Depois de pouco mais de dois anos após ter lançado a pedra fundamental, a EMC inaugurou oficialmente o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Big Data, instalado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão. Trata-se do primeiro centro no mundo criado pela fabricante voltado à pesquisa para o mercado de óleo e gás, desenvolvendo tecnologias para, por exemplo, acelerar o tempo entre identificação de um poço e extração do que a indústria chama de primeiro petróleo.
O local já conta com mais 45 cientistas de dados e pesquisadores, sendo 22 especialistas contratados pela companhia e o restante integrantes da rede de parcerias com universidades. A ideia é que os trabalhos desenvolvidos por eles sejam multi-organizacionais, com interações não apenas com doutorandos da UFRJ, mas também de outras universidades.
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Além do centro de pesquisa propriamente dito, o local conta com o primeiro Executive Briefing Center (EBC) da companhia na América Latina e o décimo no mundo. Esse EBC servirá para que a fabricante receba clientes e apresente o portfólio e as pesquisas desenvolvidas localmente. Como explicou o gerente do EBC Rodrigo Gazzaneo, o espaço estará aberto a clientes de todos os setores e não apenas de óleo e gás.
No mesmo prédio funcionará ainda um espaço para o desenvolvimento de soluções, algo que traga ações e resultados mais de curto prazo. Apenas para entendimento da dinâmica do local, 80% do esforço será para P&D; 10% para o EBC e os 10% restantes para soluções.
Como frisou Karin Breitman, cientista-chefe do centro de pesquisa, com a inauguração da instalação, o Brasil passa a ser o segundo país do mundo a contar com o ciclo completo de produção da EMC: fabricação, vendas, educação, serviços, desenvolvimento de soluções e agora pesquisa. Os Estados Unidos, sede da empresa, também contam com essa estrutura.
Entusiasta da iniciativa, Karin relatou também que a inauguração do local acontece com três patentes registradas. A única passível de divulgação no momento foi batizada de Maracanã e consiste em uma técnica para compressão de dados sísmicos. “Este é um problema antigo e complicado da indústria de petróleo, porque lidamos com dados difíceis de comprimir de maneira eficiente e conseguimos resultados interessantes, inclusive dando mais agilidade à compressão”, comentou.
Embora este centro tenha sua pesquisa 100% focada na indústria petroleira, ele estará conectado a outros pontos de desenvolvimento e pesquisa da EMC no mundo, de forma que o que for criado por aqui poderá, eventualmente, ser aplicado ou adaptado para outros segmentos. Essa primeira patente divulgada de compressão de dados é um exemplo, como explicou Karin. Trata-se de uma tecnologia que poderá no futuro ser adaptada para o segmento de saúde, servindo para comprimir os resultados de diagnóstico por imagem. O centro de pesquisa da EMC na Rússia, aliás, é voltado para a vertical de saúde.
Outro exemplo de como essa interação pode acontecer vem do conceito de internet das coisas. A companhia já tem em andamento um estudo de aplicar IoT nas plataformas petroleiras, o mesmo projeto poderia ser escalado e levado para cidades, já que uma plataforma não deixa de ser uma mini cidade.
O Centro de Big Data da EMC no Rio de Janeiro está dentro da estratégia de investimento da companhia de US$ 100 milhões no Brasil em um período de cinco anos, contados a partir de 2011, quando foi lançada a pedra fundamental. “O Centro de Pesquisa em Big Data tem três missões: inovar, que é o core business do local; educar, já que tem tecnologia de ponta e precisamos educar o mercado; e a última é criar soluções e nesse caso optamos por apoiar o Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro (em temas como segurança e mobilidade urbana), mas que poderemos levar para outros locais”, comentou Carlos Cunha, presidente da EMC no Brasil.
Em relação à escolha da cidade do Rio de Janeiro para instalação do centro, ela não se deu apenas por eventuais incentivos que o Parque Tecnológico da UFRJ oferece. Por ser uma unidade focada em óleo e gás, o quesito pessoas foi muito levado em consideração e o Rio historicamente abriga empresas do segmento e tem muito capital intelectual neste assunto. “Poderíamos levar para o Oriente Médio ou para a Rússia, mas escolhemos o Brasil pelas pessoas, pelo espírito de inovação que vemos aqui e até pelas boas relações com o governo”, detalhou Brian Gallagher, presidente mundial da divisão de enterprise e middle range strage da EMC.
Presente na inauguração do centro de pesquisa, o secretário de política de informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgílio Almeida lembrou que o centro da EMC integra os quatro laboratório de pesquisa e desenvolvimento que estão em processo de instalação no País dentro do Programa TI Maior. Os demais são: SAP, Microsoft e Intel.
*O jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da EMC