Na era da digitalização e automação da maioria dos serviços, um ponto chama atenção: a falta humanos em serviços de atendimento ao consumidor. Isso porque, ser extremamente dependentes de novas tecnologias resulta na não interação humana entre clientes e empresa – e isso faz com que muitas organizações percam consumidores, de acordo com uma recente pesquisa publicada pela Accenture.
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Segundo levantamento, 86% dos consumidores optaram por mudar de fornecedor no ano passado devido ao mau atendimento, sendo que varejistas, companhias de telefonia celular e wireless, e provedores de serviços de internet concentram as percepções de serviços mal prestados.
No Brasil, o custo estimado de clientes que mudam devido ao serviço precário é de US$ 217 bilhões.
O relatório Strategy – Digital Disconnect in Customer Engagement (ou Desconexão Digital no Engajamento do Cliente, em tradução) é baseado na 11ª edição da pesquisa anual Global Consumer Pulse Research, que avaliou a experiência e atitude de 24.489 consumidores em todo o mundo em marketing, vendas e serviços ao cliente. Dos entrevistados, 1.301 eram consumidores brasileiros.
Para Robert Wollan, diretor-executivo sênior de Advanced Customer Strategy da Accenture Strategy, empresas parecem ter esquecido da importância da interação humana, o que, muitas vezes, causa ruído na obtenção do nível certo de ajuda e assistência que consumidores necessitam.
“Empresas erroneamente assumem que apenas seus clientes digitais são mais lucrativos, e que o atendimento ao cliente é um custo. Consequentemente, elas
investem demais em tecnologias e canais digitais, e perdem clientes mais lucrativos – os multicanais, que buscam experiências que cubram locais digitais e tradicionais”, observa.
A interação humana continua a ser um componente vital da satisfação do cliente, mesmo na era digital. De acordo com a pesquisa, 68% dos consumidores brasileiros preferem lidar com pessoas do que com canais digitais para resolver questões de atendimento ao cliente, e 62% quando necessitam de informações. Mais da metade dos consumidores (53%) diz que está até mesmo disposta a pagar um preço maior por bens e serviços, desde que isso garanta um melhor nível do serviço.
Contato físico ou experiências em lojas também são altamente valorizadas entre os consumidores locais. Mais da metade (52%) concorda que o serviço oferecido na loja física é o melhor canal para obter experiência sob medida; e 40% dizem que estão mais dispostos a serem persuadidos ao comprar produtos novos ou atualizados quando recebem um serviço pessoalmente, em comparação com o online. Pouco mais de um terço (34%) dizem que preferem ir primeiro a uma loja física do que usar canais digitais para obter informações sobre os melhores produtos e serviços.
Na visão de Kevin Quiring, diretor executivo de Advanced Customer Strategy da Accenture Strategy, “as empresas brasileiras chegaram a um ponto crítico com relação à intensidade de interação digital e precisam reequilibrar investimentos em serviços digitais e tradicionais se quiserem aumentar a fidelidade, diferenciar-se e estimular o crescimento”.
Melhorando a experiência do consumidor
O relatório da Accenture Strategy revela a existência de uma enorme margem para melhorias na prestação de serviços ao cliente atualmente. Segundo o levantamento, 79% dos consumidores admitem que é extremamente frustrante lidar com uma empresa que não facilita fazer negócios com eles.
Outros 81% esperam que o atendimento seja mais rápido, e 66% querem que esse contato seja mais fácil e mais conveniente. Já as reclamações nas redes sociais por conta de uma experiência ruim é regra para quase metade (49%) dos consumidores que admitem usar os canais sociais para desabafar.
Uma vez que um fornecedor perde um cliente, 62% deles não vão voltar. Mas existem medidas que as empresas podem tomar para retê-los. A pesquisa mostra que 92% dos clientes que trocam de fornecedor – os chamados “switchers” – acham que a companhia poderia ter feito algo para mantê-los por perto; 87% afirmam que se as empresas tivessem oferecido um serviço eficaz ou melhor serviço pessoalmente, isso teria afetado a decisão de mudança.