Novo CMO da RIM usa BB10 como última bala para frear iOS e Android nas empresas

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Novo CMO da RIM usa BB10 como última bala para frear iOS e Android nas empresas

O francês Frank Boulben tem um árduo, e importante, trabalho pela frente. Contabilizando 20 anos de experiência na área de tecnologia, com forte especialização na indústria de rede sem fio – ao atuar em empresas como Vodafone e Orange -, o executivo está há cerca de três meses como CMO da Research In Motion (RIM).

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Com o lançamento da plataforma BlackBerry 10, que promete “revolucionar a forma como o homem interage com a máquina”, Boulben tem em mãos talvez a última bala para acertar em cheio o berço que um dia já foi exclusivo da fabricante, mas que perdeu espaço para rivais como Android e iOS por conta da consumerização: o segmento corporativo, com o CIO ao centro.

Mas não é somente este público que a companhia quer angariar com a novidade (que chegará no primeiro trimestre de 2013), mas o de pessoas que sejam multitarefa, hiperconectadas e queiram as coisas resolvidas de forma rápida. São as chamadas “BlackBerry People”, que podem ser executivos, mães e adolescentes.

O executivo concedeu uma entrevista à imprensa latino-americana durante o BlackBerry Jam, realizado no coração do Vale do Silício, em San Jose, Califórnia. Com milhares de participantes de todo o mundo, o encontro tem como principal objetivo mostrar como a nova versão do sistema operacional é mais do que uma simples revisão de ambiente, mas, sim, uma verdadeira quebra de paradigma no mundo móvel, carregando, novamente, a promessa de acabar com o botão home no hardware, substituindo a alternativa por um hub no qual, com apenas um gesto, o usuário troca de um aplicativo para outro, quebrando o estilo atual de entrar em um programa e apenas sair quando o uso for finalizado, por exemplo.

“Não é apenas um novo smartphone, é uma experiência diferente. É um mercado onde as pessoas querem ver inovação. O BB10 é a próxima onda de inovação nos smartphones. Vamos retomar a liderança”, garantiu.

“Eu me juntei à RIM porque acredito muito no produto. Para mim, a única forma de ter sucesso é apresentar uma linha diferente de ofertas. Não conseguiremos algo com cópia”, classificou Boulben. “A forma como hoje interagimos com aplicativos foi criada há cinco anos pela Apple e, depois, copiada pelo Google e Android. Não faremos isso.”

Com o departamento de marketing em mãos há três meses, além de visitar 30 operadoras ao redor do globo e ficar as últimas semanas praticamente sem dormir por conta da agenda, o executivo compreendeu que o problema em torno da RIM e comunicação, hoje, se foca em estratégia, e não em pessoas. “Nos últimos três meses unifiquei a organização, que estava totalmente fragmentada. É mais fácil mudar a organização do que mudar as pessoas”, comentou.

Além do hub de aplicativos, o teclado virtual preditivo (que conhecendo as palavras mais usadas pelo seu dono já apresenta sugestões de palavras durante a digitação), a manutenção do teclado físico e o sistema BlackBerry Balance (que separa em dois ecossistemas completamente separados e independentes conteúdo pessoal e corporativo no mesmo aparelho) são as principais apostas da companhia para ganhar espaço perdido para concorrentes.

A RIM conta, ainda, com o “boca a boca” para angariar novas contas. Com 80 milhões de clientes ao redor do mundo, dois milhões a mais do que no ano passado, a companhia conta com CIOs, celebridades e profissionais de renome em sua lista de fregueses, e a ideia é que eles venham a público defender a marca. “Queremos colocar o produto nas mãos desses ‘advogados’”, explicou, com o intuito de posicionar essas pessoas como defensores da marca. O executivo informou, ainda, que o orçamento de marketing da companhia aumentou consideravelmente, mas não especificou o valor.

Sobre a Microsoft e seu Windows 8 configurando-se como principal rival da empresa na mobilidade corporativa, o executivo foi direto: “Todos os players estão se aproximando”, disse, adicionando, contudo, que não existe hoje qualquer empresa que seja verdadeiramente uma competidora da canadense na oferta móvel. “O que vemos no mercado é uma base instalada grande de Blackberry Enterprise Servers. Colocamos muito no esforço de desenvolvimento do BB10 para que ele fosse o melhor para empresas. Ainda temos a melhor segurança fim a fim e, quando falamos em CIO, somos a melhor solução pensada para segurança”, enfatizou. “E com o BB10, queremos consolidar isso. Queremos ser experts em computação móvel.”

* A jornalista viajou a San Jose a convite da RIM

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