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“O hype está apenas começando”, afirma presidente da Cisco sobre a IA

Rodney Clark, vice-presidente sênior de Parcerias e de Pequenas e Médias Empresas da Cisco e Ricardo Mucci, presidente da Cisco do Brasil, durante coletiva de imprensa no Cisco CIO Engage (Imagem: divulgação Cisco)

Uma nova visão de tecnologia, as interações dos seres humanos com essas inovações e a capacidade energética do mundo para sustentá-las. Diante de parceiros e jornalistas no Cisco CIO Engage, realizado em São Paulo nesta semana, Ricardo Mucci, presidente da Cisco no Brasil, expôs esses e outros desafios enfrentados por clientes e pela própria empresa diante da transformação digital vivida globalmente.

A responsável por tudo isso? A inteligência artificial (IA). “O que antes era uma visão tecnológica padronizada, determinística, evoluiu para agentes com capacidade de interação entre si, a ponto de termos uma cadeia de produção totalmente construída sem a intervenção humana.”

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Segundo um levantamento realizado pela Cisco, 97% dos CIOs de organizações globais relataram urgência na implantação de tecnologias baseadas em IA. No entanto, apenas 14% afirmaram estar plenamente preparados para a adoção da inteligência artificial. De acordo com Mucci, isso ocorre porque, embora a IA seja o centro das novas decisões tecnológicas, ainda não foi criada uma base centralizada que ofereça suporte à sua existência.

“Se você não constrói uma estrutura funcional, com uma visão de organização de dados, inspeção e validação de modelos, a IA se torna inútil. Mas essa não é uma tarefa trivial. A aplicação de IA em uma estrutura mais ampla e complexa é algo totalmente desconhecido, especialmente quando falamos em governança”, afirmou Mucci.

Ainda conforme o estudo, 73% das empresas afirmam que a integração entre rede e IA é insuficiente, e 82% ainda lidam com dados fragmentados. Sendo a inteligência artificial uma ferramenta que depende de informações estruturadas, o cenário apresentado é preocupante – e agravado pela pressão que os líderes enfrentam para adotar essa tecnologia. Atualmente, 85% dos executivos declararam ter menos de 18 meses para incorporar a IA em suas operações, o que expõe riscos às suas infraestruturas.

Leia mais: Sebrae: Nordeste ultrapassa o Sul e se torna 2ª região brasileira em volume de startups

Com a corrida pela adoção da IA ganhando força, a previsão da Cisco é de que o hype esteja apenas começando. Se o mundo levou os últimos cinco anos para desenvolver 350 mil modelos de inteligência artificial generativa, a expectativa da empresa é que, em apenas seis meses, sejam construídos mais 300 mil, impulsionados por tecnologias que avançam de forma exponencial. E, se as organizações pretendem criar novos modelos, a Cisco planeja oferecer o que chama de “fábricas de IA com segurança”, para fornecer o suporte necessário a essas inteligências artificiais.

Sobre o que é, realmente, a parceria com a Nvidia

As novas “fábricas” anunciadas não foram desenvolvidas de forma isolada. Além de aquisições realizadas ao longo do último ano, desde fevereiro de 2024, a Cisco mantém uma parceria com a Nvidia. Essa colaboração acaba de alcançar um novo patamar, com o desenvolvimento de equipamentos que integram software e hardware projetados para criar, proteger e escalar o uso da inteligência artificial. De acordo com Ricardo Mucci, a proposta da parceria é permitir que o cliente adquira toda a arquitetura necessária por meio de um único fornecedor.

“A Cisco é a única empresa do mundo, na área de tecnologia, que fabrica seu próprio silicon, e é esse produto que a Nvidia passará a utilizar em sua estrutura de rede. Ao mesmo tempo, estamos desenvolvendo um sistema operacional, o Cisco S, para rodar no Spectrum X deles.”

O objetivo é garantir a segurança da IA de ponta a ponta, com uma nova abordagem de framework e uma plataforma preparada para oferecer visibilidade na gestão dos modelos.

“Até então, trabalhávamos muito bem com o que chamávamos de segurança perimetral, ou seja, firewalls de proteção e toda a parte relacionada aos endpoints. Mas agora avançamos também na construção do que denominamos Security AI, que é justamente essa plataforma de segurança voltada para a gestão de modelos viáveis”, explicou Mucci durante uma coletiva de imprensa.

Um passo à frente

Apesar das discussões em torno da inteligência artificial, a Cisco já vem se preparando para o futuro. Durante sua apresentação no evento, Ricardo Mucci, presidente da Cisco Brasil, falou sobre os investimentos da companhia em tecnologia anti-quântica, que ele prevê ser a próxima grande oportunidade — e também uma potencial ameaça.

“Nós temos um laboratório em operação, em cooperação com o governo dos Estados Unidos, onde construímos todo esse sistema de proteção. Sabe-se que, com a computação quântica, a criptografia passa a ser algo extremamente simples de ser quebrado. É uma tecnologia capaz de decifrar códigos em segundos. Então, como proteger tudo isso e desenvolver novos algoritmos de segurança dentro da sua arquitetura?”, questionou.

Mais tarde, durante a coletiva, o executivo revelou que a empresa tem mantido diálogo com o governo brasileiro sobre uma possível parceria para troca de informações relacionadas a soluções de proteção anti-quântica, entre elas, os algoritmos desenvolvidos no laboratório de inovação da Cisco, em Barcelona.

“A computação quântica é uma realidade, ainda que, por enquanto, esteja restrita ao ambiente laboratorial. Já temos esses algoritmos implementados em equipamentos de rede da Cisco, de forma que nenhuma tecnologia quântica invasiva consiga acessá-los. E, agora, estamos conversando com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) sobre uma cooperação entre o governo brasileiro e nossa equipe de Barcelona.”

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Isabella Winckler
Tags: chipsCIOsCiscocomputação quânticadata centerIAinteligência artificialNvidiatransformação digital
1 ano ago

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