4G brasileiro não funciona em aparelhos comprados no exterior

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4G brasileiro não funciona em aparelhos comprados no exterior

Vivo, Claro, Oi e Tim foram as grandes vencedoras do leilão do 4G feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na última semana. Porém, a faixa de 2,5 GHz adotada pelo Brasil para receber a tecnologia trará desafios para as operadoras, sobretudo antes da Copa do Mundo, que ocorre em 2014. Isso porque ela é diferente da adota pelos Estados Unidos, Europa e resto da América Latina.

A análise é simples: com faixas diferentes, os aparelhos que são utilizados nas regiões citadas acima não funcionarão no Brasil. Durante a Copa do Mundo, as centenas de milhares de turistas que chegarão por aqui não conseguirão usar o 4G e apelarão para o HSPA+, congestionando, assim, a faixa utilizada hoje por nós. Ou seja, um dos principais objetivos do 4G, que é o aumento na velocidade de rede e maior disponibilidade, não será cumprido.

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Para tentar resolver esses problemas existem algumas alternativas, mas que também precisam de compromisso e empenho das operadoras para funcionar. Em entrevista ao IT Web, Erasmo Rojas, diretor da 4G Americas para América Latina, explicou que o aluguel de modens para os turistas pode ser uma alternativa. “A outra alternativa, além do HSPA+, oferecida para que esses usuários usem a velocidade 4G em 2,5 GHz é o aluguel de modens pré-pagos que trabalham nessa frequência e que podem funcionar conectados diretamente ao computador e navegar nessa velocidade.”

Apesar de o cenário parecer pouco promissor, Rojas afirma que não será tão ruim quanto parece se as operadoras tomarem as rédeas dessa situação o mais rápido possível para poder provar que os visitantes conseguirão usar o 4G no Brasil. “As operadoras vão ter que descobrir como é que a tecnologia 4G que funciona em 2,5 GHz pode oferecer serviços para um visitante estrangeiro.”

Outra solução para esses problemas é a disponibilização de redes Wi-Fi gratuitas, para que as pessoas que não consigam se conectar ao 4G também possam utilizar os benefícios dessa rede. “Nos Estados Unidos o que acontece é que as companhias de telefonias oferecem Wi-Fi gratuitos em certos pontos para evitar que suas redes de dados fiquem congestionadas.”

Aparelhos 4G

Para quem acha que os aparelhos e os serviços 3G são caros, prepare os bolsos, porque os 4G custarão ainda mais. Paulo Bernardo, ministro das Telecomunicações, já reconheceu o fato e preparou os brasileiros, apesar de admitir que o aumento não será nada exorbitante.

No setor de aparelhos, Rojas aponta que a mudança de preço também não deverá ser tão alta, uma vez que as fabricantes já estão preparadas e procurando incluir as suas faixas de frequência a 2,5 GHz, porque sabem que tem uma demanda de mercado para essa frequência.

“Com o tempo, o usuário vai encontrar mais aparelhos para essas faixas. O que vai acontecer é que os fornecedores já terão dispositivos móveis 4G disponíveis no País em 2013, porque eles têm uma razão comercial para fazer isso: o volume de mercado”, encerrou.

Sem atrasos

Com o leilão o Brasil deixou de estar atrasado em relação a outros países da América Latina. Uruguai, Chile e Colômbia já fizeram o leilão de suas redes, mas nenhum tem um caso de negócios tão bom quanto o Brasil.

“Todos procuram um caso de negócio que podem oferecer aos usuários e que atinja o interesse dele. No caso brasileiro há um interesse e uma abrangência que chegam com os eventos esportivos. Vocês não têm que buscar um caso de negócio para a primeira aplicação do LTE, porque ele está dado”, apontou Rojas.

Porém, no caso tupiniquim, falta a parte mais difícil. “Agora tem que cumprir entregando um serviço que atenda as necessidades dos usuários.”

Por fim, ele apontou que o desafio que o Brasil tem para que o 4G funcione é que não haja nenhum atraso. “As operadoras devem pensar em como atender aos usuários e visitantes que não são brasileiros e solucionar os problemas de aparelhos. São problemas de logística e de provar diferentes estratégia com fornecedores. Mas o volume de mercado no Brasil e os fornecedores estão prontos para o 4G. A necessidade é que a bola comece a rodar rapidamente.”

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