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A escalada do conflito envolvendo o Irã já começa a produzir efeitos diretos na indústria global de tecnologia. A cadeia de suprimentos de placas de circuito impresso (PCBs), base de praticamente todos os dispositivos eletrônicos, enfrenta disrupções relevantes, com impacto imediato nos custos de produção e pressão adicional sobre fabricantes.
Segundo apuração da Reuters, ataques a instalações petroquímicas na Arábia Saudita interromperam a produção de materiais essenciais, criando um efeito cascata em toda a cadeia.
O principal impacto vem da paralisação da produção de resinas de alta pureza utilizadas na fabricação de laminados para PCBs. O complexo de Jubail, um dos principais polos petroquímicos globais, teve operações interrompidas após ataques no início de abril, afetando diretamente a oferta desse insumo estratégico.
A escassez de matérias-primas já se reflete nos preços. Apenas em abril, os custos das placas de circuito chegaram a subir até 40% em comparação com o mês anterior, impulsionados tanto pela limitação de oferta quanto pela crescente demanda por servidores de inteligência artificial.
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Esse movimento amplia um cenário que já vinha pressionado. Fabricantes de eletrônicos enfrentam simultaneamente alta nos preços de chips de memória e agora precisam lidar com insumos mais caros e escassos para a produção de hardware.
Além das resinas, outros materiais essenciais também registram elevação significativa. O cobre, por exemplo, acumula alta de até 30% no ano e representa cerca de 60% do custo total de produção de uma PCB, tornando-se um dos principais vetores de pressão financeira para o setor.
A demanda crescente por infraestrutura de IA agrava ainda mais o desequilíbrio entre oferta e procura. A expansão de data centers e servidores especializados exige placas mais complexas e de maior valor agregado, o que amplia o consumo de materiais e acelera o aumento de preços.
Empresas do setor já iniciaram negociações com clientes para repassar parte desses custos. Em alguns casos, prazos de entrega de insumos químicos saltaram de poucas semanas para mais de três meses, evidenciando o nível de estresse na cadeia de suprimentos.
Mesmo diante dos aumentos, grandes provedores de nuvem tendem a absorver parte dos custos adicionais, apostando que a demanda por capacidade computacional continuará superando a oferta nos próximos anos.
A indústria global de PCBs, estimada em quase US$ 100 bilhões em 2026, deve seguir crescendo, impulsionada principalmente por aplicações em inteligência artificial. No entanto, o cenário atual indica que esse crescimento virá acompanhado de maior volatilidade de custos e desafios operacionais.
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