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A IA silenciosa: startup usa tecnologia para prevenir incêndios florestais

Fundadores da Quíron. Imagem: divulgação.

“Quando nada acontece, parece que a nossa solução não foi funcionou, mas, na verdade, nós estamos salvando a floresta”. É com esta declaração que o CEO e co-fundador da Quíron, Gil Pletsch, começa a falar de um dos maiores desafios que a startup enfrenta na captação de clientes: a falta de cultura de prevenção. A empresa foi criada em 2018 com foco na predição dos riscos de incêndios florestais.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF), atualmente o Brasil possui 58,5% do seu território coberto por florestas, entre vegetação nativa e áreas de plantio comercial. Com tanta área verde, a necessidade de pensar não só na detecção, mas na prevenção dos incêndios, se torna latente.

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Só no ano passado foram 278.299 focos de incêndio – dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com a elevação da temperatura média global do planeta ultrapassando a marca de 1.5°C, a expectativa é de que esse número cresça. Justamente por isso, Pletsch afirma que uma grande parte do trabalho deles é a educação dos clientes.

“Uma das coisas que sempre trabalhamos é o que fazer com esses dados, porque nós temos as informações e as entregamos, mas a ação para prevenir depende deles.” O ensino e conscientização não é apenas essencial, mas faz parte das bases de fundação da startup, que nasceu da vontade de transformar conhecimento acadêmico em produto para o mercado.

A empresa surgiu e se localiza em Lages, Santa Catarina, onde também se encontra o centro de inovação do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Foi lá que Pletsch, administrador e ex-produtor rural, conheceu Marcos Schimalski, doutor em ciências geodésicas e um dos co-fundadores e CRO da Quíron. O acadêmico desenvolvia, no campus universitário, pesquisas sobre sensoriamento remoto e a ideia chamou a atenção de Gil.

“Queríamos transformar esse conhecimento em produto para o mercado e então começamos a nos perguntar ‘Quais são os problemas das florestas, de maneira geral?’ e foi então que a Quíron nasceu”, conta o CEO.

Depois de formada a ideia, Pletsch e Schimalski se uniram também a Leonardo Hampel, engenheiro de software e hoje, CTO, e Diogo Machado, administrador que atua como CMO da startup. Juntos, eles aplicaram para o programa do Governo, Sinapse da Inovação, e passaram três anos em um modo operacional, desenvolvendo os produtos hoje comercializados.

A primeira rodada de investimentos aconteceu em 2021 e desde então a empresa tem usado a tecnologia para fornecer soluções com aplicação florestal. Para fazer isso, a Quíron utiliza uma base de dados sobre o relevo, a vegetação e o tipo de floresta (comercial ou nativa) de cada cliente. Além disso, informações sobre fatores meteorológicos, estresse hídrico da vegetação e a influência humana – como festividades, descarte de lixo e proximidade de rodovias – de até um ano antes, são adicionadas ao sistema.

Com todos os dados captados, os engenheiros utilizam LLM e deep learning para calibrar o algoritmo criado com inteligência artificial. A partir daí, o sistema consegue predizer focos de incêndio com as informações do momento recebidas de satélites. De acordo com Pletsch, com o relatório gerado é possível alertar o cliente até 15 dias antes de algum incidente acontecer. A empresa também utiliza o software para serviços de produtividade florestal e inteligência de mercado, auxiliando na análise para expansão e compra de novos terrenos.

Leia também: IA e gestão integrada combatem incêndios no Pantanal

Atualmente, os esforços para combater incêndios acontecem, em sua maioria, a partir da detecção. O fato de essa ser a única solução, de acordo com o CEO da Quíron, encarece e torna mais demorada a contenção de incidentes.

“Quando você detecta, o incêndio já está acontecendo. E se via satélite, a informação demora para chegar, com câmeras a gente tem um custo de instalação muito alto. Por isso que o nosso maior resultado é quando acontecem zero incêndios”, diz.

Ainda segundo o executivo, a solução da Quíron possui uma acuracidade de 92% em prever focos de fogo. A startup tem avançado e crescido em um ritmo consistente no mercado, atuando no Brasil, Chile e em Portugal. A maior parte de seus clientes são de iniciativa privada, de papel e celulose, mas também busca trabalhar com iniciativa pública.

“Aqui no Brasil nós estamos tentando fazer negócio com o governo, mas tem a barreira da educação. Às vezes precisa acontecer algo muito ruim para perceberem a necessidade do investimento.” afirma “Mas no Peru, já estamos trabalhando em um projeto para ver os incêndios numa perspectiva de inteligência territorial.” completa.

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Published by
Isabella Winckler
Tags: ESGgestão de dadosinteligência artificialLLMpreservação da florestastartups
1 ano ago

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