Os últimos doze meses foram excitantes para os fãs de telefones inteligentes. O período ajudou alguns provedores importantes a retornarem das cinzas e voltar a brigar pelo mercado. Soma-se a essa equação a chegada de novos – e importantes – players. Tal combinação ajudou a criar condições para uma revolução computacional móvel. Para celebrar o momento, separamos 10 histórias bacanas vividas ao longo de 2009 que trazem como personagem principal os smartphones.
1. Motorola volta à cena
A divisão de telefones celulares da Motorola passou por maus bocados nos últimos anos. Tanto que a companhia ensaiou um spin off transformando o braço em um negócio independente. Tais planos foram abortados em razão da crise econômica. Enquanto buscava uma saída para situação difícil, a companhia teve lampejos de sucesso.
O Co-CEO Sanjay Jha viu uma luz no fim do túnel desenvolvendo smartphones apoiados no Android. A Motorola apresentou dois dispositivos baseados no sistema operacional do Google. O resultado foi animador e a empresa pretende multiplicar a estratégia introduzindo mais aparelhos com plataformas em código aberto Linux, em 2010.
Tal movimento, na visão da companhia, gera melhor experiência aos usuários. A empresa chegou a definir o Android como “veículo de inovação” a partir de recursos de customização e maior aderência a aplicações corriqueiras buscadas pelos usuários “modernos” dos aparelhos celulares, como atualização de redes sociais, por exemplo.
O auge da Motorola em 2009 veio com a introdução do Droid para a Verizon Wireless. O aparelho gerou o maior alvoroço entre os dispositivos da companhia desde o Razr. O dispositivo mostrou-se um sucesso graças, também, a uma campanha da operadora norte-americana que projetou vender 1 milhão de telefones até o fim do ano. Graças a tais iniciativas, a empresa não se desfez de sua divisão de celulares, ainda.
2. Constante reinvenção da BlackBerry
O típico usuário de BlackBerry de cinco anos atrás queria apenas acessar seu e-mail corporativo. Enquanto mantém participação intensa nesse tipo de finalidade, a Research In Motion (RIM) segue em direção a aplicações cada vez mais completas aos executivos modernos. No segundo trimestre de 2009, fabricante conquistou 80% de novos assinantes (que não estavam entre os usuários tradicionais da companhia).
Notando uma mudança no perfil dos seus consumidores, a empresa torna seus dispositivos ainda mais amigáveis. Aparelhos como o estiloso Storm e o de baixo custo Curve 8520 ajudam a atingir novos objetivos. A empresa aproveitou o embalo e lançou uma loja de aplicativos e uma rede social para ingressar de vez no “mainstream” da telefonia móvel. A RIM está convencida de que, cada vez mais, seus produtos chegarão aos usuários comuns, sem perder apelo ao universo corporativo.
3. A renovação do iPhone
Quando a Apple apresentou o iPhone 3GS, em junho, a maioria dos analistas viram como um upgrade natural ao invés de classificarem o movimento como uma revolução no hardware. Com um processador mais competente, melhor câmera, mais espaço de armazenamento; a nova versão trouxe, sem dúvida, uma melhoria significativa frente ao aparelho anterior. Departamentos de TI apreciaram algumas das novas funcionalidades, como a solução de criptografia, por exemplo. Graças a esses ajustes, o telefone começou a ser viável também aos usuários corporativos.
4. Um exército de andróides
Para muitos, a ideia de ter um telefone armado com o sistema operacional Android foi a coisa mais legal nos dispositivos de 2009. No segundo semestre, a proliferação da plataforma foi incrível. HTC, Sansung, LG Eletronics, Motorola, Dell podem ser comprados por operadoras como T-Mobile, Verizon, Claro e Tim (no Brasil).
O Google afirmou que espera ter pelo menos 20 aparelhos lançados com seu sistema operacional embarcado ao final de 2009. Empresas como a Sony Ericsson e Asus Garmin esperam embutir o sistema em seus telefones em 2010. Os desenvolvedores também levaram a sério o Android. Já existem mais de 13 mil aplicações disponíveis para a plataforma.
Alguns estudos sugerem que os criadores de conteúdo não estão muito felizes com Android por causa do baixo volume de download. Além disso, tendências indicam que os usuários do sistema não são adeptos a pagar por aplicativos. Todavia, há um grande interesse no sistema. Resta aguardar aperfeiçoamento e esperar para ver como a aceitação se dará no ambiente corporativo.
5. A explosão do mercado de aplicativos móveis
Os aplicativos móveis andaram quentes ao longo do ano. Apenas na loja da Apple verificou-se downloads de mais de 2 bilhões de programas desenvolvidos para a plataforma do iPhone e iPod Touch. Soma-se a esse número os 13 milhões de aplicativos na plataforma Android, 20 mil para Windows Mobile e um volume não revelado de sistemas colocados no ambiente da RIM e você terá dimensão do mercado. Prova é que Nokia, Samsung, Palm e também apresentaram suas lojas próprio aplicativo.
