Provedores de TI antecipam negócios para fugir do calendário difícil

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Provedores de TI antecipam negócios para fugir do calendário difícil

A sombra de ?um ano estranho? ainda oscila no horizonte de negócios brasileiro. Contudo, e até o momento, janeiro corre sem grandes surpresas. Mesmo assim, empresas de TI sabem que meses turbulentos vêm pela frente e se preparam para não sofrer com o calendário apertado.

?Percebemos que esse ano será de picos?, comenta Roberto Guerra, sócio-diretor da Inteligência de Negócios (IN), que distribui ferramentas de business intelligence QlikView, demonstrando certa apreensão gerada em função dos eventuais impactos causados por Copa do Mundo e eleições presidenciais.

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A ideia da companhia reside em trabalhar de janeiro a maio de maneira intensa. Junho e julho, prevê o executivo, será um pouco complicado, assim como setembro e outubro. ?Falamos de sete meses onde estamos nos estruturando e focando para atuar de maneira agressiva?, diz.

Os solavancos não reduzem o otimismo de ampliar o faturamento em 20% sobre os números de 2013, ano considerado ?atípico? pelo executivo. ?Vínhamos crescendo acima disso?, comenta, apontando para aceleração no volume de negócios no último trimestre do ano passado.

Há um perfil de compra do brasileiro que concentra negócios no final do ano, as vezes, até alocando alguns recursos que ?sobraram no caixa? por não terem sido aplicados nos meses anteriores. Isso garante uma retomada e fôlego nos meses de novembro e dezembro. Guerra trabalha com a possibilidade de que isso permaneça.

A IN não é a única que tenta antecipar negócios. Quando a Ativas, provedora de serviços de data center, foi detalhar seu cronograma de atividades para 2014, considerou variáveis e constatou a possibilidade de que os grandes eventos afetariam a vida dos tomadores de decisão das companhias, de uma forma ou de outra.

?Começamos a adiantar ações e atividades, acelerando prospecções e entregas para fazer o que precisava ser feito mais rápido?, conta Milton Bonservizzi, presidente da companhia, dizendo que a medida visou a compensar o período de incerteza nos meses de Copa do Mundo e Eleições. ?Creio que muitas empresas fizeram o mesmo para evitar concorrência na agenda do executivo?, adiciona.

A antecipação na Ativas relaciona-se a ambição da jovem companhia: crescer em 50% o faturamento de R$ 60 milhões registrado em 2013. A ideia é garantir o número do ano o quanto antes.

O efeito, percebe Bonservizzi, tem sido sistêmico, uma vez que a preocupação com o calendário não é exclusividade da indústria de TI e deve afetar outras verticais. Quando pôs o plano na rua, conta o executivo, viu algumas empresas preocupadas com o calendário, o que diminuía um pouco o esforço de convencimento. ?Janeiro não está sendo morto. Temos encontrado muita gente e consegui marcar reunião na primeira semana do ano?, diz.

Quando o carnaval chegar?
Talvez, o que mais chama atenção é uma mudança de postura que começou a se sobressair há alguns (poucos?) anos e ganha mais força agora: o ano começa antes do carnaval. Mônica Herrero, CEO da Stefanini Brasil, percebe que as empresas no Brasil não esperam mais a quarta-feira de cinzas para pisar no acelerador.

?Já fechamos grandes contratos no início de janeiro. Para mim, é um mês como outro qualquer. Precisamos tirar essa máxima de que o País começa depois do carnaval?, avalia a executiva da empresa que ?sempre tenta agilizar ao máximo os fechamentos de negócio no início do ano?. Mônica não tem a percepção que em função dos eventos o mercado está antecipando as compras. ?Até gostaria que fosse sempre assim?, adiciona.

Luiz Carlos Mesquita Scheid, diretor comercial da Teclógica, também não acredita em antecipação de negócios. ?O que está acontecendo é que começamos o ano um pouco diferente dos anos anteriores no que tange aos nossos prospects continuarem os negócios. No passado, a percepção é que o mês de janeiro era morto em termos de contatos comerciais. Esse ano, o pessoal não está de férias e contatos comerciais tem sido feitos?, comenta.

Mesmo sem crer em um ano plenamente atípico, o planejamento da área de vendas da companhia onde atua considera os eventos espalhados ao longo dos próximos meses. O executivo cita, por exemplo, considerações em torno de agenda de reunião com clientes e eventuais diferenças no custo de passagens e hospedagem para deslocamento de equipe no período da Copa.

Por quês
Biagio Caetano, ex-CIO da Taurus e atualmente diretor da BCF Estratégia e Tecnologia, percebe no mercado preocupação com questões como produtividade, redução de custos, otimização de mix de produtos. O executivo está à frente de uma consultoria que oferece serviços que vão desde auxílio no planejamento estratégico corporativo, passando por áreas de RH e finanças, até apoio em projetos de TI.

A BCF tem em sua carteira cinco clientes nas verticais de mídia, saúde, transporte, construção. ?Acho que será um ano bom de investimento, especialmente, entre as médias organizações, principalmente fora dos grandes centros, em função da necessidade de sobrevivência de organizações nesse perfil?, avalia, sinalizando que os recursos aplicados virão para suportar o crescimento e suprir problemas estruturais inerentes ao modelo do país.

Caetano acredita haver um equilíbrio das empresas para trabalharem preocupados com o cronograma do ano, com implantações ocorrendo inclusive em janeiro e fevereiro, algo que não é típico. Outra diferença está na seletividade desses recursos. ?Vejo as empresas trabalharem mais em cima do fundamental e perguntar mais por quês. O investimento não será em cima de hypes?, opina.

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