Muitas empresas estão adiando o processo da transformação digital por acharem o tema relativamente novo, por terem medo ou por não saberem o que está do outro lado dessa ponte para o futuro e a sobrevivência de suas empresas.
Em artigo anterior, Espelho, espelho meu, o meu negócio já morreu?, escrevi sobre a necessidade da reinvenção dos negócios na era digital, mas ainda vejo uma grande lacuna de conteúdo e preparo para a segunda fase dessa transformação: a tempestade que vem seguida a ela. O processo de transformação digital de uma empresa como um todo — mindset, modelo de negócio, processos, etc. — é um grande primeiro passo e o que vem em seguida é um enorme tsunami de consequências e efeitos gerados por essa transformação e você precisa se preparar para que seu navio não naufrague.
Um artigo de Barry Libert¹ expandiu muito meus horizontes e me inspirou a escrever este. Concordo quando ele afirma que existem duas vertentes da transformação digital: a linear e a exponencial. A primeira traz mudanças consideráveis à organização, porém, tem um viés muito mais voltado para a melhoria de produtos e processos através da aplicação da tecnologia e otimização de resultados em função dessa adoção. Já a transformação exponencial é disruptiva: ela traz grandes impactos para o negócio, afinal é uma reinvenção deste. Requer muito mais ousadia e coragem. E é justamente essa transformação que traz os maiores impactos no negócio. É para esse tsunami que você precisa estar preparado.
É preciso entender que quando você passar pelo processo inicial da transformação digital — quando você implementar novos modelos de negócio, novos produtos e serviços —, muito provavelmente você receberá uma demanda de novos negócios aos quais você ainda não estava acostumado. Não se assuste. Em vez disso, esteja preparado.
1. Motive a mudança cultural
Se o board da empresa não acredita no digital, não respira e transpira o digital, certamente a cultura da empresa não vai sobreviver à mudança na estrutura dos negócios trazida pela onda da transformação digital. Impor a transformação ou até mesmo cobrar comprometimento é digno de um C-level, mas ditar criatividade, otimismo e convicção, características necessárias nesse processo, não funciona. Isso deve vir de cima e dessa maneira a motivação das equipes será real e efetiva.
2. Seja adepto da inovação externa
Libert defende que se você não investir em disrupções exponenciais, uma startup lá de fora irá fazer isso por você. Manter o portfólio sempre atualizado e inovador é necessário para continuar ocupando uma posição relevante no mercado no momento pós-transformação digital e uma ferramenta de inovação externa é uma excelente estratégia para manter-se competitivo e preparado para o que vem a seguir.
3. Contrate novos talentos
Se antes os marinheiros estavam acostumados a ondas de dois metros, agora eles precisam estar aptos a enfrentar tsunamis. Buscar talentos que vivem essa realidade é uma tática para estar preparado para a chegada dessa megaonda.
4. Prepare-se para o retorno diferenciado
A realidade do digital é dinâmica e um modelo de negócio estático não é suficiente para suportar tanto novas demandas como o dinamismo dos incomes que virão em função delas. Lembre-se de ser tolerante e flexível.
5. Implemente as ideias e teste em casa – rápido!
Ainda sobre o dinamismo do digital, é importante lembrar que agilidade é uma palavra chave nesse processo. Inovar, explorar novas ideias faz parte do dia a dia das empresas digitais. Una os dois: coloque as ideias em prática de forma ágil. Corra o risco. Mesmo que a ideia não evolua, teste. Daí sairão tanto as lições quanto as ideias bem-sucedidas que se tornarão cases de sucesso.
Prepare-se para navegar nesse oceano da transformação digital!
¹= Barry Libert: “Digital Transformation Requires Two Approaches”
* Amanda Matos Cavalcante é gerente de marketing da Triad Systems e formada em Condução de Estratégias Digitais pela Harvard Business School.
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