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Especial: Com quantos megabytes se constroi uma cidade digital

A pacata cidade de Piraí tem pouco mais de 25 mil habitantes (segundo o Censo de 2008). Quem passar poela entrada dela, na rodovia Presidente Dutra, ligação entre São Paulo e o Rio de Janeiro, pode nem notar sua presença na geografia local. Mas o município tem fama internacional. Piraí é considerada um caso bem-sucedido de “cidade digital”.

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A discussão sobre cidades digitais, que o IT Web publica em uma série de reportagens durante o mês de fevereiro, acontece no momento em que se discute em Brasília o Plano Nacional de Banda Larga.

No caso do município fluminense acima citado tudo começou em 2004, a partir do projeto Piraí Digital. Na época, foi criada uma rede pública de acesso à internet. Em pouco tempo, a estrutura, baseada em um sistema híbrido com suporte wireless, chegava às escolas. Seu acesso se disseminaria por avenidas, ruas e vielas.

Mais do que simplesmente permitir a navegação pela web, as iniciativas semearam e cultivaram a cultura digital. Houve ações de inclusão social, informatização da gestão e educação para novas mídias, com o surgimento de telecentros e instituições públicas “antenadas” com a nova onda.

Segundo Franklin Coelho, um dos responsáveis pelo projeto, a ideia de um programa deste gênero é ir além dos computadores e da infraestrutura de banda larga. Ou seja, não é só oferecer tecnologia a uma população carente. Tornar-se uma cidade digital significa modernizar a gestão pública e oferecer novos serviços e facilidades para as pessoas. Mais do que isto, a proposta é levar aos habitantes uma nova perspectiva de cidadania.

O objetivo é democratizar o acesso aos meios de informação e comunicação. Assim, serão geradas oportunidades de desenvolvimento econômico e social. Os horizontes da população são, desta forma, ampliados. No final, os benefícios atingem todas as áreas. Além da educação, a própria administração pública é afetada. A digitalização chega à saúde e à segurança, estendendo-se à própria economia do município.

É claro que a participação das empresas é desejada e necessária, num “bate-bola” com o governo em que todos ganham – sobretudo a sociedade. “A iniciativa privada tem um papel fundamental e deve trabalhar em parceria com o governo”, diz Fabio Botelho Josgrilberg, coautor do livro Comunicação e mobilidade – aspectos socioculturais das tecnologias móveis de comunicação no Brasil. “Há casos em que o acesso à internet, por exemplo, é limitado, por falta de interesse do mercado”. Daí, segundo o professor, cabe ao governo criar condições para a criação desse mercado.

Definição

A chamada cidade digital tem tudo para não ser mais um modismo, mas seu conceito deve se modificar e evoluir com o tempo. “O termo, de um modo geral, é usado para definir uma cidade que contém infraestrutura de redes e de serviços públicos, especialmente via internet, voltada para os cidadãos”, explica Fabio Botelho Josgrilberg, professor Metodista e pesquisador de cidades digitais pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “O termo deve cair por terra com o tempo quando o digital deixar de ser novidade.”

Segundo ele, há municípios que já usam a denominação “comunidades inteligentes”. Outros inserem a discussão dentro de um debate maior sobre “governo aberto”. Nesse caso, os recursos de TI ofereceriam o suporte necessário para aumentar a participação dos cidadãos nas decisões públicas, criar práticas colaborativas comunitárias e promover a transparência pública dos dados e ações governamentais.

Esta reportagem integra a série especial sobre cidades digitais que será publicada durante o mês de fevereiro no IT Web.

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Editorial IT Forum 365
16 anos ago

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