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Na economia digital serão duas TIs em uma

Estamos chegando
ao fim do ano de 2014 e em breve começaremos a ver as famosas reportagens com
tendências para 2015. Aí teremos as inevitáveis listas Top 10… Mas,
analisando melhor, tendências tecnológicas não são como moda, onde cada ano uma
cor predomina. A adoção de uma tecnologia não é instantânea. Depende de outras
à sua volta para criar um contexto mais amplo onde ela pode se disseminar.

Um exemplo
são os APPs. Seu crescimento dependeu do lançamento do iPhone e da APPs store e
sua evolução tem relação direta com a evolução tecnológica dos dispositivos. Em
2007 o iPhone tinha 3 sensores e o iPhone 5, do ano passado, 5 sensores. O
Galaxy S, de 2011, 3 sensores e o 5S, em 2014, 10 sensores. Uma maior
funcionalidade e inovação dos APPs depende deste maior número de sensores
e  quanto mais útil o APP, maior seu uso.
Círculo virtuoso. A loja da Apple tem 1,2 milhão de aplicativos e já registrou
mais de 75 bilhões de downloads. Seu principal concorrente, a Google Play conta
mais de 1,3 milhão de apps. Seu uso é crescente, e nos EUA, enquanto em 2011 os
americanos entre 18 e 55 anos usavam em média 18 horas e 18 minutos por mês, em
2013 já eram 30 horas e 15 minutos.  Hoje
os APPs tornaram-se um fenômeno cultural, que afeta a vida de bilhões de
pessoas. Os APPs mudaram a forma de como as pessoas vivem suas vidas e com
certeza continuarão a moldar nosso futuro.

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APPs podem
ser considerados os ícones de uma transformação digital que está acontecendo na
sociedade. Estamos entrando aceleradamente em uma economia digital, onde cada
companhia está se tornando uma empresa de tecnologia. Cada parte do seu
negócio, produtos e processos poderá e deverá estar envolvida em uma camada de
tecnologia, expondo-a para seus clientes e parceiros.  

A economia
digital vai mudar todo e qualquer setor de negócios. Alguns exemplos começam a
pipocar aqui e ali. A AirBnb, por exemplo, sem ter construído um único quarto
de hotel, está se tornando-se uma líder no setor de hospedagem. É uma empresa
de software.

Com mais e
mais digitalização e a disseminação massiva de sensores (Internet das Coisas)
os limites entre os setores de indústria tendem a desaparecer. Um veiculo
automático, onde cada deslocamento e mesmo cada ação do motorista, como acelerar
e frear bruscamente, podem ser monitorados, vai afetar a indústria de seguros. O
plano de seguros pode ser individualizado e alterado de acordo com o uso. A própria
indústria automotiva, com carros cada vez mais automáticos, chegando a operar
sem motorista, provavelmente deixará de ser uma fábrica de automóveis, que após
a venda do veículo perde contato com seu cliente, para ser uma  indústria de mobilidade pessoal, engajada 100%
do tempo com o cliente. Hoje a Tesla, fabricante de veículos elétricos
descreve-se como uma companhia de software que fabrica carros. Uma parcela
significativa dos defeitos registrados pelos seus clientes é resolvido pelo
download de um update de software, via Internet.

Mesmo um
pequeno grupo de pessoas ou mesmo uma única pessoa pode criar uma companhia
digital. O Instagram é um bom exemplo. Ao ser vendido tinha apenas 13 pessoas
em seu staff. É uma empresa de software e não precisa das fábricas que as
antigas industrias que dominavam o setor de filmes químicos precisavam ter.
Este exemplo, assim como o AirBnb, o Uber, e o WhatsApp, entre outros
demonstram que hoje o principal concorrente pode estar fora do radar de suas
análises de mercado.

O que vemos
hoje é claramente a consolidação das ondas tecnológicas impulsionadoras desta
economia digital: Cloud Computing, Big Data e o que podemos chamar de
“Engagement Technologies” que envolvem mobilidade e social business. Apontar
quem está em primeiro lugar este ano é fútil. Todas elas estão interconectadas
e se consolidando, em velocidades diferentes, mas todas evoluindo na mesma
direção.

O que
nitidamente pode-se observar é que o fenômeno da interligação entre os mundos
físicos e virtuais, através da Internet das Coisas, também está tomando
impulso. A tendência é simples: nos próximos anos todas estas ondas estarão
amadurecendo, se disseminando e tornando indistinguíveis as fronteiras entre o
mundo dos átomos e dos bits. A computação voltada para o usuário final e a
corporativa estarão se mesclando e a separação entre elas ficará cada vez mais
difícil.  Nesse  momento, estaremos em plena economia digital.

