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Em 2025, o capital de risco global passou por uma transformação sem precedentes: 61% de todo o dinheiro investido em startups ao redor do mundo foi direcionado a empresas de inteligência artificial, fatia de US$ 258,7 bilhões de um total de US$ 427,1 bilhões, segundo análise da OCDE. O número impressiona ainda mais quando comparado a 2022, quando a IA respondia por apenas 30% dos aportes globais.
Em três anos, a participação dobrou. Para Igor Mazaki, CEO da Plug and Play Brazil e especialista em inovação aberta, esse movimento sinaliza uma mudança estrutural do papel da IA na economia digital. “Os valores mostram um deslocamento claro de capital para uma infraestrutura tecnológica que passou a ser transversal a todos os setores.”
Se há um segmento que concentra os maiores volumes, é o de infraestrutura. Empresas focadas em TI e hospedagem para IA atraíram US$ 109,3 bilhões apenas em 2025. Data centers, poder computacional e redes de armazenamento tornaram-se, na prática, os alicerces estratégicos sobre os quais toda a cadeia de IA é construída.
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Mazaki alerta, no entanto, para os riscos desse movimento: “O ecossistema mais saudável será aquele em que a concentração da base computacional convive com uma camada superior altamente fragmentada de aplicações. O risco não é a concentração em si, mas a dificuldade de novos entrantes acessarem poder computacional de forma competitiva.”
A distribuição do valor na cadeia de IA hoje ocorre em três camadas: infraestrutura, modelos fundacionais e aplicações. O capital, atualmente, migra com força para as duas primeiras. Mas Mazaki aponta que a captura econômica de longo prazo tende a se consolidar nas aplicações verticalizadas: aquelas profundamente integradas a setores específicos como saúde, indústria, serviços financeiros e agronegócio.
O executivo também identifica dois erros recorrentes no mercado: a superestimação da diferenciação sustentável de modelos isolados — cuja tendência, segundo ele, é de progressiva commoditização — e a subestimação de empresas que integram IA em fluxos operacionais reais. “A vantagem competitiva não estará apenas em quem treina o modelo, mas em quem redefine processos inteiros com ele.”
No cenário global, o Brasil ocupa uma posição peculiar. Não é um polo relevante de infraestrutura de IA, mas possui ativos que poucos países têm, como a diversidade de dados, mercados complexos e pouco digitalizados, e capacidade demonstrada de adoção rápida em certas indústrias. Para Mazaki, a maior oportunidade brasileira está em aplicações adaptadas à realidade local e em modelos treinados com dados locais e contextualmente sensíveis, ainda pouco explorados globalmente.
O erro mais comum dos investidores, na avaliação de Mazaki, é tratar IA como uma tese homogênea. “Muitos ainda buscam ‘o próximo modelo fundacional’, quando a maior parte da criação de valor já está migrando para a camada de aplicação e integração”, afirma.
A tese mais subestimada do momento é o que ele chama de “IA invisível”: sistemas onde a inteligência artificial não aparece como produto, mas como infraestrutura embutida em processos críticos de negócio — automação de decisões, orquestração de operações, reconfiguração de cadeias produtivas inteiras.
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