O francês Yves Guillaumot ostenta em seu passaporte 40 carimbos de viagens ao Brasil. Na mais recente delas, em setembro de 2015, veio para ficar e
liderar a operação da Atos para a América do Sul. Em cinco meses no comando da empresa, o executivo aprendeu sozinho a falar português (fluente) com base em sua “vontade de compartilhar ideias com as pessoas”, como ele mesmo definiu em entrevista exclusiva ao
IT Forum 365.
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
“Vim sozinho, mas conquistei 3 mil amigos”, brincou, referindo-se aos colaboradores da empresa no Brasil. Sua relação com o País e a América Latina, no entanto, é de longa data. Na França, o serviço militar podia ser trocado por outro serviço civil. Então, Guillaumot optou por trabalhar na Embaixada da França na Argentina. Fez um mochilão pela América Latina e ficou um mês no Rio de Janeiro, onde caiu nas graças do Brasil.
Alguns anos depois, passou a atuar como consultor da Atos América do Sul e o trabalho foi tão bem-sucedido que foi convidado para comandar a operação da região com a saída de Alexandre Gouvêa, que deixou a empresa para seguir novos rumos profissionais.
O desafio da sua gestão agora, disse, é manter o foco em três áreas estratégicas: alta tecnologia, posicionar-se como parceiro de confiança dos clientes e ajudar companhias na jornada rumo à transformação digital. “Estou organizando a empresa e levando os negócios para essa direção”, sintetizou, completando que está feliz com o progresso da companhia nos últimos meses.
O executivo lembrou que a
aquisição da Bull contribuiu para reforçar a estratégia da Atos no quesito alta tecnologia e um dos resultados claros dessa união foi a instalação em meados de 2015 do maior
supercomputador da América Latina em Petrópolis, no Rio de Janeiro, que ajudará a comunidade científica em seus estudos.
Sobre o segundo ponto, Guillaumot assinalou que mais do que uma relação fornecedor-cliente, a organização quer manter uma parceria com seus clientes. “A Atos é muito mais do que uma empresa de tecnologia, é um consultor que as companhias podem confiar”, destacou.
Assim como para boa parte da indústria,
transformação digital é tema-chave da Atos para este ano. Contudo, o executivo assinalou que o desenho da oferta é diferenciado. “Todos falam de digitalização, mas nossa aposta é em entender o foco do cliente para então depois definir por onde começar. Temos obsessão por ajudar nossos clientes nos objetivos de negócios”, explicou, relatando que a maioria das companhias que tem conversado busca na transformação digital aumento de receita e de market share.
Na esteira da digitalização, prosseguiu, está a nuvem que, segundo ele, ainda encontra muito espaço para crescer no mercado. Além disso, a companhia olha com atenção áreas como analytics, big data e indústria 4.0 para ampliar a atuação.
Crescimento satisfatório
Sem citar número regionais, Guillaumot relatou que globalmente 2015 foi um ano positivo para a empresa. O resultado consolidado ainda não foi divulgado, mas o executivo apontou que algumas das aquisições foram importantes no período, como a da Bull. Segundo ele, a combinação da capacidade de inovação da Bull com a capacidade de gerenciamento do Grupo Atos tem feito grande diferença para os negócios.
Outros exemplos citados por ele foram a
aquisição da Xerox ITO, que potencializou especialmente negócios na América do Norte, e da Unify, que fortaleceu o portfólio de comunicações unificadas (UC, na sigla em inglês). “Foi uma adição bem-vinda e importante para ampliar a convergência de soluções de TI e telecom”, assinalou.
A
finalização da aquisição da Unify aconteceu em janeiro deste ano. Contudo, o executivo apontou que ainda não há planos detalhados de integração e atuação na América Latina. As conversas com a corporação, no entanto, já começaram e serão comunicadas ao mercado no momento oportuno, de acordo com ele. O que é certo, por enquanto, é que as operações seguem separadas.
Guillaumot relatou que com a compra da Unify, a Atos é agora número um em serviços de TI na Europa, passando à frente da Capgemini e número cinco em todo o mundo, com potencial para se tornar a terceira em breve. “Temos uma força grande no mercado e capacidade única de entrega”, garantiu.
Expectativas
O executivo indicou que as expectativas da corporação para a América do Sul seguem altas apesar da instabilidade econômica e política de alguns países da região. “
Considerando dados da IDC, vejo crescimento no mercado brasileiro.” O ano é também promissor para a empresa em razão dos Jogos Olímpicos, dos quais a
Atos é uma das principais parceiras.
O presidente da Atos contou que o nível de preparação está maduro e todos os testes foram realizados, sendo necessário agora finalizar apenas pequenas simulações. “Estamos preparados”, garantiu, ressaltando o desafio de montar uma infraestrutura em apenas dois anos para o equivalente a uma empresa de 200 mil pessoas. “O evento será importante para nossos clientes se certificarem da nossa capacidade de entrega e inovação tecnológica.”
Os próximos meses prometem ser de muito trabalho para a Atos, mas se depender de Guillaumot e de seus 3 mil amigos será um sucesso. “Sou impaciente, prezo pela qualidade, mas quero ver os resultados acontecerem o quanto antes”, avisou o executivo ao mercado promissor.