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Febraban Tech: educação financeira deve ser tema de saúde pública

O tema da educação financeira é não apenas uma questão econômica, mas também discussão de saúde pública. Essa foi a avaliação de Tatiana Filomensky, coordenadora do Programa para Compradores Compulsivos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, durante o debate ‘Impacto social das ações de educação financeira para os consumidores e para o negócio’, realizado na Febraban Tech, maior evento de tecnologia do setor bancário do país.

“O endividamento não é só financeiro, mas comportamental. Quando a pessoa faz escolhas inadequadas, ela se endivida”, disse a pesquisadora. “Esse ciclo vai afetar não só o bolso, mas o estado emocional, a família, as pessoas ao redor, o trabalho. Quando a gente começa a avaliar essas pessoas, chegamos a níveis de 80% delas estarem sofrendo psicologicamente, com sintomas de ansiedade e depressão. Isso impacta a saúde pública.”

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Segundo o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), elaborado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com apoio técnico do Banco Central (BC), o tema da saúde financeira tem piorado no país. A pontuação média do país foi de 57,2 no final de 2020, e caiu 1,2 ponto percentual, passando para 56,0, no início de 2022.

Leia mais: A cobertura completa do Febraban Tech

“A saúde financeira do brasileiro está no limite entre o ruim e o ok”, explicou Marcelo Bomfim, vice-presidente de Governo da Caixa. “Nosso desafio é a inclusão financeira com qualidade”. E completou: “Somente um em cinco brasileiros pode dar conta de uma dívida inesperada. Esse tema é de preocupação vital para um banco 100% público como a Caixa, e um banco que está próximo dos mais vulneráveis.”

Nesse cenário, avaliaram os painelistas, as instituições financeiras têm um papel fundamental na conscientização e educação de seus clientes em relação aos riscos do endividamento. “Além do trabalho com as associações de classe, os bancos podem promover muita saúde financeira: eles têm milhões de clientes, e estão no momento chave quando o cliente vai negociar uma dúvida. Eles têm dados para oferecer soluções personalizadas”, pontuou Marcelo Junqueira Angulo, chefe da divisão de Educação Financeira do Banco Central do Brasil.

Segundo ele, essa combinação de dados sobre o histórico financeiro dos clientes e a abordagem personalizada que podem ter na hora de uma renegociação de dívida ou contratação de crédito, coloca os bancos em posição privilegiada. “O que a gente vê como grande potencial é levar um conteúdo de saúde financeira”, disse. “Em todo o processo de renegociação, a educação financeira tem que vir junto para que a pessoa possa aprender.”

Tatiana Filomensky, no entanto, deixou o alerta: “quando a pessoa vai ao banco pedir ajuda, é a hora de oferecer ajuda, não vender mais alguma coisa.

Leia também: Executivos defendem regulamentação para acelerar tokenização

Rodrigo Bruno, diretor associado de Learning & Development do BTG Pactual, destacou que a agenda de educação financeira já faz parte da estratégia do banco. Ele citou como exemplo o aplicativo Finanças+, funcionalidade que ajuda o cliente com um gerenciamento financeiro aplicado e integrado à conta corrente. “O sistema automaticamente reconhece as transações e as caracteriza, dando dicas e sugestões de como organizar a vida financeira”, afirmou.

O sistema também traz mais controles ao cliente, como a imposição de limite de gastos e gatilhos de aviso que informam o usuário quando determinados valores já foram usados.  Boletos recorrentes são alertados ao usuário para que não esqueça de pagamentos. “O foco é simplificar a rotina financeira do cliente e entregar uma solução personalizada”, disse Bruno.

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Published by
Rafael Romer
Tags: educação financeiraFebraban Tech
3 anos ago

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