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Já é hora de abir mão do Cobol?

Poucas universidades ensinam atualmente Cobol, linguagem de programação dos mainframes. Estudos apontam que uma entre quatro instituições contam com essa disciplina nos cursos de TI.  Assim, as chances dos futuros profissionais estudarem essa tecnologia são cada vez menores.

A falta de interesse das universidades por essa linguagem tem gerado uma grande discussão no mercado, considerando que essa tecnologia se mantém ativa em muitas organizações ao redor do mundo. 

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Há bilhões de linhas de código Cobol em uso em grandes empresas e em agências governamentais. Muitos especialistas dizem que essa situação deverá permanecer assim ainda por muitos anos

A Administração da Segurança Social dos Estados Unidos, por exemplo, tem 60 milhões de linhas de Cobol, de acordo com um relatório divulgado no ano passado pelo governo daquele país.

“Os alunos precisam ser capazes de fazer alguma coisa em Cobol”, disse David Dischiave, professor associado da Syracuse University que ministra cursos de TI. Ele quer que os alunos saiam da faculdade como pensadores críticos que também têm algumas habilidades práticas, e isso significa aprender Cobol.

“Eu acho que profissionalmente Cobol está vivo e continuará assim por alguns anos”, disse Dischiave. “Há um monte de pessoas que querem matar essa linguagem, mas não sei a razão”, afirma o professor.

Escolas que ensinam Cobol tendem a focar essa linguagem mais em sistemas para negócios. Na Syracuse, por exemplo, o primeiro curso de Cobol foi chamado “Tecnologias Empresariais”.

“Os empregadores estão batendo em nossa porta tentando contratar [alunos treinados em Cobol], o máximo que puderem”, disse Dischiave. A Syracuse também exige que os alunos estudem Java e ensina outras linguagens de programação como disciplina curricular.

Longevidade do Cobol
Uma pesquisa global realizada recentemente em 119 universidades pela Micro Focus, produtora de software para o desenvolvimento e modernização de aplicações empresariais, uma das pioneiras em aplicações Cobol – deixa claro que há problemas para as organizações que precisam de talentos com conhecimento nessa linguagem.

A pesquisa incluiu escolas de todo o mundo, embora a maioria dos entrevistados seja da América do Norte.

O estudo revelou que 73% das universidades pesquisadas que ensinam cursos de TI não têm programação Cobol como parte de seu currículo. Apenas 18% oferecem aulas de Cobol como uma parte essencial na grade curricular. Outras 9% oferecem a tecnologia como disciplina obrigatória.

A pesquisa também apontou que 71% dos entrevistados acreditam que as empresas vão continuar a contar com aplicativos baseados em Cobol para os próximos 10 anos ou mais, enquanto 24% disseram acreditar que essa linguagem permanecerá viva por mais de mais de 20 anos.

A Universidade do Alabama, em Birmingham, está entre as escolas que não oferecem aulas em Cobol.

A demanda não justificaria oferecer aulas só de Cobol, diz Paul Crigler, um instrutor do curso de Sistemas de Informação em Gestão é Métodos Quantitativos da UAB School of Business.

Mercado de trabalho
Crigler é um programador autodidata em Cobol. Ele aprendeu essa linguagem e começou a dar aula sobre .o assunto em 1980. O especialista comenta que raramente vê uma oportunidade de estágio que exige conhecimento em Cobol.

Essa situação e totalmente diferente em Durham College, perto de Toronto. Lá os  alunos são obrigados a fazer dois anos completos de Cobol, juntamente com uma série de linguagens mais modernas.

Bill Marlow, um professor de TI de Durham, disse que os alunos são geralmente céticos sobre Cobol. Ele questiona se o conhecimento nessa linguagem ajudará os alunos na carreira deles.

Marlow diz que não há um grande número de empresas à procura por especialistas em Cobol. Mas, acrescentou, que essa linguagem está sendo trazida para novos ambientes juntamente com as outras plataformas modernas.

A decisão de uma universidade em ensinar Cobol é influenciada pelo seu conselho consultivo,  composto por representantes de pequenas e grandes empresas. O conselho consultivo em Durham College defende a importância de Cobol, disse Marlow. 

A universidade Carnegie Mellon oferece aulas de Cobol. Ray Scott, que ensina essa linguagem aos alunos por cerca de 30 anos, e atua como diretor de sistemas e operações em supercomputador em Pittsburgh Center, considera que é importante os futuros profissionais de TI terem contato com essa tecnologia. 

Scott disse que começou a ensinar Cobol com objetivo de capacitar mais estudantes para trabalhar no seu departamento. Hoje essa disciplina é obrigatória. 

Scott avalia que o curso de Cobol passou por mudanças para continuar vivo na sua instituição e foi rebatizado como Introdução à Programação de Sistemas de Negócios. 

O curso inclui temas relacionados com sistemas corporativos de TI. A ideia, segundo Scott, é fazer com que os alunos aprendam como são os grandes sistemas das empresas.

Scott acredita que isso ajuda os alunos a compreenderem, por exemplo, como um sistema legado de back-end processa uma folha de pagamento. “Eles realmente não veem isso hoje”, disse ele. “Muito do que fazem é a interface da web”.

O especialista sabe que nem todos serão programadores de Cobol, mas aconselha os futuros profissionais de TI a listarem essa programação em seus currículos.

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cristina.deluca
13 anos ago

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