Desde que o Facebook comprou o WhatsApp há quatro anos, o popular mensageiro tem se mantido livre de publicidade. Mas isso mudará em 2019 quando a ferramenta começará a mostrar anúncios personalizados e, eventualmente, fará da sua versão Business também uma plataforma de monetização.
Em entrevista à Forbes, um dos cofundadores do WhatsApp, Brian Acton, afirmou que os desentendimentos com Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, sobre novas formas de monetizar o mensageiro levaram à decisão de deixar a companhia em setembro de 2017. Afinal, se o WhatsApp puder enviar conteúdo publicitário personalizado aos seus usuários, o que isso dirá sobre a privacidade de suas mensagens? A criptografia de ponta a ponta que o Facebook tanto defende atravessar um de seus mais populares produtos também terá seu fim?
Era questão de tempo para o Facebook fazer do WhatsApp, que conta atualmente com 1,5 bilhão de usuários, uma nova fonte de receita, tendo em vista que pagou 19 bilhões de dólares pelo serviço na época. Mas não é de hoje que a companhia começa a trabalhar em anúncios no WhatsApp. O primeiro passo nessa direção foi o movimento controverso de integrar os perfis do WhatsApp e Facebook usando números de telefone. O plano inicial era entregar anúncios personalizados para usuários do WhatsApp dentro do Facebook, o que levou a União Europeia a multar o Facebook em 110 milhões de euros em maio de 2017.
Uma das apostas é que o Facebook irá colocar anúncios direcionados no novo recurso Status do WhatsApp, algo que acontecerá no ano que vem de qualquer maneira, mas também oferecerá ferramentas de análise de negócios. Mas como o Facebook irá encorajar usuários do seu popular mensageiro a ignorar publicidade é uma resposta ainda a ser dada.
Segundo porta-voz da companhia, as mensagens trocadas dentro do WhatsApp continuarão criptografadas e que não há planos de mudar isso – pelo menos, em um futuro próximo. Entretanto, a criptografia de ponta a ponta permanecerá no caminho de uma monetização em escala do WhatsApp. Por ora, ela permanece segura. Dado ao escrutínio sobre a ferramenta, a companhia não poderia remover a criptografia de ponta a ponta de forma discreta. Caso o fizer, terá de explicar a mudança não só para seus clientes como para legisladores.
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