Espiões norte-americanos têm acesso quase irrestrito a informações sobre usuários europeus no Facebook e outras mídias sociais, graças a um pacto transatlântico de transferências de dados, afirmou um assessor do principal tribunal da União Europeia (EU) à Bloomberg.
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Ordens secretas dos Estados Unidos fazem com que empresas de tecnologia entreguem dados pessoais ligados aos cidadãos da EU, mas, segundo Yves Bot, advogado-geral de um Tribunal em Luxemburgo, os cidadãos da UE que são usuários do Facebook não são informados que seus dados pessoais são geralmente e facilmente acessados por órgãos de segurança dos Estados Unidos.
A discussão atual é que o Tribunal de Justiça da União Europeia deve desfazer-se da decisão do Safe Harbor, de 2000, que garante partilha de dados, porque ela não protege os cidadãos do bloco 28, países integrantes do EU, por promover a coleta em grande escala de dados pessoais.
Para Bot, o acesso aos dados dos cidadãos da UE “deve ser considerada particularmente grave, dado o grande número de utilizadores em causa e as quantidades de dados transferidas”. Em sua opinião, o caso é extremamente sério.
O Supremo Tribunal da UE vem pensando em acabar com a validade do acordo de compartilhamento de dados depois das revelações do ex-funcionário da Agência Norte-Americana de Segurança, Edward Snowden, sobre as atividades de vigilância do governo dos EUA e de coleta de dados em massa. Um juiz irlandês no ano passado buscava decidir se o acordo ainda protege a privacidade e se os reguladores nacionais têm o poder de suspender o trânsito de dados da UE para os EUA.
Bot critica o fato de a Comissão Europeia não ter “suspenso nem adaptado” a decisão mesmo “estando ciente das deficiências” do acordo. A Comissão está em negociações com os EUA durante dois anos em uma tentativa de resolver suas preocupações com a decisão de partilha de dados pessoais.
Sobre o caso, o Facebook disse que “atua em conformidade com a lei de Proteção de Dados da União Europeia. Como as milhares de empresas que operam as transferências de dados pelo Atlântico, aguardamos o julgamento completo”, disse a porta-voz da empresa Sally Aldous.
De acordo com ela, a empresa não fornece acesso ‘backdoor’ para servidores e dados do Facebook para agências de inteligência ou governos.
Todas as empresas norte-americanas que são certificados sob o Safe Harbor, que somam mais de 4 mil, serão afetadas pela decisão do tribunal da UE, que deve acontecer nos próximos quatro a seis meses.
O DigitalEurope, grupo comercial que representa empresas como Apple, Google e Microsoft disse que é “preocupante a interrupção potencial de trocarde dados internacionais. Segundo o ativista austríaco Max Schrems isso pode trazer grandes desvantagens comerciais para a indústria de tecnologia nos Estados Unidos.