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Grow, do setor de patinetes, pede recuperação judicial

Na última quarta-feira (29), a companhia de micromobilidade Grow (fusão entre Yellow e Grin) entrou na justiça com um pedido de recuperação judicial, por conta das perdas realizadas no último ano e impossibilidade de arcar com os custos já que a crise causada pela pandemia atingiu em cheio seus negócios, que já passavam por obstáculos como regulação e aumento da concorrência. 

“A recuperação judicial é um passo fundamental para viabilizar a superação da crise econômico-financeira e permitir a retomada das atividades. Com ela, as startups terão fôlego suficiente para buscar a reestruturação e a continuidade de suas atividades”, escreveu a empresa em nota. 

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De acordo com o portal Exame, que teve acesso à lista de credores da marca, as dívidas somam R$ 38 milhões, sendo que R$ 8 milhões são direitos trabalhistas não pagos e passivos de ambas as companhias e o restante em dívidas de terceiros, sendo o maior credor a fabricante de bicicletas Caloi Norte, com R$ 15,4 milhões a receber. 

O processo tramita na 1ª vara de falências do estado de São Paulo e está com o juiz Tiago Limongi, que analisará o documento e decidirá se aprova ou não o pedido de recuperação judicial. Caso a solicitação seja aceita, as empresas terão até 60 dias para apresentar um plano aos credores. 

Linha do tempo

A Grow surgiu em janeiro de 2019 após a fusão entre Yellow e Grin, que praticamente dominavam o mercado de patinetes elétricos na América Latina, já que as empresas americanas ainda operavam localmente a Rappi (que também possui patinetes) não havia expandido sua operação. Porém, boatos do mercado informavam uma convivência muito acirrada entre os sócios de ambos os negócios.  

Em julho, a americana Lime iniciou operação no eixo Rio – São Paulo e, na esteira do negócio, outras empresas americanas já estavam abrindo solicitações junto à Prefeitura para iniciar os negócios entre o início de 2019 e começo de 2020. 

Em paralelo, questões externas como a crise vivida pela WeWork fez com que muitos investidores segurassem capital e exigissem planos de retornos mais concretos das empresas, fazendo com que o mercado de patinetes, que nunca foi rentável tivesse dificuldade sem captar novos investimentos. 

Questões regulatórias, o alto custo de uso do produto (que, no caso do patinete, cobrava uma taxa de R$ 3 para desbloqueio e R$ 0,50 por minuto de uso) e os custos de manutenção e renovação dos patinetes e bicicletas também se apresentaram como fatores do negócio que eram difíceis de contornar. 

O resultado foi que, no ínicio do ano, tanto a Lime retirou sua operação do Brasil como a própria Grow reduziu drasticamente sua atuação, conservando apenas os patinetes e se limitando a atuar em três cidades, ante as 14 nas quais operava. A Uber, que trouxe ao país sua divisão de patinetes no início de março, também sofreu com o momento e cancelou a iniciativa em julho. 

Tentativas

No início de março, a empresa anunciou a demissão de metade dos colaboradores que atuavam no país e a venda da operação para o grupo mexicano Mountain Nazca – mais tarde, esclareceu-se que na verdade a aquisição foi realizada de forma privada por Felipe Henríquez Meyer, que era responsável pela operação do fundo no Chile, e não integra o portfólio da empresa. 

Em abril, o negócio também lançou um plano de aluguel individual, no qual cobrava R$ 249 para patinetes e R$129 para bicicletas. Porém, a pandemia continuou restringindo a mobilidade das pessoas e a iniciativa não obteve a adesão esperada. 

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Redação
Tags: Growmobilidade
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