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Stefan Wagner é o presidente do SAP Labs América Latina, sediado em São Leopoldo (RS). Sua missão é fazer com que as soluções da companhia alemã se tornem mais amigáveis e tangíveis ao mercado latino, assim como também está focado e diminuir a lacuna de inovação dentro do portfólio de soluções, com pitadas mais regionais de inteligência.
Para tornar essa meta tangível, ele trouxe para o País o Startup Focus Program, que tem o objetivo de fomentar inovação por meio de startups que usem o SAP Hana para criar novas experiências e meios de uso para a tecnologia da companhia. ?Estamos reforçando nosso compromisso com o desenvolvimento da região?, diz ele.
Tive a oportunidade de conversar rapidamente com ele, durante o Hana Startup Forum 2013, sobre o programa e sua visão de inovação para o mercado. O resultado está logo abaixo.
InformationWeek ? O que exatamente você espera das startups aqui no Brasil? Qual o objetivo?
Stefan Wagner ? Trouxemos o ?Startups Focus Program? para o Brasil por duas razões. A primeira é que as startups são um grupo de potenciais futuros clientes da companhia. Quando passamos para TI, o diferencial competitivo está na plataforma onde a solução é criada. O programa foca o desenvolvimento de ferramentas sobre a plataforma Hana e é estendido, assim, para outras áreas, como mobilidade. Temos ai, a oportunidade de aumentar o alcance da nossa solução em mercados antes não imaginados por nós, pois cada startup atacará uma necessidade particular.
Contar com startups faz toda a diferença para a SAP. Somos uma empresa muito grande com centenas de produtos, e fatalmente algo fica esquecido no meio do caminho, pois ficamos compenetrados em fazer o core business rodar. As startups conseguem buscar o melhor para a tecnologia que querem desenvolver olhando para todo o ecossistema e usufruindo de alguma das nossas ferramentas de uma forma que nunca imaginamos antes, e esse é um dos propósitos de ter um programa desse.
O segundo é que temos, como empresa global, o compromisso social de desenvolver os mercados locais que estamos inseridos, criando inovação, empregos e panoramas. Parte da nossa meta social corporativa é embasada na melhoria da economia local. Desenvolver startups gera novos empregos e novas fontes de receita.
IW ? E qual é o seu desafio neste sentido de desenvolver e alavancar o mercado por meio de insights e inovações provenientes dessas companhias?
SW ? Certamente, a adoção por parte do mercado. É um desafio e esforço gigantesco fazer com as pessoas adotem e implementem (novas soluções). As startups nos dão a oportunidade de ver com outros olhos o desenvolvimento de soluções dentro das nossas plataformas, direcionando novas formas de adoção com olhos regionais, em dores locais. Temos o trabalho de desenvolver a base sólida para tudo que essas companhias colocam para cima.
IW ? Você está há quase um ano no Brasil rodando o SAP Labs da América Latina, quanto você acredita que o brasileiro é empreendedor e inovador no desenvolvimento de novas tecnologias? Onde está esse empreendedorismo pensando nas tendências do mercado?
SW ? Sim, é muito criativo e empreendedor. Vou te dar dois exemplos. Quanto a Big Data, eu posso dizer que todo o mercado em torno do globo está pronto para isso, para analisar dados. Basta saber o que perguntar. Aqui no encontro, a maior parte entre as 10 companhias são nacionais e contam com soluções fantásticas de Big Data.
De forma geral, o brasileiro inova mais em termos de mobilidade. As pessoas têm certa afinidade ou preferência de trabalhar com smartphones por aqui. Temos mais dispositivos móveis que pessoas. E é onde o dinheiro está também no mercado nacional. Por aqui, vemos um crescimento muito forte e acelerado do consumo de aplicações para dispositivos móveis, e nesta área o brasileiro é muito empreendedor e inovador, pois a possibilidade de algo dar verdadeiramente certo é gigante, tendo em vista do número de usuários.
IW ? Você está à frente de um negócio que o objetivo fim é gerar a inovação sustentável, consumível. Como você define inovação?
SW ? Inovação pra mim é fazer tudo do ponto de vista do consumidor, para poder, assim, pensar até mais a frente, na próxima problemática. Pensando em software, (inovação) é o desenvolvimento de soluções e aplicações totalmente centrado no cliente. Inovação é fácil de usar, transparente para o cliente, e é sustentável, ou seja, precisa criar um impacto positivo para ter continuidade. Tem que melhorar a vida da pessoa, criar novos empregos, aumentar a experiência de uso?
IW ? E como é aplicar isso como presidente do SAP Labs, uma organização que também tem que entregar resultados?
SW ? Se pensarmos puramente em entregar resultados quando falamos de inovação, certamente não há o que inovar. Grades coisas são criadas com o objetivo de agradar e causar algo, e se assim se efetiva, cria-se um novo modelo de negócios. Pensando nas startups, por exemplo, só selecionaremos as realmente capazes de gerar negócios dentro da nossa perspectiva de mercado, mas não vamos falar para eles como fazer isso, e sim vamos deixar com que criem, desenvolvam e depois encaixamos. Pode soar controverso, mas funciona exatamente assim. Nosso portfólio é muito amplo, então sempre um novo recurso pode ser a chave para fazer algo decolar.
IW ? Quanto dinheiro você tem para investir em startups no Brasil?
SW ? Falar em dinheiro, quantificar, é complicado. Inicialmente, disponibilizamos equipes do Labs para trabalhar junto às startups. É um investimento de tempo de profissionais. Temos o bootcamp? São varias coisas. Quando se desenvolve e cria algo, e ele é aceito pela SAP, há o investimento da SAP Ventures (US$ 5 milhões a US$ 12 milhões). Meu papel é ajudar a desenvolver para que essas empresas cheguem a esse nível.
* O jornalista viajou a São Leopoldo a convite da SAP
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