6. Microsoft tenta pegar um pedaço
É consenso em muitos círculos de analista que a Microsoft segue um passo atrás dos seus concorrentes no mundo dos smartphone. Todavia, a empresa fez várias jogadas, em 2009, para permanecer na corrida. Embora tenha perdido participação de mercado, houve crescimento no número de celulares vendidos com o Windows Mobile no comparativo com 2008.
A empresa lançou a versão 6.5 do sistema operacional em outubro. A atualização do software melhorou as interfaces touchscreen. Enfrentando críticas da imprensa, a tecnologia teve boa receptividade no corporativo. A indústria de celulares também recebeu bem o sistema operacional. Tanto que a Microsoft espera 30 dispositivos com a plataforma embarcada até o final do ano. Com isso, a fabricante conseguiu equilibrar um pouco a disputa no mercado.
Mas a competição é dura. Tanto que a companhia mostra-se empenhada junto a comunidade de desenvolvedores para melhorar seu produto. A mudança significativa pode vir na versão 7 do sistema operacional, previsto para o segundo semestre de 2010.
7. Palm ganha relevância novamente ou algo do tipo
Não faz tanto tempo assim e a Palm liderava o mercado norte-americano de smartphones. O jogo virou contra e a fabricante perdeu espaço. Mas a empresa conseguiu retomar iniciativas depois de vender volume considerável de aparelhos da linha Centro.
As expectativas não eram muito elevadas quando a companhia disse que anunciaria um novo smartphone e sistema operacional durante uma feira de eletrônicos no início do ano. Mas a empresa surpreendeu (pelo menos a imprensa, na época) com a introdução do webOS e do Palm Pre. Alguns jornalistas dos Estados Unidos disseram que aquele produto trazia a possibilidade de reverter erros cometidos pela companhia nos últimos cinco anos.
Recebido com expectativa e boas críticas, o dispositivo não apresentou grandes sucessos de venda. Enquanto o rival iPhone vendia mais de um milhão de unidades nas semanas de lançamento, analistas acreditam que o Pre não chegará a esse número até o final do ano. A comercialização de uma nova versão GSM do dispositivo para o mercado europeu deve ajudar um pouco nos resultados de venda.
Uma segunda versão do smartphone webOS, o Pixi, foi lançada a US$ 100 dólares no mês de novembro mirando adolescentes que ingressam no mundo dos telefones inteligentes. Em um mercado cada vez mais concorrido (e dominado por rivais), a Palm prepara-se para lançar vários dispositivos no próximo ano. O tamanho da empresa mostra que ela pode ser rentável, mesmo tendo um pedaço não tão grande de market share no mundo dos smartphones.
8. Google Voice não vai para o iPhone
À primeira vista, o Google Voice não receber permissão para entrar na loja de aplicativos da Apple pode não parecer uma grande coisa. Mas o processo poderia ser um indicador de que tipos de serviços e aplicativos são permitidos em smartphones da marca no futuro.
O Google apresentou o seu aplicativo para a App Store em junho, mas o programa nunca foi aprovado pela empresa de Steve Jobs. O assunto gerou debates sobre os critérios de aprovação da Apple para sua loja, ocasionando burburinho.
9. A marcha do código aberto
Muitas vezes esquecido no mercado dos Estados Unidos, o Symbian OS ainda é mais utilizado no mundo. Cerca de 18 meses atrás, a Nokia adquiriu Symbian com o objetivo de rodar em um sistema operacional de código aberto. A tecnologia é amplamente vista como uma plataforma de alta capacidade. Uma fundação foi criada como uma entidade independente para melhorar ainda mais o sistema. Esse grupo recebe contribuições de diversos membros da indústria, incluindo Qualcomm, AT&T, Nokia, MySpace.
A entidade assumiu a missão agressiva de constantemente atualizar o sistema operacional, trazendo novas versões a cada seis meses. Alguns desenvolvedores reclamam da dificuldade de criar aplicativos para a plataforma. Atenta a isso, a companhia lançou uma campanha para diminuir barreiras e estimular o mercado, o que pode ajudar a superar tal questão.
10. Fabricantes de computadores produzem telefones
A computação móvel encontra-se em ebulição. O momento é de convergência. Computadores mais poderosos são, também, mais portáteis. O contexto fez com que várias indústrias de outros mercados lançassem categorias de produtos para capitalizar negócios junto ao mercado de telefonia. A primeira prova disso veio quando a fabricante do Mac se aventura-se com sucesso pelo mundo dos telefones celulares com o lançamento do iPhone.
A Acer foi uma companhia que ingressou no mundo dos smartphones em 2009. A Dell também, quando estabeleceu parceria com uma operadora chinesa e com a brasileira Claro para introduzir seus produto no mercado.
Essas indústrias, na visão dos analistas, encontram-se a frente de muitos desafios. Mas, na mesma medida, tem um mercado imenso em potencial. Fato é que a entrada desses novos players, com uma visão distinta, tende a chacoalhar ainda mais o mercado nos próximos anos.
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