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Precisamos explorar novas formas de ensino

Imagem: Shutterstock

Diferentemente das outras revoluções industriais vividas por nossa sociedade, a atual que possui como drivers tecnológicos a Conectividade, Computação em Nuvem, Big Data, Internet das Coisas e a Inteligência Artificial, afeta não somente atividades operacionais e a dinâmica competitiva das organizações modernas, mas também impacta as diferentes classes de profissionais altamente especializados.

Em outras palavras, diferentemente de revoluções tecnológicas anteriores onde ocupações de trabalho mais “braçais” eram substituídas por máquinas, nessa revolução estamos falando de ocupações de trabalho que demandaram anos de formação técnica intelectual que estão sendo substituídas por “robôs” cada vez mais inteligentes. Como exemplos de profissões com alto nível de especialização diretamente afetadas podemos citar médicos, advogados, administradores, economistas, contadores, entre outros.

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Por sua vez, isso não quer dizer que essas profissões deixarão de existir como nas revoluções anteriores. Mas sim, de que essas profissões serão transformadas por meio da digitalização dos processos e dos serviços. De forma ilustrativa, não haverá mais a necessidade de um médico oftalmologista recorrentemente realizar diagnósticos de problemas de visão em pacientes, quando temos disponível uma máquina conectada a nuvem e com inteligência artificial embarcada capaz de realizar o mesmo diagnóstico numa escala de atendimento muito maior (aos milhares) e com um nível de precisão maior do que o próprio homem.

Portanto, seria o fim dessa classe profissional médica? Não, absolutamente não. Mas sim que essa profissão terá de ser complementada por outras competências técnicas para poder se adequar aos avanços da tecnologia.

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Diante desse cenário, cada vez mais habilidades tecnológicas serão demandadas dos profissionais, entre elas cabe destacar três grandes áreas do conhecimento:

  • programação: demanda-se aqui a compreensão dos fundamentos lógicos e métodos de desenvolvimento de códigos compartilhados, que permitam implementar funções ou métodos executados por computadores;
  • metodologia científica: em um mundo cada vez mais cercado de dados, compreender os conceitos da estatística e da matemática que permita extrair análises fundamentadas do ponto de vista quantitativo e qualitativo torna-se uma exigência; e
  • negócios: refere-se a área fim a qual as tecnologias prévias serão aplicadas, mas da qual o profissional de qualquer área do conhecimento necessita dominar para elaborar as perguntas certas na hora de pesquisar e desenvolver novos modelos de dados e serviços que permitam responder corretamente aos problemas de negócios.

Não obstante as habilidades técnicas, as habilidades humanas nunca foram tão necessárias num mundo cada vez mais povoado por “robôs” inteligentes, que aos poucos moldam as nossas próprias relações sociais e modificam as ocupações atuais de trabalhos. Assim, cabe evidenciar três grandes grupos de habilidades necessárias nessa nova era moderna do trabalho:

  • empatia: se colocar no lugar do outro, e pensar de que forma suas funções podem vir a ser adaptadas ao novo contexto tecnológico. Empregos necessitam ser preservados, mas não funções de trabalho substituíveis por máquinas;
  • adaptabilidade: processo contínuo de pesquisa e aprendizagem afim de ser flexível o suficiente para se reinventar dentro de novos contextos, aos quais terão ciclos de inovação cada vez mais curtos; e
  • comunicação: a prática da escuta ativa, a clareza sobre os pontos apresentados e a reformulação das frases afim de clarificar significados, tornam-se essenciais em ambientes de interação humana cada vez mais integrados entre o online e offline.

Em uma economia que atravessa um processo acelerado de digitalização, torna-se necessário uma aproximação cada vez célere entre as empresas privadas que colocam seus produtos/serviços no mercado, o governo responsável por induzir o desenvolvimento, controlar e garantir os serviços essenciais aos seus cidadãos, e a academia responsável pela formação do capital humano na sociedade. Três hélices importantes do desenvolvimento tecnológico, econômico e social que necessitam entregar resultados cada vez mais integrados e rápidos para acompanhar a velocidade da evolução tecnológica.

Assim, iniciativas que permitam aproximar os alunos em formação e/ou requalificação dos desafios da iniciativa privada e do próprio governo são sempre métodos de ensino que precisam ser enaltecidos e citados. Formas de aprendizagem baseadas em desafios (como as Olimpíadas do Conhecimento do Senai, ICT Competition e o Seeds for the Future da Huawei ou o Behind the Code da IBM), permitem aos estudantes em formação aplicarem os conhecimentos teóricos aprendidos em problemas práticos aplicados, acelerando seu processo de formação técnica e exercitando as diferentes habilidades humanas requeridas dentro deste contexto.

*Kleber Canuto é doutor em Tecnologia e Inovação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Pesquisador, professor e coordenador de pesquisa, desenvolvimento e inovação em inteligência digital no Senai PR

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Redator
Tags: educaçãoensino
4 anos ago

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