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IBM aposta em agentes, dados e nuvem híbrida para levar a IA do piloto ao coração dos negócios

IBM Think 2026. Foto: Déborah Oliveira

Depois de abrir o IBM Think 2026, que acontece de 4 a 6 de maio nos Estados Unidos*, com uma provocação sobre o “dia zero” da inteligência artificial (IA), Arvind Krishna, CEO da big blue, usou o palco para apresentar o que considera o próximo passo dessa transformação: um novo modelo operacional para a IA.

Para o CEO da IBM, o desafio das empresas não é mais acesso à tecnologia, mas a dificuldade de operar IA de forma integrada, no coração dos negócios. “O que impede a IA de gerar valor são dados fragmentados, infraestrutura desconectada e a ausência de um modelo operacional coerente”, sinalizou.

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É essa lacuna que a companhia quer endereçar com um conjunto de lançamentos que, mais do que tecnologias isoladas, formam um sistema, de acordo com o executivo. A IBM chama esse movimento de AI Operating Model, arquitetura baseada em quatro camadas integradas: dados, agentes, automação e infraestrutura híbrida. No centro dessa estratégia está a aposta em IA agêntica, indo além da criação de agentes, mas orquestrando-os em escala.

Por trás dos anúncios, há uma lógica que a IBM vem reforçando ao longo do evento. Para a companhia, o futuro da tecnologia corporativa se organiza a partir de três vetores complementares: a construção de empresas AI-first, em que a IA deixa de ser camada adicional e passa a integrar o modelo operacional; a consolidação de uma arquitetura de nuvem híbrida, capaz de conectar dados e aplicações distribuídas entre múltiplos ambientes; e o avanço na fronteira da computação quântica, vista como o próximo salto de capacidade para resolver problemas ainda inacessíveis. “Nosso papel é encontrar o cliente no dia zero e ajudá-lo a evoluir a partir da infraestrutura que ele já tem”, afirmou Krishna.

Entre as novidades, a IBM apresentou o watsonx Orchestrate, uma espécie de “plano de controle” para coordenar e governar agentes de diferentes origens na empresa. A proposta é resolver um o desafio de orquestrar agentes à medida que times os criam de forma isolada em seus departamentos. “Quando se escala de dezenas para milhares de agentes, o desafio muda. É controlar, auditar e garantir consistência”, indicou Krishna.

Bob: de assistente a membro do time

Batizado de IBM Bob, o agente de desenvolvimento da companhia não foi anunciado como um copiloto, mas como um membro do time. Hoje, mais de 80 mil desenvolvedores da própria IBM já utilizam a ferramenta, com ganhos médios de produtividade de 45%. Samia Kashif, responsável por times de desenvolvimento da IBM, descreveu que o Bob não é um gerador de códigos. “Ele participa de todas as fases do desenvolvimento descoberta, planejamento, testes, segurança e documentação”, detalhou.

Segundo ela, ao atuar como product owner em fases iniciais, o agente transforma ideias em planos estruturados, reduzindo semanas de debate e acelerando o início dos projetos. “Antes, consumíamos mais tempo discutindo processos do que construindo produtos. Agora a lógica mudou completamente”, afirmou.

Infraestrutura é ponto crítico na nova era

Na nova era dos agentes, um ponto sensível e crítico para as empresas passa a ser a infraestrutura. Krishna foi direto ao afirmar que boa parte das iniciativas de IA falha não por causa dos modelos, mas pela base que sustenta esses sistemas.
Dados distribuídos entre múltiplos ambientes, nuvem pública, privada, borda e sistemas legados, dificultam a criação de aplicações realmente integradas. É nesse contexto que entra o segundo eixo dos anúncios: dados e arquitetura.

A companhia reforçou sua estratégia com a integração entre Confluent, Kafka e watsonx.data, criando uma camada de dados em tempo real preparada para sistemas agênticos.

Ainda nessa frente, o CEO comunicou avanços em processamento de dados com aceleração por unidade de processamento gráfico (GPU), em parceria com Nvidia, para reduzir custo e tempo de análise em larga escala. O objetivo é tornar os dados não apenas disponíveis, mas utilizáveis em tempo real por sistemas de IA.

Soberania e automação

O terceiro pilar dos anúncios aponta para uma preocupação que vem ganhando espaço, especialmente em ambientes regulados: soberania. Com o lançamento do IBM Sovereign Core, a empresa propõe um modelo em que políticas de governança são embutidas diretamente na infraestrutura, garantindo que regras continuem sendo aplicadas mesmo com mudanças regulatórias ou geopolíticas.

“IA está sendo aplicada nos ambientes mais sensíveis das empresas. Governança não pode ser uma configuração opcional”, afirmou Krishna. A solução nasce com parceiros como Dell, AMD e Mistral, reforçando a estratégia da IBM de operar em um ecossistema aberto, outro ponto enfatizado ao longo do evento.

Fechando o pacote, a IBM apresentou o Concert, plataforma de operações baseada em IA, agora em preview público. A proposta é substituir o modelo atual, baseado em múltiplas ferramentas desconectadas e intervenção humana, por um sistema capaz de interpretar sinais de toda a infraestrutura e coordenar respostas de forma automatizada. “Não dá mais para operar sistemas cada vez mais complexos com ferramentas que nunca foram desenhadas para trabalhar juntas”, finalizou o executivo.

*A jornalista viajou a convite da IBM

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Deborah Oliveira
Tags: IAIBMIBM Think 2026
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