Este cenário
vai afetar de forma significativa a indústria de TI e o papel da TI e dos CIOs
nas empresas. Os tradicionais fornecedores de TI estão em transição. Algumas
empresas consideradas líderes hoje, continuarão existindo, mas deixarão de ter
relevância e influência no mercado de TI. Muitos dos gigantes atuais, da
geração pré economia digital estão tentando sobreviver, deslocando sua estratégia
para absorver e abraçar as novas ondas tecnológicas. Mas enfrentam muitas dificuldades.
As empresas que dependiam de hardware e que mantinham software e serviços
gravitando em torno destas vendas, estão mostrando resultados bastante
frustrantes de crescimento. Líderes de bancos de dados relacionais estão sendo
desafiados por novas tecnologias e hoje não são considerados líderes em
tecnologias como in-memory, stream computing e NoSQL, por exemplo.

A maioria
dos gigantes pré economia digital está lutando para sair de nichos e tentar
chegar a patamares de liderança em Cloud Computing, Big Data e Engagement
Technologies. Um sinal interessante é que as empresas gigantes da Internet, que
estão se tornando benchmarks das novas TI, como Google, Amazon e Facebook, não
usam praticamente nenhuma tecnologia dos fabricantes tradicionais de TI.

O que isto
significa? Que o tradicional lema que durou dezenas de anos – “quem compra tecnologia
de A não será despedido” – está obsoleto. Provavelmente os principais e mais
influentes fornecedores de tecnologias em dez anos não serão os de hoje. As
empresas de TI mais influentes serão aquelas mais alinhadas com o mercado
final, pois a consumerização torna-se um fenômeno cada vez mais influenciador
de entrada e disseminação de tecnologias nas empresas. E é bem provável que em
dez anos algumas das mais influentes empresas de TI nem existam hoje ou ainda tenham
se transformado em pequenas start-ups!

Para a TI
nas corporações isto significa um risco e uma oportunidade. Risco de perder
relevância ao se manter apegado aos paradigmas atuais. Oportunidade, se conseguir
se engajar e liderar o processo de colocar sua empresa na economia digital.

A transformação
digital

Interessante. Recentemente, no CEO 2013 Gartner Survey, uma pergunta me chamou
a atenção: “Does IT Delivery Need to
Improve?
” A resposta de 52% dos CEOs e de apenas 12% dos CIOs foi sim.
Claramente vemos aí um descompasso de expectativas e consequentes frustrações. Quem
manda são os CEOs… E eles estão frustrados pelo pouco de inovação que a TI
tem trazido. Poucos CEOs consideram que seu CIO poderá se tornar um futuro CEO.
Ou seja, tem um sinal amarelo piscando e precisa-se prestar atenção a ele.

O que
acontece quando os sinais de alerta são ignorados? Tentativas de muitas
empresas de criar cargos como Chief Digital Officer para conduzirem suas
estratégias de transformação digital. Quem é esta figura? Recomendo acessar o
link http://chiefdigitalofficer.net/ para entender como esta comunidade
está crescendo, pelo menos lá fora.

Diante deste
cenário, o que os CIOs a as áreas de TI devem fazer?

Pensar
digital e redefinir seu papel.

O CIO cada
vez mais deve se inserir na identificação de oportunidades de novos negócios,
explorando a tecnologia digital como força motriz.  Ter sua própria visão de futuro para o negócio
e não apenas depender das visões dos fornecedores de tecnologia, que têm óticas
muito dependentes do seu portfólio atual e de sua limitada capacidade de se
transformar. Entender que tem que operar em duas frentes, ao mesmo tempo,  porque ambas são prioritárias: manter os
sistemas de missão crítica atuais operando e criar soluções inovadoras. São
ritmos e processos diferentes. Serão duas TIs em uma.

O CIO tem
que sair da zona de conforto do back-office e ir para a linha de frente, tornando
sua área um centro de criação de novas oportunidades. Passar a ser um centro
gerador de resultados para a empresa. Para isso. tem que assumir a posição de liderar
a transformação digital, e não ser liderado por ela…

Uma das
frases mais significativas que li sobre este assunto é de Bob Johansen, do
Institute for the Future, “It is now too
late to have a digital strategy. What you need is a business strategy that
includes digital
”.  Vale a pena
pensar sobre isso.

 

(*) Cezar Taurion é CEO da Litteris Consulting, autor de seis livros sobre Open Source, Inovação, Cloud Computing e Big Data

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Published by
cristina.deluca
12 anos ago

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