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Perdigão: expansão movida a TI

Ademar Hisashi Hirosawa,
gerente de TI da Perdigão

Com um faturamento de R$ 2,8 bilhões, em 2001, a fabricante de alimentos Perdigão alcança uma participação de mercado de 39,1% nos pratos prontos e massas; 34,8% em congelados de carnes; e 26,0% com alimentos industrializados. Pela própria natureza das atividades, a companhia possui características peculiares de atuação no mercado. Desde a sua inauguração, mantém transações que envolvem todas as fases da oferta de produtos, agrupando as áreas de matéria-prima com a agropecuária (frangos e suínos), produção de alimentos, comercialização por canais próprios e distribuição.

A Tecnologia da Informação faz parte da história recente da corporação. “Teve início em 1996”, conta Ademar Hisashi Hirosawa, gerente de TI da companhia. “Antes, tratamos de organizar os processos internos.”

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O projeto de gestão corporativa foi concluído em dezembro de 1998. Com o SAP R/3, a Perdigão passou a contar com um sistema corporativo capaz de administrar as mais de 100 unidades da organização – incluindo 14 fábricas e 19 centros de distribuição – e cerca de 165 mil entregas mensais.

A solução trouxe maior transparência às transações realizadas, segundo o executivo de TI. Mas, logo, a concorrência de mercado, bem como a natural evolução tecnológica, impulsionaria a empresa para outras iniciativas. “O R/3 é transacional – controla compras, produção e vendas. Mas, superada esta fase, nosso desafio era garantir a utilização estratégica dos dados”, conta Hirosawa.

BI em cena

A rota traçada pela área de TI da Perdigão indicou, então, mais um produto SAP, o BW (Business Information Warehouse), para manter a homogeneidade do ambiente tecnológico. Só este projeto recebeu investimentos da ordem de US$ 300 mil, além de exigir a atualização do ERP para a versão 4.6.

O primeiro cubo implementado pela Perdigão foi o de “Rentabilidade”. O módulo, segundo Hirosawa, cruza informações como controle de vendas, volume de clientes e a performance de cada filial, viabilizando a identificação de informações importantes para todas as etapas da produção, por exemplo, o volume adquirido por cada cliente”, afirma.

Iniciada em 2001, a implementação do segundo cubo acumulou dados estratégicos da área agropecuária. Em seguida, a empresa deu início ao módulo de transporte e distribuição e, atualmente, mantém uma frota de 430 veículos para a distribuição diária de 1.900 toneladas de alimentos em todo o País.

Sucessivamente, o BI tem envolvido cada parte da malha corporativa da organização. Hirosawa afirma que a tendência é de que a sua aplicação aumente ainda mais, não apenas para ações atuais, como para novos projetos. “O próximo módulo, que já está em estudo, é o de Compras. Nós estamos verificando que tipos de relações e de informações iremos colocar neste cubo”, diz.

Tal qual as regras básicas da arquitetura, que exigem uma base sólida para receber qualquer infra-estrutura, a tecnologia também necessita de um alicerce que suporte não apenas aplicações atuais, mas também apresente flexibilidade para mudar e crescer.

Foi com vistas a este objetivo que a diretoria de TI da Perdigão decidiu atualizar o sistema de gestão, um projeto iniciado no final de 2001. Em maio deste ano, tudo já funcionava na versão 4.6 do R/3.

“Para que o BW pudesse responder às expectativas da companhia, foi preciso que a atualizar o ERP”, justifica Hirosawa ao dizer que a migração foi um processo tão complexo quanto a instalação de uma nova solução. “Não é um caminho muito simples. Contudo, já chegamos ao fim e hoje temos oito módulos do ERP em pleno funcionamento”, comemora.

A partir da renovação da base da gestão corporativa, o setor de TI pode voltar atenção ao objeto central das transações, o cliente. A Perdigão tem mobilizado a equipe de tecnologia, departamentos e consultoria especializada para embarcar no universo do CRM (Customer Relationship Management).

