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O poder do Geoprocessamento no Pokémon Go

O advento de novas tecnologias sempre traz o que podemos chamar de “quatro des” desconfortos, desajustes, desafios. E, a cada semana, parece que temos a descoberta, principalmente pela mídia, de temas que estão cada vez mais ligados à Geografia. Mas, nesta semana, a proporção foi na casa de milhares, em todos os aspectos.

O Pokémon GO, app que acaba de chegar ao Brasil, já conquistou grande atenção da nossa imprensa e usuários na Internet, sendo nos últimos dias o assunto mais procurado em indexadores e discutido em redes sociais.

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Em uma era de disputa de hardware e software, Cloud e SaaS, entre Sony e Microsoft, a Nintendo mais uma vez se reinventa com a nova app, o Pokémon Go, utilizando o que a Geografia oferece de melhor como experiência para interação das pessoas por meio de uma experiência que vai muito além do mundo virtual.

O filósofo Pierre Lévy afirma que o digital e uso intensivo de computadores e redes proporciona uma nova dimensão de interação que é economicamente e socialmente tangível. O virtual redefine as noções de tempo, espaço e a própria noção de conhecimento.

Mas, o que isso quer dizer na prática? Podemos até não perceber, mas a cada dia, a cada novo game ou app, a Geografia está mais presente do que nunca não apenas no seu sentido cartesiano de coordenadas, mas também dando vida e transformando a tudo que circunda nossa sociedade.

Estamos vivendo uma mudança de cultura, e não somente uma moda ou mesmo “geração x, y, z, SimCity, Minecraft…”. Sim, eu sou da Geração SimCity: planejamento, gestão, zoneamento, ordenamento territorial, mapas. Essas são as palavras-chave de grande parte de meus artigos de mestrado/doutorado, mas também poderiam ser classificações do próprio SimCity. Zonas, Quadras, Análise de falta de bombeiros ou polícia, indústrias poluidoras nos limites da tela…

Esta nova Geração Minecraft, inundada de vídeos no Youtube, revistas e livros nas bancas e ‘até’ na TV, constrói novas dimensões espaço-territoriais. De um lado, continuo a ouvir de alguns pais – e professores – que o Minecraft não faz sentido; contudo, há outros que conseguem vislumbrar algo mais do que “aquele joguinho estranho de blocos que eles vivem jogando e assistindo”, como a Microsoft, que comprou a empresa criadora Mojang por US$ 2,5 bilhões.

Graças ao exponencial avanço tecnológico, vivemos numa sociedade em rede, ágil e conectada. A cada dia, estamos nos apropriando mais e mais de ferramentas simples e acessíveis tais como essas apps que revolucionam nossa forma de viver. Este é o caso do Pokemon GO, que é fruto do seu tempo-espaço.

De qualquer modo, vale destacar que apesar do “boom” desta app, os Sistemas de Localização e os Sistemas de Informações Geográficas já vem sendo usados há décadas por especialistas ou mesmo #GeoGeeks em ferramentas desse tipo que visam aproximar pessoas baseadas em dados geográficos. E notem como modificam nossa sociedade trazendo, por exemplo, impactos na saúde pública – como o Tinder, uma app tão geográfica quanto o Pokémon Go, que foi responsável por, ao menos, seis surtos de sífilis na Grã-Bretanha.

É por isso que para muitos a novidade é “ser Pokémon”, mas a realidade é que jogos deste tipo já existiam até mesmo no Garmin eTrex, ainda sem realidade aumentada, mas com labirintos virtuais e outros.

 

 

Conforme apelidou o Professor Rui Azevedo, na atual era da “Sociedade da Inteligência Geográfica” ou “Sociedade Geo” interagimos com dispositivos e sistemas integrados e interligados por meio de redes de informações, em que a relação não é somente homem-máquina, mas uma relação cidadão-sociedade-tecnologia, onde é possível utilizarmos smartphones, redes sociais e colaborativas, softwares e aplicativos de baixo custo ou mesmo padrões abertos.

Se antes falar sobre Geoprocessamento, SIG, Sensoriamento Remoto e Sistemas de Localização (como o GPS) era algo complicado, que envolvia entender sobre configurações de hardware, software e estava restrito a um pequeno número de superespecialistas, hoje, tais tecnologias estão cada vez mais intuitivas e disponíveis no dia a dia de qualquer cidadão que acompanha desde a previsão do tempo até cria rotas de suas viagens, bem como das empresas e governos que devem se apropriar delas para o entendimento, tomada de decisão e ações territoriais.

Mas, como vamos nos apropriar dessas tecnologias ligadas à chamada “Análise Espacial’? Vivemos um momento que não poderia ser mais propício. Isto porque a multiplicidade de sistemas e sensores remotos, a facilidade no uso de ferramentas cartográficas e a necessidade do homem em ser, estar e se localizar nos permitem os usos e abusos do Geoprocessamento.

A Geografia das Coisas, na Era da Consumerização e da Transformação Digital, vai muito além da Internet das Coisas: não estamos falando somente de uma rede de sensores e dispositivos interligados. Estamos falando de uma nova forma de viver, onde não apenas estamos inseridos literalmente no espaço como esse mesmo espaço também modifica nossa forma de viver.

 

 

(*) Abimael Cereda Junior é gerente de Educação na Imagem

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cristina.deluca
10 anos ago

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