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Frost & Sullivan: cinco previsões para 2009 em telecom

No caso das telecomunicações na América Latina, 2008 sai de cena deixando sentimentos contraditórios. Embora o ano tenha sido bom, em termos gerais, a sombra da crise financeira dos últimos meses faz 2009 chegar com muitas dúvidas – e até algumas certezas negativas. Identificar as tendências-chave para o ano que entra é, sem dúvida, a melhor forma de começar com o pé direito.

Num ano em que o destaque será o impacto da crise e as alternativas para superá-la, é vital compreender quais são as principais tendências do mercado para, então, escolher a estratégia correta. A lista de cautelas para 2009 inclui os provedores de serviços de telecomunicações que estão entrado no espaço da TI, o impacto do iPhone, a convergência PC/TV, a transformação do mercado de TV por assinatura e a evolução da banda larga da telefonia móvel.

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Provedores de serviços de telecomunicações

Tanto os gigantes da região, como a Telefônica e a Telmex, como também os provedores com menor participação de mercado voltarão seu foco para a oferta de serviços de TI – competindo, assim, com provedores tradicionais deste segmento. A intenção é tornar-se o único parceiro de tecnologia da informação e comunicação (TIC) para seus clientes, aumentando sua penetração não só nos mercados tradicionais (telefonia fixa e móvel, comunicação de dados ou internet) como também ampliar sua infra-estrutura para fornecer soluções de TI como PBX hosting, gerenciamento de rede etc.

Serviços móveis

Com o impulso da 3G, de smartphones e outros aparelhos repletos de recursos, os celulares tiveram um crescimento importante na América Latina em 2008, particularmente após a chegada do iPhone da Apple. Recursos avançados, como câmera, música (MP3 e rádio), bluetooth e vídeo, são os mais solicitados. Contudo, as operadoras vão aproveitar a oportunidade para começar a oferecer recursos e aplicativos que utilizam a capacidade de transmissão móvel de dados, como navegação pela internet, e-mail, GPS, videochamadas, TV móvel e, ainda, aplicativos que reproduzem o ambiente do computador no celular – o que irá aumentar o uso corporativo e reforçar o conceito do escritório móvel.

Convergência PC/TV

O futuro trará uma interação muito interessante entre os serviços e dispositivos de telecomunicações e TI. A conectividade trouxe muitas mudanças e, atualmente, estamos avançando na direção de um “estilo de vida digital”. Os usuários querem conectividade ilimitada, novos aplicativos e que a rede seja eficiente e quase invisível, para que não precisem se preocupar com ela – somente com os aplicativos e serviços que rodam nessas redes.

Os consumidores hoje esperam que a TV seja móvel e personalizada. Esperam que seus aparelhos domésticos digitais (TVs, gravadores de vídeo digitais, consoles de games, etc) tenham integração com o PC. A DirecTV e a Microsoft já trabalham no sentido de permitir que o conteúdo transmitido pela operadora de serviços de TV por satélite seja transferido para PCs com Windows ou para o console Xbox, de modo que possa ser armazenado. Embora 2009 ainda não seja o ano em que a convergência PC/TV vai se tornar realidade – uma vez que a região ainda precisa adaptar melhor a infraestrutura de rede a necessidades futuras -, definitivamente esperamos ver alguns avanços nessa área.

Mercado de TV por assinatura

Como consequência da febre de pacotes triple play, os serviços de TV por assinatura – independentemente da plataforma usada para provê-los – tornaram-se um marco para todas as operadoras de telecomunicações da região. Muitas novidades estimulantes são esperadas para 2009.

Mas, infelizmente, a estrutura regulatória ainda é uma restrição ao avanço da penetração de serviços de triple play e TV paga. Na Argentina e no Brasil, as agências reguladoras ainda limitam a participação das operadoras tradicionais de telefonia fixa nos serviços de transmissão de televisão e rádio; no México, a Telmex é proibida de fazer o mesmo devido à sua posição de subsidiada; no Equador, há vários órgãos regulatórios diferentes, o que cria caos e incerteza para as empresas de telecomunicações; na Colômbia, a CNTV e a CRT não podem decidir qual delas tem competência na regulação do serviço de IPTV, o que provoca impedimentos à oferta de novos aplicativos de TV paga e à entrada de novos provedores. Espera-se que 2009 traga avanços em relação a essa questão.

Do ponto de vista do usuário, a transformação da experiência televisiva será um fator a ser considerado. Interatividade, digitalização, maior qualidade e conteúdo personalizado irão trazer novas oportunidades de negócios não só para os provedores de serviços de TV, mas também para provedores de conteúdo, anunciantes, fornecedores de redes, empresas de mídia, etc.

Redes 3G e banda larga móvel

A América Latina entrou efetivamente no mercado de banda larga móvel em 2008. A região deu um passo à frente, que levou o mercado a um novo estágio de desenvolvimento. Em dezembro de 2008, a maioria das operadoras já havia lançado redes 3G – e as que não o fizeram vão lançá-las no primeiro trimestre de 2009.

Em apenas um ano, o número de usuários 3G na América Latina chegou a 3 milhões. O Brasil é o líder desse mercado, com quase 1,8 milhão de usuários 3G. Esse fato mostra que a América Latina está aceitando avanços tecnológicos de forma positiva. A banda larga móvel está crescendo em suas três versões (netbooks, smartphones e conexões USB para PCs e notebooks).

Contudo, para que continue crescendo em 2009, as operadoras de celulares terão de desenvolver planos com preços atraentes, de modo a conquistar aqueles clientes que ainda têm dúvidas em relação à assinatura de um serviço de banca larga móvel. E, na medida em que a demanda por esse serviço crescer, as operadoras de telefonia móvel terão que continuar investindo na expansão e melhoria de suas redes 3G.

* Ignacio Perrone é gerente de indústria da Frost & Sullivan

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Editorial IT Forum 365
17 anos ago

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