Saudações

Hirosawa ressalta que, somente após a atualização do ERP, a Perdigão pôde pensar no aprimoramento de seu atendimento ao cliente, através do conceito e das tecnologias voltadas aos diversos tipos de consumidores da organização. “Agora temos um alicerce para colocar os projetos em prática. E isso não se limita apenas à implementação do CRM. Futuramente, haverá a inserção de novas tecnologias de controle logístico, como o SCM (Supply Chain Management),” salienta.

O projeto destinado à melhoria do relacionamento com clientes teve início em julho desse ano. Por envolver questões de gestão de mudanças e fatores comportamentais, Hirosawa diz que um estudo aprofundado foi elaborado antes da própria aquisição do produto. “A complexidade do CRM vai muito além da tecnologia.”

O projeto segue à risca o calendário de atividades, tendo a primeira fase em andamento. Atenção especial foi dada à linha de frente de contato da empresa, reunindo benefícios destinados à toda cadeia de valor contemplada pela organização.

“Tratamos de aplicar o CRM nos serviços de atendimento à comunidade que se relaciona diretamente com a Perdigão. Ali, temos serviços e produtos voltados a diversos públicos, passando pelo consumidor final, até nossos escritórios, fábricas e centros de distribuição. Com isso, estamos atingindo nossa primeira meta, que era dar uma turbinada em nosso SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) via telefone.”

Para que tudo ocorra com a maior naturalidade possível, tanto no plano tecnológico como no aspecto cultural dos profissionais envolvidos, Hirosawa afirma que o conceito está sendo difundido aos poucos. “Estamos em operação para que este projeto tenha a sua primeira fase concluída até novembro”, projeta.
O prazo está diretamente relacionado à construção de novos cubos da solução de business intelligence. Segundo Hirosawa, as aplicações do BI também alcançarão as funcionalidades da solução de gestão do relacionamento com clientes.

“É um processo de integração total e nós não esquecemos do BI. Ele é parte fundamental para que o CRM atinja seus objetivos. Com estas duas soluções sincronizadas, teremos a força do BW agindo dentro do CRM, o que nos dará um ganho muito mais interessante”, assinala.

Desafios

No comando de uma equipe de tecnologia com 58 profissionais, o diretor de TI não demonstra abatimento frente às complicações momentâneas da economia nacional e renova seu entusiasmo frente aos desafios tecnológicos que a Perdigão venha a implementar.

De fato, o executivo demonstra que as novidades dentro da empresa não param. Para 2003, Hirosawa afirma que a meta deve ser a implementação de uma solução para a cadeia de suprimentos. Segundo ele, o processo para a escolha de uma solução tecnológica já está em curso. “Temos uma equipe especialmente designada para verificar qual a melhor maneira e o que será implementado das soluções de Supply Chain Management”, revela.

Até março de 2003, a companhia já terá definida a sua estratégia para SCM. Embora já possua uma metodologia consolidada em suas transações, Hirosawa aponta que existem aprimoramentos a serem feitos, o que irá resultar em agilidade de processos e economia.

“Temos uma rede muito complexa, com processos individualizados. De alguma maneira, a implementação da versão 4.6 ajudou na melhora dessas transações. Mas o que de fato precisamos é de uma solução mais inteligente, capaz de agregar melhores resultados.”

Somente com o apoio do 4.6, o diretor aponta que os ganhos da logística têm registrado alta. “Um de nossos exemplos é a fábrica do Rio Verde, no distrito de Goiânia, que já está operando com mais de 90% de sua capacidade projetada”. Lançada em 1996, a filial é considerada um dos maiores complexos industriais da América Latina, sendo responsável pela geração de mais de 13 mil postos de trabalho (diretos e indiretos) e produção superior a 200 mil toneladas de alimentos por ano.

PERDIGÃO
Perdigão Agroindustrial Ltda.
Número de unidades produtivas e escritórios
100

Parque instalado de software
ERP: SAP 4.6; BW, CRM, recursos humanos: Peoplesoft; software de automação
escritório: Windows 2000 com aplicativos Office; Hardware de
Banco de dados: EMC; Sistema operacional: Oracle

Parque instalado de hardware
9 servidores HP Risc (Unix); 1.200 desktops entre Dell,
HP e IBM.

Rede de comunicação
Embratel (via satélite e fibra óptica)

|Computerworld – Edição 374 – 16/10/2002|

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Redação
24 anos ago

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