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IA é vista com otimismo por setor de saúde do Brasil, apesar dos desafios

Imagem: Shutterstock

O Brasil está em estágio inicial de desenvolvimento e implementação de ferramentas de inteligência artificial na saúde, mas existe otimismo com relação ao potencial da tecnologia. A conclusão é de um estudo lançado na semana passada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A pesquisa, chamada Inteligência Artificial na saúde: diagnóstico qualitativo sobre o cenário brasileiro foi conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e buscou fazer um mapeamento das ideias, preocupações e expectativas sobre o tema.

O estudo entrevistou gestores e especialistas da academia e de centros de pesquisa, do poder público, de empresas e estabelecimentos de saúde (públicos e privados), além de profissionais de saúde que usam essas tecnologias no atendimento a pacientes. Também coletou informações sobre iniciativas e práticas em andamento em diferentes segmentos da saúde, e opiniões sobre gestão de dados, segurança da informação, ética, regulação, entre outros temas relevantes para essa discussão.

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“Identificamos que há um intenso debate sobre a IA no campo da saúde no Brasil, e que o ecossistema desfruta de muito otimismo em relação aos benefícios potenciais dessa tecnologia”, diz em comunicado Graziela Castello, coordenadora de estudos setoriais no Cetic.br e responsável pela pesquisa.

Os principais avanços citados pelos entrevistados incluem o uso da IA para melhorar processos de assistência médica e gestão, com ênfase na ampliação da eficiência e na redução de custos. “Apesar do entusiasmo, o entendimento geral é que o País está apenas engatinhando nessa jornada”, completa.

Oportunidades da IA

Os entrevistados destacaram três eixos principais de oportunidades: melhorias para pacientes, profissionais de saúde e prestadores de serviços.

Para os pacientes, a inteligência artificial pode ampliar o acesso aos serviços de saúde e melhorar a precisão diagnóstica. Já para os profissionais de saúde, essa tecnologia é capaz de reduzir processos burocráticos, otimizar o tempo gasto em tarefas administrativas e oferecer apoio na tomada de decisões clínicas, promovendo diagnósticos mais rápidos e precisos.

Em relação aos prestadores de serviços de saúde, as ferramentas de IA podem trazer, tanto no setor público quanto no privado, eficiência operacional, otimização de recursos e melhoria nos processos de gestão, logística e atendimento.

Ainda segundo a pesquisa, esse potencial também pode servir para o enfretamento das desigualdades na oferta de saúde, “ampliando acesso aos serviços e reduzindo o impacto da escassez de recursos em regiões mais desfavorecidas do país”, diz a coordenadora.

SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi apontado como o grande diferencial brasileiro em relação à obtenção de dados. Isso graças ao volume e diversidade para o desenvolvimento de algoritmos e aplicações robustas e confiáveis.

“É muito forte a percepção de que há um grande potencial de uso da IA no sistema público de saúde brasileiro graças ao SUS e às suas bases de dados de abrangência nacional. Os dados coletados pelo SUS são de enorme valor, considerando a capilaridade e a escala do sistema, e a diversidade da população brasileira”, diz a pesquisa.

Os entrevistados avaliaram ainda que a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma de interoperabilidade em saúde do governo federal, tem um grande potencial em promover a troca de informações e criar um ambiente propício para o desenvolvimento e aplicação da IA no setor. A condição fundamental para que isso aconteça, conforme os atores ouvidos, é que os dados sejam de qualidade, e não apenas em grande volume.

Mas entre os desafios apontados estão a falta de uma estratégia nacional organizada e centralizada para incentivar a IA na saúde, questões regulatórias e deficiências na qualidade e na integração de dados, que são o principal insumo das tecnologias de IA. A evolução da IA na saúde brasileira é percebida como desigual, com o setor privado liderando o movimento.

Casos em andamento

O estudo também investigou práticas e usos de IA em saúde já em andamento nos quatro segmentos analisados: academia, equipamentos de saúde, poder público e mercado. De maneira geral, as iniciativas visam a otimizar processos de gestão e aprimorar a qualidade do cuidado.

Cada esfera tem seus focos específicos: na academia, destaca-se o desenvolvimento de algoritmos com ênfase na diversidade populacional brasileira e na correção de vieses algorítmicos. No mercado, há um foco na IA generativa para criar produtos variados, como chatbots para atendimento ao paciente, além de ferramentas para otimizar diagnósticos por imagens.

No poder público, a digitalização e a interoperabilidade de dados estão no centro. Já nos equipamentos de saúde, há uma ênfase em projetos diversos para assistência ao diagnóstico e à gestão.

O estudo pode ser lido na íntegra nesse link.

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Published by
Redação
Tags: IAinteligência artificialNIC.brsaúdeSUS
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