Lenovo compra Motorola Mobility, do Google, por US$ 2,91 bilhões

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Lenovo compra Motorola Mobility, do Google, por US$ 2,91 bilhões

A Lenovo chegou a um acordo para adquirir a Motorola Mobility por US$ 2,91 bilhões. Desse valor, US$ 1,41 bilhão será pago com o fechamento do acordo – US$ 660 milhões será pago em dinheiro e US$ 750 milhões serão pagos em ações ordinárias. Os US$ 1,5 bilhão restantes em três anos em notas promissórias. A negociação pegou todo o mercado de tecnologia de surpresa na noite desta quarta-feira (29).

Comprada pelo Google em 2011, por US$ 12,5 bilhões, a Motorola Mobility tem sido usada como laboratório pela gigante das buscas para encontrar seu caminho no mercado de smartphones. Foram poucas as investidas que realmente resultaram em produtos realmente diferenciados.

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O valor da negociação assusta, tendo em vista o que foi pago pelo Google em 2011. Mas, assim, fica claro que o negócio que mais interessava a empresa de Larry Page era as patentes envolvidas no acordo. A gigante das buscas tem aumentando sua proteção no mercado de mobilidade devido ao seu sistema operacional Android. Faz também poucos dias que a Samsung e o Google chegaram a um acordo para o compartilhamento de patentes. A aliança cobre as patentes existentes e também as próximas que forem listadas nos próximos 10 anos.

Outro ponto: vale lembrar que, mundo a fora, o sistema operacional dos smartphones da Lenovo é o Android. Certo que, hoje, é importante para a companhia de Larry Page se proteger na guerra das patentes, mas a escala que a companhia chinesa dará ao seus sistema operacional será bem maior que o alcançado entre 2011 e agora pela Motorola.

O Google manterá a propriedade de vasta maioria das patentes da Motorola Mobility em seu portfólio. São cerca de 10 mil patentes que a empresa poderá usar para se proteger, licenciar e ganhar dinheiro por muito tempo. A Lenovo irá receber 2 mil patentes, e ganhará os diretos de marca da Motorola Mobility – e o expertise de hardware.

“Como parte da Lenovo, a Motorola Mobility terá um caminho rápido para alcançar o nosso objetivo de tocar as próximas 100 milhões de pessoas conectadas à internet móvel. Com os recentes lançamentos do Moto X e Moto G, temos um tremendo impulso, e, agora, a especialização de hardware da Lenovo e seu alcance global só vai ajudar a acelerar isso”, disse Dennis Woodside, CEO da Motorola Mobility, em comunicado.

O anuncio chega algumas semanas após o Google adquirir a Nest (US$ 3,2 bilhões), alavancando seu projeto de Internet das Coisas, e dias após a aquisição da DeepMind, por US$ 400 milhões.

A expansão chinesa

Com esse movimento, a Lenovo parece dar um salto monstruoso em sua busca por se estabelecer no mercado de smartphones e mobilidade. Foi especulado, anteriormente, que a companhia estava negociando a aquisição da BlackBerry – o que fica claro que não foi para frente (o governo canadense e norte-americano batalham para que isso não acontecesse).

Novamente, volta a máxima do mercado de tecnologia em torno da Lenovo: se a companhia chinesa fizer com a Motorola Mobility o mesmo que fez com a divisão de PCs da IBM, Apple e Samsung terão problemas de sobra no mercado. Em 2005, a Lenovo comprou a divisão de computadores pessoais da Big Blue por US$ 1,25 bilhão. Em 2013, a fabricante superou a HP e se tornou a maior fornecedora de PCs do mundo.

O ritmo da Lenovo não pode ter outra conotação a não ser o termo “agressivo”. Na última semana, aliás, a companhia adquiriu a área de servidores x86 da IBM por US$ 2,3 bilhões, colocando HP e Dell na mira dessa fúria por crescer no mercado corporativo e expandir sua área de alcance.

No Brasil, a área de mobilidade da Lenovo ainda não é uma realidade. A companhia estuda o melhor momento para trazer seus smartphones para o País e também estuda a produção local desses equipamentos, para ganhar competitividade no preço junto ao consumidor. Com a Motorola Mobility, esses planos poderão ser adiantados.

Em 2012, ainda, a Lenovo adquiriu a CCE. Porém, a estratégia da companhia é dar sobrevida à marca CCE por um tempo, para atacar classes de consumo de menor poder aquisitivo. Se 2014 é um ano de dúvidas para a economia brasileira, devido aos vários eventos que acontecerão em sequência quase ininterrupta, para a Lenovo este é o ano de espalhar e conquistar.

Reorganização

Ainda essa semana, a Lenovo anunciou que iria dividir seu negócio em quatro grandes áreas: mobilidade, computação em nuvem, PCs e servidores.

 

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