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Organizações multigeracionais

Na minha época…

Quando eu era criança esta frase gerava certo pânico porque eu sabia que vinha história antiga que não me interessava. De jovem, passei a gostar porque era a oportunidade que eu tinha de conhecer os meus antepassados e entender melhor o meu presente. De adulto, senti muito não poder disfrutar mais das histórias porque os mais velhos já não estavam…

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Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência com as empresas. Antes o jovem fazia trabalhos menos nobres e os mais velhos tinham o conhecimento, experiência e, portanto, o poder. A transição era feita de forma gradativa e todos os jogadores aceitavam o jogo como parte de seu plano de carreira.

Porém, com a democratização da informação, o conhecimento chegou mais rápido aos jovens, a sociedade exponencial permite que a intensidade em que vivemos acelere o processo de experiências e maturidade das novas gerações e isso nos leva à que os jovens já não queiram esperar a “sua vez”, eles a fazem.

Tudo isso tem gerado muito conflito nas organizações. Ainda tem gente dizendo, nos bate-papos de amigos de 50+, coisas do tipo: “A geração de hoje não quer saber nada com nada”, “são muito mi-mi-mi”, “não estão comprometidos”. Em paralelo, os (cada vez) mais jovens estão traçando seu caminho, alguns ainda aceitam o mundo corporativo tradicional, porém sem aceitar seu tradicionalismo e questionando tudo, e outros estão empreendendo.

Até aqui nada novo, só estava contextualizando, mas…

A novidade é que pela primeira vez na história da humanidade, temos quatro gerações simultaneamente no mercado de trabalho. Não há opção, aprendemos a lidar com a multigeracionalidade ou temos um problema.

Além de ser uma bobagem, não é necessário aceitar 100% do que pensa e faz cada geração, mas é fundamental entende-las, aceitar o que se está de acordo, debater o que não, mudar o que se pode e respeitar o que não se pode.

Para isso precisamos de duas características fundamentais: respeito e tolerância. Ambas são inerentes a organizações humanizadas. E como se faz isso?

Antes de dar alguns exemplos de como a Tecno-Humanização leva isso às empresas, vou contar um caso que ilustra o que fazemos. Em um colégio, aumentou muito a violência entre alunos do ensino médio e do ensino fundamental. Os maiores hostilizavam os mais novos.

A diretora tomou uma medida brilhante, criou um programa onde cada criança mais velha almoçava com um mais novo, e lhes incentivava a conversar. Eles tinham que contar coisas de suas vidas, o que eles gostavam, o que havia acontecido no dia anterior, etc..

No inicio, as conversas eram monossilábicas (típicas em adolescentes), mas após dois meses, eles conversavam e se divertiam. Após 3 meses a escola desenvolveu atividades integradas entre grupos de diferentes idades. O interessante que os relacionamentos passaram a ter um vínculo de carinho e cuidado, similar ao de irmão mais velho.

O resultado foi sensacional, a violência e hostilidade desapareceram e a conclusão foi: conhecer e reconhecer no outro, através de conversas, um ser-humano que como você, tem medos, tristezas, alegrias, sonhos, etc.A Tecno-Humanização se inspirou neste caso para aplicar algumas das técnicas que utilizamos para humanizar as empresas.

Vamos a alguns exemplos.

Em 2016 eu conheci um App que se chamava Never eat alone (hoje tem outro nome). Ele foi criado para ajudar as pessoas socializarem em grandes corporações e não almoçarem sozinhas.

Eu usei o App a meu favor e o apliquei para criar conexões nas empresas. Três almoços da semana eram aleatórios (o algoritmo escolhia pessoas por áreas de afinidades), outro dia a pessoa podia agendar com uma pessoa específica, de pessoas de outras áreas ao presidente da empresa, e outro dia estava permitido agendar com amigos da empresa.

Nestes almoços as pessoas eram instruídas a conversarem sobre assuntos não relacionados à empresa. Outra ferramenta que utilizamos é uma plataforma que eu tive o imenso prazer de conhecer e participar este ano, a AWAKEN TALKS.

É uma plataforma onde pessoas contam suas histórias de vida, seus momentos de despertar e suas superações, e através delas inspiram a outras pessoas.

Desde o ponto de vista corporativo, quando as pessoas percebem que o “colaborador 436”, que se senta na outra ponta do andar, é um ser-humano, como eu e como você, que padece das mesmas angústias ou que se fortalece com as dificuldades da vida, surge empatia e tratar com o “Sr. José do faturamento”, um senhor desconhecido de cara fechada, passa a ser muito mais fácil.

Ao trazer estas técnicas, entre outras, rompemos a barreira do preconceito etário e criamos uma convivência mais respeitosa e enriquecedora através da empatia.

No contexto das organizações multigeracionais, não é garantido que uma pessoa da geração baby boomer ou X, possa agregar algo em projetos de holocracia, métodos ágeis ou tecnologias exponenciais, mas com certeza podem dar o equilíbrio que qualquer empresa precisa, podem inspirar, podem mostra como se faz as coisas e em muitos casos, como não devemos fazê-las, seja por orientação ou por exemplo.

Não estamos vivendo em uma era de mudanças e sim uma mudança de era. O que nos trouxe até aqui, não é o que vai nos levar daqui em adiante, portanto, em muitos casos é importante entender o modelo anterior para não o repetir. Em qualquer caso, saber aproveitar os benefícios da multigeracionalidade é ter um negócio mais saudável construindo um mundo melhor.

*Por Marcio Bueno

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Published by
Ana Gabriela De Callis
Tags: geraçõeshumanizaçãomercado de trabalho
7 anos ago

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