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O que significa igualdade na era digital?

A igualdade na era digital continua a ser uma miragem para muitos: apenas metade da população mundial tem acesso à internet. Em entrevista ao site do Fórum Econômico Mundial, a pesquisadora queniana Nanjira Sambuli, defensora da igualdade digital na World Wide Web Foundation, afirma que as iniciativas para conectar mais pessoas diminuíram drasticamente nos últimos anos.

Para a cientista política, havia no mercado uma mentalidade de que bastava orientar o planejamento, a inovação e os investimentos no setor de tecnologia que as pessoas fariam parte disso automaticamente. Mas, na verdade, fatores anteriores à tecnologia definem quem acessa e usa a internet de forma significativa e aproveita seus benefícios, como a desigualdades dentro das geografias (urbana versus rural; países em desenvolvimento versus países desenvolvidos) e desigualdades de gênero (nos domínios político, sociocultural e econômico).

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Para solucionar o problema, ela acredita ser necessário é aprofundar no motivo pelo qual as desigualdades mencionadas acima persistem e como as tecnologias digitais podem ser aproveitadas para superá-las completamente, para “não deixar ninguém para trás”.

“A igualdade digital envolve tanto escavar a história quanto dar sentido ao presente, enquanto planeja o futuro. É esse espaço inebriante que exige um pensamento transversal e intersetorial para complementar o conhecimento vertical”, argumenta. No entanto, ela nota que o último (futuro) é perseguido pelo primeiro (presente), levando-nos à situação atual.

Como reflexo, ela acredita que a sociedade não conseguirá cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, especificamente o SDG 9C: aumentar significativamente o acesso à tecnologia da informação e comunicação para proporcionar acesso universal e acessível à internet nos países menos desenvolvidos até 2020.

A igualdade digital é uma questão política, enxerga Nanjira Sambuli, que deve ser endereçada por políticas públicas capazes de desenvolver roteiros coerentes para lidar com a complexidade dessas questões na sociedade atual.

“Por estar mergulhada nas realidades das comunidades que representam, a sociedade civil tem um papel crucial na formação da governança dessas tecnologias emergentes. Esse papel não precisa ser reativo; se for engajada desde o início, há tantas percepções críticas que os atores da sociedade civil podem trazer para a mesa – do estágio de conceito ao projeto de implantação – que podem combater exclusões e divisões nas sociedades geradas por tecnologias emergentes.”

Nanjira Sambuli analisa que a sociedade civil tem conquistado grandes avanços dentro de comunidades e também em discussões internacionais. No entanto, indústria, governo e atores do desenvolvimento precisam trabalhar juntos, proativamente, com a sociedade civil.

“Isso pode significar desacelerar o ritmo no qual implantamos tecnologias emergentes para acomodar a reflexão e o teste de todas as hipóteses em cada estágio”. Para garantir que as tecnologias emergentes levem a resultados inclusivos, outros setores precisarão também parar de marginalizar a sociedade civil, defende.
Alcançar a igualdade digital requer pensamento lateral e trabalho, analisa a cientista social. Ou seja, “apoio lateral” (ou seja, financiamento irrestrito) à sociedade civil, uma vez que esse trabalho não consegue ser sustentado somente por paixão, por isso a necessidade de recursos.

“Precisamos de reformas urgentes em como esse financiamento é estruturado. Já se foram os dias em que se pode planejar projetos ou programas sobre uma questão específica; a digitalização está abrindo a abordagem em silos para resolver os problemas”, propõe a defensora da igualdade digital na World Wide Web Foundation.

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Redação
7 anos ago

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