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“O futuro não é formado apenas por ações, mas também pela nossa apatia”, provoca futurista no IT Forum Praia do Forte

Monika Bielskyte, futurista, durante o IT Forum Praia do Forte 2025 (Imagem: PlayP/Itaqui)

E se as obras de ficção científica não tivessem expandido a nossa mente para o futuro da tecnologia, mas, sim, a limitado? Essa foi a provocação que a futurista Monika Bielskyte trouxe para o palco do IT Forum Praia do Forte 2025, durante sua palestra “Além do ciclo de hype: inovação resiliente”. Em sua fala, a pesquisadora discutiu como nossas criações partem daquilo que nos inspirou desde pequenos e a partir da perspectiva de futuro de cada um.

No entanto, esta mesma perspectiva pode estar datada. “Vemos o futuro e o que pode acontecer a partir de materiais escritos no séculos XX e a ciência e a tecnologia avançaram muito desde então. Nem tudo o que parece futurista realmente é”, afirmou. Como exemplo, Monika explica que as principais narrativas criadas pela humanidade estão sob uma ótica binária, de distopia ou de utopia.

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Nesse sentido, tecnologias como a inteligência artificial (IA) assumem o papel de Deus no imaginário coletivo, criando medo ou uma ilusão de salvação com o seu uso. Com isso, não apenas discursos seriam feitos em seu nome, como também novas criações, muitas vezes sem valor social real. Monika propõe um caminho diferente: seguir a ciência e não o hype.

“O próprio Sam Altman disse que a IA resolverá os desafios desconhecidos da física. Essa é uma frase sem sentido e só indica que ele parece não entender do que está falando. Precisamos nos concentrar na pesquisa científica, em vez de narrativas simplistas que servem para sustentar a bolha do capital de risco”, declarou.

Com o objetivo de trazer a ciência de volta aos palcos, Monika é uma forte defensora da informação e de que pessoas conheçam como tecnologias como a IA funcionam. É apenas desta forma, disse, que iremos compreender que a ferramenta não pode ser comparada à um cérebro humano e que ela não irá resolver todos os problemas da humanidade.

Leia mais: “Não é humano versus máquina, mas humano e máquina”, diz artista no IT Forum Praia do Forte 2025

Nesta jornada, a pesquisadora propõe devolver o protagonismo ao ser humano, com narrativas internas e externas que o mostrem como tomador de decisões do futuro. Também alertou para o risco do “canibalismo da IA”. O movimento traz ao centro à curiosidade como forma de sobrevivência, ao invés da inteligência. Em sua fala, Monika relembrou ainda que foi a flexibilidade e a capacidade de adaptação que trouxe a humanidade até aqui, ambas frutos da imaginação.

O futuro imaginado pela ela propõe a união de conhecimento com curiosidade. Para chegar até ele, ela defende a importância de tornar fatos divertidos e do uso do design como ferramenta de inspiração. Como exemplo, ela cita filmes como Pantera Negra, dos quais fez parte da produção como consultora, nos quais o real valor não estava na história e sim no mundo criado nas telas.

“Wakanda ou Pandora são lugares onde as pessoas querem passar tempo. Mas e se nós pensássemos nos nossos futuros assim também? Será que queremos mesmo viver com carros voadores e um céu poluído de trânsito?”, provoca.

Para Monika, o futuro possível se traduz além da dualidade utopia e distopia, evoluindo para uma visão de Protopia. Esta se baseia em sete princípios cunhados por ela mesma, sendo eles, pluralidade, interdependência, regeneração da biosfera, expansão sensorial, florescimento criativo e preenchimento espiritual. Guiada por elas, a pesquisadora questiona as tecnologias que tem sido criadas e o real apoio às pesquisas científicas.

“Nos baseamos em valores humanos evoluídos, informados pela ciência e apoiados por ferramentas tecnológicas. Então, novamente, a humanidade guia essa trajetória. E não é uma visão vaga, central e sem graça. É uma visão que se inclina para a compreensão do status quo, mas considera o que poderia estar além dele.”

O “além dele” é um design centrado no ser humano, e não mais no usuário. A diferença, ela explica, é que enquanto um pensa nos humanos como seres individuais, o outro vê pessoas em suas capacidades plenas, emaranhados na sociedade, onde todas as decisões tomadas afetam o coletivo e, ao mesmo tempo, são moldadas por ele.

Dentro disso, o coletivo citado por Monika vai além das relações humanas. Em sua opinião, a nova fronteira da tecnologia se encontra no reencontro com a biologia e na reintegração do ser humano ao ecossistema da Terra.

“Mais de 99% do DNA em nossos corpos nem sequer é nosso. Não podemos sobreviver sem o nosso microbioma. E a biologia é realmente a verdadeira fronteira do futuro, não o silício ou os foguetes. Porque qualquer futuro que tenhamos, ele será definido pela nossa biologia. É a vanguarda”, finalizou ao instigar o público à reflexão.

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Isabella Winckler
Tags: IT Forum Praia do ForteIT Forum Praia do Forte 2025Monika Bielskyte
10 meses ago

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