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Globo reduz latência no streaming e leva Copa do Mundo 2026 ao vivo em 4K

Imagem: Divulgação

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (14) na sede da Globo em São Paulo, a emissora detalhou a infraestrutura tecnológica que vai sustentar sua cobertura do Mundial. Três apostas se destacam: a adoção de baixa latência no GloboPlay, a transmissão de todos os jogos em 4K pelo SporTV e a estreia da GE TV como plataforma digital nativa construída sobre um modelo ágil de produção e distribuição de conteúdo.

O problema da latência no streaming ao vivo

Quem acompanha transmissões esportivas por plataformas de streaming conhece o problema: o gol acontece, o vizinho com a televisão ligada grita, e quem está no celular ou no computador ainda vê o placar zerado. O intervalo entre o sinal de TV aberta e a imagem entregue via streaming pode chegar a dezenas de segundos, resultado do tempo de processamento, segmentação e distribuição dos pacotes de dados nas redes de entrega de conteúdo.

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Para a Copa de 2026, a Globo anuncia a adoção de protocolos de baixa latência no Globo Play. A tecnologia, que reduz esse intervalo a poucos segundos, será aplicada nas 32 transmissões gratuitas da GE TV disponíveis na plataforma. O sinal também estará disponível nas operadoras parceiras.

“Antes, quem assistia pelo streaming gritava gol muito depois de quem estava na frente da televisão. Agora, a diferença será mínima”, resumiu o narrador Everaldo Marques durante a coletiva.

A baixa latência em transmissões ao vivo é um dos desafios mais complexos da engenharia de streaming. Protocolos tradicionais como o HLS operam com buffers grandes para garantir estabilidade, o que aumenta o atraso. As soluções de baixa latência, como o LL-HLS e o CMAF, reduzem o tamanho dos segmentos e antecipam a entrega dos chunks, diminuindo o atraso mas exigindo maior robustez na infraestrutura de origem e nas redes de distribuição.

Leia também: “Brasil já está à frente de muitos países no comércio agêntico”, diz professor de Harvard no AI Festival

4K: o desafio de compressão e distribuição em escala

O SporTV anuncia a transmissão de todos os jogos do torneio em resolução 4K, o que representa o quádruplo do número de pixels em relação ao Full HD. Em termos de infraestrutura, isso implica codificação em H.265 ou AV1 para manter o bitrate em níveis viáveis para distribuição via cabo e satélite, além de maior exigência sobre os decodificadores das operadoras parceiras e as TVs dos usuários finais.

A edição de 2026, com 48 seleções e jogos distribuídos entre Estados Unidos, México e Canadá, amplia o escopo da operação. São mais jogos simultâneos, mais feeds de câmera e mais pontos de ingestão de sinal do que em qualquer Copa anterior.

GE TV: plataforma digital nativa como caso de transformação

O aspecto mais interessante pode estar na GE TV, canal digital da Globo que chega à Copa com menos de um ano de existência e com uma proposta arquitetural diferente das emissoras tradicionais.

A plataforma foi construída sobre um modelo em que televisão, streaming e redes sociais não são canais separados com equipes distintas, mas camadas de uma mesma operação de conteúdo. A produção é pensada simultaneamente para todos os ambientes, com capacidade de ajustar formatos e linguagem em tempo real com base no que está funcionando.

“Temos a liberdade de testar, ver o que está funcionando, de fazer hoje e amanhã fazer diferente”, explicou Mariane Spinelli, apresentadora da plataforma, na coletiva. “Realizar uma cobertura com credibilidade que pode falar em vários formatos e várias linguagens. Esse é o nosso desafio.”

O modelo lembra o que empresas de tecnologia chamam de arquitetura orientada a produto: times pequenos, ciclos curtos de iteração e decisões descentralizadas. Aplicado a uma operação de mídia ao vivo, o desafio é manter esse nível de agilidade sem comprometer a confiabilidade do sinal e a qualidade da informação.

“Quem é o produtor de conteúdo que tem crachá e credencial da TV Globo? Esse vai ser o nosso diferencial”, afirmou Mariane.

A escala do problema logístico-técnico

André Rizek, editor-chefe e apresentador do Seleção Sportv, situou o tamanho do desafio operacional. “Cubro a Copa desde 1998 e essa é a cobertura mais desafiadora de todas. São 48 seleções, três países-sede, deslocamentos complexos entre cidades distantes”, diz.

Para cobrir essa operação, a Globo montou equipes em campo nos três países, com narradores e repórteres que trabalham em modelo híbrido, atuando tanto no Brasil como nos Estados Unidos conforme o torneio avança para a fase eliminatória. A coordenação de fuso horário, conectividade e fluxo de sinal entre os três países-sede adiciona uma camada de complexidade técnica que não existia em edições anteriores do torneio.

A Copa do Mundo FIFA 2026 começa em junho.

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Pamela Sousa
Tags: copa do mundoGlobo
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