectamos, entregamos e medimos valor”, observa Caserta. “Tudo foi reconstruído, da geração de leads à estrutura de portfólio.”

Brasil como laboratório global

Na jornada de transformação, o Brasil conquistou seu lugar ao sol, legado da liderança de Caserta no Brasil. A operação nacional evoluiu de um negócio rentável para um hub estratégico de inovação e entrega.

“O Brasil é hoje um laboratório vivo. Temos velocidade, diversidade de desafios e uma energia criativa que o mundo enxerga”, afirma Caserta. “O C.O.D.E nasceu aqui, e agora está sendo replicado na Ásia e na Europa.”
O C.O.D.E (Coordinated Orchestration of Development for Enterprise) é um sistema de engenharia de software baseado em múltiplos agentes de IA, criado para acelerar a modernização de aplicações corporativas. A solução usa agentes especializados, de análise, refatoração, testes e documentação, para automatizar etapas de desenvolvimento, sempre com supervisão humana.

A filosofia é simples. É menos sobre escrever linhas de código, mais sobre orquestrar inteligência. A produtividade média em projetos de modernização já aumentou 70%, segundo a Avanade.

“Empresas não estão mais dispostas a esperar meses para ver resultado. Projetos começam e precisam gerar valor em semanas”, resume Caserta. “O C.O.D.E é nossa resposta a esse novo tempo.”

Com isso, o Brasil assumiu um importante papel global. A unidade local passou a atender diretamente clientes da América do Norte, operando como hub de delivery para Estados Unidos e Canadá. Em volume de trabalho, figura entre as quatro maiores operações da Avanade e está entre as sete maiores operações da Avanade no mundo em receita.

Futuro como processo contínuo

A transformação, no entanto, está longe de terminar. Caserta evita falar em “chegada”. “O próximo ano será o de potencial máximo. Passamos pela reestruturação, redesenhamos os times e estamos consolidando a maturidade das novas práticas. Não chegamos ao destino, até porque é uma jornada sem fim, mas estamos definitivamente na rota certa.”

Os sinais já são visíveis. O crescimento global segue em dois dígitos e a cultura de aprendizado se espalha.

Caserta encerra com uma síntese que traduz o espírito desse novo ciclo. “Sempre fomos reconhecidos por ser um pouco mais caros, o suficiente. Mas estamos acelerando tanto que essa equação vai mudar. A eficiência virou parte da nossa identidade. E isso é só o começo.”

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Published by
Deborah Oliveira
Tags: avanadeRodrigo Caserta
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