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Ninguém pode negar que a popularização da internet revolucionou o mundo como conhecemos em um curto espaço de tempo. Mas o que você pensaria se disséssemos que um rio já está conectado à rede mundial? Loucura? Alucinação? Não, é realidade. A IBM e a Beacon Institute criaram um plano de monitoramento do Hudson River, que banha a cidade de Nova York. A iniciativa baseia-se em uma rede de sensores, robôs e tecnologia computacional distribuídas por 315 milhas que colhem diversos dados. Bem-vindo ao mundo da chamada “internet of things“, internet das coisas, em português.
Faz tempo que a rede mundial não significa apenas abrir o browser e acessar páginas mundo afora. O projeto citado acima, por exemplo, data de 2007 e integra iniciativas do projeto “Smarter Planet” da fabricante, que contempla iniciativas que podem ser classificadas como internet das coisas. O conceito é simples e salta do universo dos computadores, extrapola o mundo dos smartphones para aprofundar-se nos mais variados dispositivos propondo diálogo entre máquinas. A interconexão entre aparelhos do dia a dia propiciará papel ativo deles no processo de informação a partir da troca de dados, sobre situações específicas e/ou o ambiente.
“Praticamente tudo poderá se interconectar”, sentencia José Carlos Duarte Gonçalves, diretor de tecnologia da IBM Brasil, citando que essa relação ocorrerá sobre protocolo de internet (IP, na sigla em inglês). Se você parar para pensar, verá que cada vez mais começamos a presenciar o surgimento de “dispositivos inteligentes”, capazes de receber e transmitir informações e processar instrução. Algumas aplicações deste tipo já rodam em ambiente industrial, residencial ou de comércio.
Segundo consultorias de TI, já são bilhões de objetos que se comunicam entre si por meio do IP. O cenário tende a se intensificar suportado por avanços em miniaturização e ao contexto onde a tecnologia emerge como valor agregado. A previsão é que o número de aparelhos do dia a dia conectados à internet salte à casa dos trilhões, em poucos anos. Duas vertentes seguem firmes no avanço e popularização do conceito: rastreamento de informações e comportamentos; e automação e controle.
série especial de reportagens sobre o futuro da internet, em
comemoração aos 10 anos do IT Web.
Essas duas aplicações trazem algumas quebras de paradigmas sociais e de negócio propondo novas abordagens sobre como o humano relaciona-se com as máquinas e como elas (as máquinas) se interagem entre si. Tal mudança conceitual tem diversas implicações. “Trata-se de uma nova fronteira. Todas as indústrias podem ser afetadas com a criação de modelos de negócios”, afirma Marcelo Leite, diretor de novas tecnologias da Cisco, citando que a companhia trabalha na criação de padrões para permitir a comunicação entre novos dispositivos.
A introdução da internet em aparelhos “não-convencionais” representará uma grande mudança no modelo de web vivenciado hoje em dia. “Será preciso operar com diversos dispositivos conectados, não só o computador”, ilustra Frederick van Amstel, pesquisador do instituto Faber Ludens, entidade sem fins lucrativos que trabalha em um estudo sobre o desenvolvimento do conceito. Só que isso pode tornar o processo de inserção das pessoas no mundo digital em ser algo muito mais simples do que vemos atualmente.
Concreto
Segundo o pesquisador, atualmente as pessoas relacionam-se com a internet de forma abstrata. “Acionamos símbolos na tela por meio do mouse”, cita, dizendo que a manipulação de objetos cotidianos conectados trará interface mais concreta. Vejo uma grande possibilidade de a internet facilitar as coisas, permitindo que as pessoas façam mais em menos tempo. “Costumamos dizer que, no futuro próximo, as pessoas não precisarão mais acessar à internet; elas estarão nela o tempo todo”, ilustra.
O exemplo mais batido (que, por sinal, ainda não virou realidade) é o da geladeira conectada ao supermercado. O eletrodoméstico na cozinha de uma pessoa poderia monitorar os alimentos e “requisitar” um reabastecimento de um produto automaticamente sempre que o estoque estivesse abaixo de uma quantidade mínima definida.
Amstel, que deu uma palestra sobre internet das coisas batizada de “além da geladeira”, defende que a evolução e massificação do conceito depende de aplicações úteis, que as pessoas vejam valor. Pelas previsões do pesquisador, ainda demorará pelo menos 15 anos para que os objetos do cotidiano conectados à rede sejam algo comum. Isso graças ao fato de que muitos produtos ainda são construídos com tecnologia analógica. A solução, acredita, poderia vir de um modelo “set-top box” para digitalizar equipamentos obsoletos, que, de qualquer forma não necessitam muito poder de memória e processamento. Mesmo assim, a tecnologia precisa ser capaz de trafegar protocolos mais simples e leves, pois, como diz o executivo da Cisco: “Não dá para colocar um roteador em cima de uma geladeira”.
Quase sem querer
De fato a revolução da internet é silenciosa. A curitibana Hi Technologies, por exemplo, se posiciona como uma empresa de telemedicina, mas o que faz está intimamente atrelado ao conceito emergente.
A questão é justamente esta: a internet das coisas está mais perto da gente do que imaginamos. Desenvolvedora de equipamentos médicos embutiu internet nos produtos de monitoramento e acompanhamento de pacientes que vende ao mercado. “O modelo de desenvolvimento de nossos equipamentos é mais parecido com um computador do que com um instrumento médico. Tudo é muito embarcado”, conta Marcus Vinicius Mazega Figueredo, um dos sócios da companhia constituída em 2004, dizendo que as máquinas nos quartos de hospitais deixam de ser passivas para oferecer toda uma gama facilidades do mundo web.
O objetivo final da empresa de Figueredo é proporcionar uma situação onde o PC será dispensável no ambiente hospitalar, porque todos os dispositivos já estão interconectados, por meio do protocolo de internet, e abastecendo um banco de informações capaz de melhorar o tratamento e facilitar a vida do médico. “É uma visão onde não há um limite”, enfatiza o executivo, pontuando que o plano de negócios da Hi Technologies trabalha para que toda parte tecnológica de seu projeto esteja bastante avançada já em 2013.
Numa análise mais ampla podemos ver o legado deixado pelas empresas de tecnologia da informação em outros setores econômicos. Não apenas na Saúde que a internet vira parte do produto. No Brasil, há um projeto do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) de instalação de um chip localizador nos carros. Em conversas com alguns CIOs da indústria automotiva, no ano passado, eles revelaram desejos de crescer a oferta de serviços sobre tal dispositivo. Seria o “carro web”.
Se ampliarmos tal conceito e abstrairmos o pensamento e projetarmos um futuro distante, poderemos prever a intercomunicação entre os automóveis, estradas, semáforos. Isto pode ajudar a resolver um ponto extremamente crítico das metrópoles: o trânsito. Talvez seja loucura, mas a forma que a rede segue sua revolução mostra que o cenário seja bem provável.
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Há dez anos, nascia o portal de notícias de tecnologia e telecomunicações IT Web. Para comemorar a data, diversas reportagens serão publicadas ao longo do mês de abril com objetivo de, mais que fazer uma retrospectiva, analisar as mudanças pelas quais o mundo e os negócios passaram, além de apontar tendências que podem trilhar a próxima década da internet. Acompanhe o especial!
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