Antes de abrir de fato a discussão, preciso dizer: eu não entrevistei o Justin Bieber. Talvez se tivesse feito, minha irmã mais nova me amaria muito mais, mas não é o caso.
Durante o Ericsson Business Innovation Forum Brasil 2012, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (21/11), um dos painéis de inovação foi o de Niklas Twetman, líder de desenvolvimento de negócios da Universal Music Suécia. O executivo abordou a necessidade de mudar as estratégias corporativas, colocando as empresas com foco nas redes sociais e colaboração, sendo essas tendências ?as únicas capazes de colocar o negócio nos trilhos do crescimento?.
Como é fato sabido, a indústria da música sofreu um gigantesco revés com os downloads de músicas, que jogou a receita das vendas de CDs no chão e alavancou aparelhos como iPods e outros reprodutores de músicas. Apenas anos após essa grande rasteira que a indústria fonográfica entendeu que é melhor lutar pelos centavos de cada música do que insistir nos dólares dos CDs completos. ?Hoje, vivemos o melhor momento de todos na Universal graças a essa inversão dos negócios?, afirmou Twetman, que assumiu que a empresa demorou a entender o novo formato de negócios. ?Não abandonamos os CDs, mas sabemos que as forças de consumo já não apontam para ele.?
Pronto, paramos por aqui com esse assunto e agora vamos falar de Justin Bieber. Chame sua filha para ler também, pois ela vai pode te ajudar na leitura com uma trilha sonora.
A bola de neve é a seguinte: redes sociais, mobilidade, computação em nuvem e Big Data. Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Google+ entre outras redes são os grandes responsáveis pela gigantesca crescente na criação e consumo de dados em todo o mundo, e Justin Bieber é um dos grandes exemplos sobre como as redes sociais podem ser monstruosas neste sentido.
Twetman contou que, certa vez, Bieber postou em seu Twitter a frase ?Ei, pessoal, confiram meu novo videoclipe? com o link para o YouTube. Em 24 horas, 10,6 milhões de pessoas assistiram ao novo vídeo do cantor. O clipe da música Baby, que você não é obrigado a conhecer, já conta com mais de 800 milhões de visualizações, acrescenta o executivo da Universal. ?Uma coisa leva a outra. O vídeo levou ao alto consumo do single no iTunes Store e, consequentemente, atingiu de forma positiva nossa receita.?
Em outro acontecimento online causado pelo cantor pop, ele postou, no Instagram, a foto do trânsito de Los Angeles (EUA) e chegou a 24 mil ?curtidas? em apenas uma hora. ?Ele literalmente parou o trânsito daquele momento e ocupou um gigantesco tráfego do Instagram, colocando a rede no mapa das mídias sociais.?
O que isso significa para você?
Primeiro, agradeça por não ser o departamento de TI de Justin Bieber, pois estruturar tantos Tweets, comentários no Facebook e Youtube, e captar valor do Instagram seria o pesadelo de todo CIO. O fato é que ninguém está livre de dois grandes motores do mercado atual: ferramentas analíticas e colaboração.
Os dados não vão parar de crescer e você não pode ser vítima de seu desleixo. O investimento é alto, mas a necessidade de compreender o mercado é ainda maior, e isso significa a continuidade total de seus negócios. As ferramentas analíticas estão aí para tratar da situação e cuidar dos Justin Biebers internos de cada companhia. Apenas faça as perguntas certas para as suas ferramentas.
No caso da Universal, as questões corretas foram: ?Quem são nossos principais motores de vendas (artistas)??, ?Quais singles estão movimentando mais visualizações??. ?Feitas as perguntas corretas, deixamos de nos comunicar de forma massiva na televisão, e passamos a fazer campanhas nas mídias sociais onde nossos cantores estavam melhor posicionados?, conta Twetman. ?Pode parecer irrisório, mas o retorno foi monstruoso. Na Suécia, por exemplo, o uso de Facebook é muito maior que o de Twitter, e isso nos ajudou a bolar campanhas muito fortes.?
As ferramentas analíticas podem te colocar diretamente em contato com seus clientes e consumidores. A lição aprendida pela Universal é que a decisão não está mais na mão da empresa, e não adianta bater o pé. ?Acertar o pé neste ponto é essencial?, aconselha.
A colaboração fecha o cerco. Sabendo onde estão seus clientes e consumidores, as formas como eles preferem se comunicar e como deve ser o contato com eles, basta traçar a estratégia entre todas as áreas da empresa por meio do canal correto. ?No nosso caso, a televisão se tornou secundário, e agora nossas campanhas televisionadas levam uma tag, para que seja compartilhada nas redes e, dessa forma, avaliamos o retorno. Isso envolve o marketing, TI, comercial entre outras áreas, conversando juntos?, finaliza Twetman.
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