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Hackeando os hackers

“Hackeando os supermercados” é uma excelente provocação para todos aqueles que se dedicam a pensar no futuro do varejo. Ele nos remete às várias tecnologias que estão revolucionando o setor supermercadista, tanto na gestão como na geração de bons negócios. Nos traz a sensação de que, a cada dia que passa, os supermercados exercem maior domínio sobre o ato de comprar.

Acompanhamento individual dos hábitos de compra, gestão de ofertas e promoções customizadas, monitoramento dos níveis de satisfação em tempo real… O cliente não tem escapatória! Ao pôr os pés no supermercado, todas as informações disponíveis sobre ele serão usadas, em benefício dele próprio, para que sua experiência de compra seja a melhor possível. Voltará, fisgado pela qualidade do atendimento.

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Mas há um porém: a expansão do varejo não passa somente pelo ato de comprar, mas também pelo ato de consumir! E nessa praia, quem tem pleno domínio é o próprio consumidor! É justamente aí que orgânicos encontram espaço para atuar. E não é pouco espaço, não! No Brasil, o segmento dos orgânicos cresce cerca de 20% ao ano. É um dos que têm grande potencial para movimentar o varejo nos próximos anos.

A cada ano, os orgânicos conquistam novos consumidores, especialmente entre o público jovem e urbano, com grande poder aquisitivo e notável consciência ambiental. Gente disposta a se engajar nas causas do bem, ligadas à produção orgânica e à agroecologia, como a preservação do meio ambiente, o alcance social das atividades no campo e a garantia da saúde dos consumidores e dos próprios trabalhadores.

É claro que o consumidor orgânico também pode ser monitorado com a ajuda das novas ferramentas tecnológicas. Dentro do supermercado, os algoritmos que analisam a imensidão de informações disponíveis no ‘big data’, podem apontar os produtos, horários, dias da semana e preferências individuais, ajudando nas tomadas de decisões operacionais e estratégicas. Mas não podem fazer o “corpo a corpo” institucional, para que o consumidor perceba que está num estabelecimento engajado nas mesmas causas nas quais ele acredita.

Nas redes sociais e nas plataformas de compartilhamento de textos e imagens, as oportunidades promocionais e as facilidades comerciais também conseguem arrebatar os consumidores orgânicos. Mas estabelecer relacionamentos sólidos com consumidores conscientes e engajados, exige legítima afinidade e muita autenticidade. Coisas que não se consegue somente com “likes” e posts engraçadinhos. É preciso falar dos orgânico com credibilidade!

Os orgânicos também representam terreno fértil para o desenvolvimento de aplicativos, explorando um dos seus principais diferenciais: a rastreabilidade. Usar o celular para focalizar um ‘QR Code’ e descobrir tudo sobre um determinado produto, é uma vantagem. Mas resgatar a história de vida que há por traz de qualquer empreendimento orgânico é fortalecer vínculos que, embora não fiquem registrados nas planilhas, são indeléveis na mente do consumidor consciente.

A inteligência artificial (IA)também consegue medir a curva de satisfação no sorriso do consumidor orgânico, enquanto ele percorre suas gôndolas preferidas, ajustando os tempos e os modos de exposição de cada produto. Mas não consegue dar respostas emocionais consistentes àqueles que pensam no legado de sustentabilidade que deixarão para as próximas gerações, e não somente naquilo que irão consumir logo mais à noite.

É claro que a modernização do setor supermercadista, por meio das modernas ferramentas digitais, já está em andamento. E segue um caminho sem volta. Mas podemos usar estas mesmas palavras para nos referir à expansão do setor de orgânicos nas grandes redes de auto-serviço. Também segue um caminho sem volta!

O consumidor consciente hoje assiste com bons olhos à invasão crescente dos orgânicos processados nas gôndolas dos supermercados. Mas ele espera o próximo movimento, que se dará no âmbito do FLV orgânico. Este é o grande desafio. O setor supermercadista terá que cuidar localmente das questões operacionais e logísticas. Mas, principalmente, precisará atuar no desenvolvimento de fornecedores e na consolidação de boas parcerias comerciais e institucionais.

Os produtores orgânicos, por sua vez, terão que investir na profissionalização da gestão, para assegurar qualidade, regularidade e volumes compatíveis. Mas, principalmente, terão que assumir uma postura de autênticos parceiros comercias, reconhecendo seu papel e suas responsabilidades dentro da cadeia de fornecimento do varejo.

Os orgânicos têm alto valor agregado e são produzidos a partir de uma cosmovisão orgânica e sustentável, compartilhada com o consumidor consciente. E estão em movimento, como poderão constatar os visitantes da APAS Show 2019!

*Cobi Cruz é diretor do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (ORGANIS)

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Redator
Tags: cibersegurançasustentabilidadevarejo
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