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Intraempreendedorismo, inclusão e aprendizado contínuo moldam a trajetória de Gisselle Ruiz Lanza

Gisselle Ruiz Lanza, VP da Intel para a América Latina (Imagem: divulgação)

A trajetória por trás da vice-presidência da Intel na América Latina é movida por inquietação e propósito. Nascida em Barcelona, capital da Catalunha, mas criada na Argentina, Gisselle Ruiz Lanza cresceu em um ambiente multicultural e dinâmico. Desde cedo, temas como tecnologia, sustentabilidade e empreendedorismo fizeram parte do seu cotidiano.

“Fiz uma escola bem interessante, que tinha um apelo cultural que, para mim, marcou o resto da minha vida”, relembra. A instituição em que estudou, conta, também foi pioneira na conexão internacional via internet e já abordava questões como sustentabilidade e diversidade com naturalidade, antes mesmo de esses assuntos se tornarem amplamente debatidos. “Era uma escola de vanguarda, com uma cultura muito inclusiva.”

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Dentro de casa, o espírito empreendedor também moldou sua trajetória profissional e pessoal: seu pai, que construiu do zero um negócio no ramo hoteleiro, na Argentina, foi uma de suas grandes inspirações. “O empreendedorismo sempre esteve presente na minha vida”, compartilha.

Com este pano de fundo, Gisselle iniciou sua jornada profissional. A tecnologia não foi sua primeira escolha. Estudou comércio exterior e, inicialmente, atuou na empresa da família. Depois, ingressou como estagiária em engenharia de produtos na Avon. Foi lá que teve seus primeiros contatos com o mundo da tecnologia e, aos poucos, a curiosidade por esse universo se impôs.

Em 1997, trabalhou na Dialogic Division, empresa que viria a ser incorporada pela Intel e marcou seu primeiro contato com a gigante do setor de semicondutores. O ambiente dinâmico a conquistou. “O que era uma curiosidade começou a virar uma paixão pela tecnologia, pelo poder de transformar, de impactar positivamente.”

A primeira passagem pela Intel duraria quatro anos. Em 2001, tomou a ousada decisão de empreender. Mudou-se para o México e, ao lado de duas amigas, abriu uma consultoria de comércio exterior. Tinha apenas 24 anos. “Foi uma das experiências mais ricas que tive – criar um negócio próprio em outro mercado, em outra cultura, morando sozinha”, relata. O projeto durou cerca de um ano e meio e, em 2003, ela retornaria à Intel, agora, com novos aprendizados na bagagem.

Desde então, são mais de 18 anos dedicados à multinacional de tecnologia. Em 2005, transferiu-se para o Brasil. O País vivia um momento histórico de crescimento econômico e era estratégico para a expansão da Intel. O plano era permanecer por alguns meses, mas, em pouco tempo, se apaixonou pela cultura, pelas pessoas e pelo dinamismo do país. Já são 20 anos por aqui.

Nesse período, Gisselle não apenas se consolidou como uma referência no setor, mas também desenvolveu uma visão de liderança voltada ao incentivo ao intraempreendedorismo, à inclusão e ao aprendizado contínuo. “Se você não está falhando, significa que não está se desafiando o suficiente.”

Tornar-se mãe também foi um marco decisivo. Tomás nasceu quando ela tinha 29 anos, e Clara chegou aos 40. “Com o Tomás, aprendi a pedir ajuda, a entender que uma rede de apoio é fundamental. Já com a Clara, comecei a me questionar ainda mais sobre propósito e legado”, conta. A maternidade, segundo ela, aprofundou seu compromisso com causas como diversidade, mentoria e formação de talentos.

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Sua atenção também se volta aos desafios que as mulheres ainda enfrentam no setor. Gisselle reconhece que sua trajetória se deu em um ambiente majoritariamente masculino, especialmente nos anos iniciais da carreira, quando era uma das três mulheres em seu curso de engenharia industrial. “Naquela época, eu via isso como algo normal. Era o mundo que eu conhecia”, relembra.

Com o tempo, no entanto, passou a refletir sobre a importância de transformar essa realidade. Hoje, atua de forma ativa em iniciativas de inclusão e equidade de gênero, buscando criar ambientes onde outras mulheres possam não apenas ingressar no setor de tecnologia, mas também prosperar nele. Para ela, promover a diversidade é essencial não só do ponto de vista social, mas também estratégico: “A diversidade agrega às discussões, às decisões, ao negócio”, afirma.

Na Intel também defende com convicção o tripé educação, diversidade e tecnologia, que considera fundamental para a transformação do mundo. “Educação é a base do crescimento, e a tecnologia é cada vez mais central em todos os aspectos da nossa vida.”

Para ela, garantir acesso a aprendizado e ferramentas tecnológicas é um caminho direto para inclusão e desenvolvimento econômico. “A inteligência artificial, por exemplo, pode tanto reduzir quanto ampliar a brecha econômica na América Latina – tudo depende de como a usamos e de quem tem acesso a ela”, observa.

Quando olha para o futuro, também pensa em novas formas de impactar o mercado com as vivências que acumulou até aqui. Com uma recém-concluída especialização no tema, Gisselle deseja contribuir com outras organizações como conselheira de empresas e liderar iniciativas sociais ligadas à educação e à inclusão digital. “Amo o que faço, mas hoje temos a sorte de viver mais e poder ter várias carreiras. Quero usar essa experiência para contribuir com a sociedade de outras formas”, diz.

Ela também volta o olhar para o passado. A mesma jovem que se inspirou no pai empreendedor no início de sua trajetória, agora, sonha, um dia, em retribuir. “Tenho muito orgulho do que meu pai fez e de como ele fez.” Hoje empreendedor do setor de calçados na Argentina, Gisselle não descarta colaborar com o legado do pai no futuro. “Gostaria de poder dar continuidade a essa história”, finaliza.

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Published by
Isabella Winckler
Tags: IT Forum MulheresIT Forum Mulheres 2025
8 meses ago

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