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Tecnologia e ESG: entenda como essas duas forças estão transformando os negócios atuais

Dilma Campos, CEO da Nossa Praia, durante o programa Liderança de Propósito (Imagem: Divulgação)

A máxima “toda empresa será uma empresa de tecnologia no futuro” tem ganhado uma companhia de peso: a agenda ESG. Isso porque em um mundo onde as mudanças climáticas estão impactando economias, ameaçando biomas e tornando recursos cada vez mais escassos, as organizações devem refletir constantemente sobre sua própria sobrevivência nos próximos anos. Esta foi a tônica da 4ª edição do Liderança de Propósito, programa realizado pelo Itaqui em parceria com a Singularity Brazil*.

Para se ter uma ideia, atingimos 15 meses consecutivos de temperaturas superando a média global de 1,5ºC em relação à era pré-industrial. “A fórmula é muito simples: quando aumentamos a emissão de gás carbono na atmosfera, a temperatura do planeta se eleva”, explica Sandro Paulino de Faria, diretor-executivo do Centro de Inovação e Pesquisa Itaqui e da Carbono Florestal.

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O Brasil registrou pela primeira vez o clima de deserto e vivemos neste momento a maior seca nos últimos anos. “Há uma regra chamada de 30-30-30, quando a temperatura está acima de 30 graus ao mesmo tempo em que a umidade do ar é menos que 30% e o vento está acima de 30km/h”, contou Faria. Tais condições têm favorecido o alastramento de incêndios praticamente em todo território nacional e prejudicado principalmente biomas como Pantanal e Cerrado. Porém, é importante enfatizar que a grande maioria dos incêndios são resultado da ação humana.

A emergência climática tem colocado em risco a economia como conhecemos, pois são inegáveis os prejuízos na produção agrícola, na saúde, nas infraestruturas e na produtividade do trabalho. De acordo com um artigo publicado na Nature, a economia mundial já está comprometida com uma redução permanente de 19% na renda nos próximos 26 anos.

ESG, tecnologia e valor

Diante da emergência climática não se pode ignorar a força da tecnologia, elemento responsável por inúmeras transformações e avanços nos mais diferentes setores. E é a convergência entre essas duas agendas, a da tecnologia e da sustentabilidade que estão moldando os negócios. Em outras palavras, a sigla ESG passa a incorporar a letra “T”, de Tecnologia, nos tempos atuais.

“Estamos diante de duas corridas no mundo. A da tecnologia, na qual as empresas estão implementando a transformação digital e IA; e a corrida pelo planeta, que ganhou repercussão no mundo dos negócios quando Larry Fink, CEO da Black Rock, disse que não iria mais investir em organizações que não fossem ESG”, compartilha Poliana Abreu, diretora de conteúdo da HSM. Segundo ela, ainda que o tripé de temas como social, ambiental e governança não fosse nada novo na época, este foi o momento que ele ganhou força no mundo financeiro.

De lá para cá, tal mudança de mentalidade tem impulsionado algumas organizações a repensar seus modelos de negócios e a se questionar sobre o que significa o ESG dentro de sua própria empresa. Não se trata de projetos sociais e ambientais paralelos, o essencial é entender como esse conceito deve integrar a estratégia da organização e como torná-lo algo material trazendo lucro e valor ao mesmo tempo em que está alinhado ao propósito da companhia.

Leia também: TI é aliada no combate às mudanças climáticas

Algumas organizações brasileiras e de fora do País parecem ter encontrado a fórmula. Caso da Dengo, fabricante de chocolates que desde sua origem promove o comércio justo com os elos da cadeia da produção do cacau. Outro exemplo é o Trader Joes, supermercado americano de orgânicos e produtos sustentáveis, que atua de forma inclusiva e com preços acessíveis. Já a Tom´s Shoes, de calçados, adotou o modelo um para um, ou seja, a cada par de sapatos comprados, outro é doado. Em comum, essas empresas trazem as questões sociais e ambientais como o principal negócio, sem deixar de lucrar com isso.

Uma pesquisa sobre a percepção de riscos globais divulgada pelo Fórum Econômico Mundial mostrou que nos próximos dois anos, 5 das 10 ameaças listadas englobam questões sociais e ambientais. São elas: eventos climáticos extremos, poluição, migração involuntária, polarização social e falta de oportunidades econômicas. Quando avaliado os riscos em 10 anos, a área social e ambiental somam 7 riscos, o que inclui a falta de recursos naturais e a perda de biodiversidade ne colapso dos ecossistemas.

Um outro estudo, desta vez da PWC, mostrou que em 2023, 39% dos CEOs brasileiros e 33% dos CEOs no mundo não acreditavam que as empresas em que trabalham continuariam viáveis na próxima década se mantivessem a mesma atuação. Na opinião de Dilma Campos, CEO da Nossa Praia, à medida em que as ameaças à sobrevivência convergem, muitas empresas agem para se reinventar.

Nesta transformação, a executiva enfatiza o desafio da nossa contemporaneidade: o de lucrar e regenerar ao mesmo tempo. “É o ROF, o return on future. Devolvemos valor para todos os acionistas, mas também ao principal deles: o planeta Terra”, analisa.

ESG, pessoas e propósito

Em tempos de riscos iminentes, a liderança se torna ainda mais importante nas organizações. O imperativo da reinvenção dos negócios frente à ameaça de existência da própria empresa exige lideranças corajosas, humanas, que invistam na diversidade de suas equipes e consigam conduzir os  times ao sucesso do negócio.

Para Poliana Abreu, diante deste contexto, o perfil do líder é ambidestro e regenerativo. “A ambidestria é a capacidade de conseguir resultado de curto prazo considerando uma visão de longo prazo. Já o regenerativo é não olhar apenas para preservação ou para alguma inovação incremental, e sim reconstruir e deixar melhor aquilo que você encontrou”, avalia.

Outro desafio dos tempos atuais é liderar um exército de trabalhadores adoecidos. Se no começo da década passada começávamos a entender o que era burnout, agora ele é considerado uma doença do trabalho, tamanha a quantidade de pessoas com esse mal. Dados da OMS estimam que entre 20 e 33 milhões de brasileiros sofram com burnout. O Brasil também é o segundo maior país com estresse elevado, além de sofrer com outros transtornos como ansiedade, depressão.

Para o negócio, o resultado de uma sociedade adoecida é perda de produtividade. Transtornos mentais são a principal causa de perdas de dias de trabalho no mundo: 17 dias. Além disso, 15% dos trabalhadores sofrem com transtornos mentais no mundo.

Carla Tieppo, neurocientista e expert da Singularity Brazil, chamou atenção para como o sofrimento mental das pessoas é fruto da opressão das emoções e de como a sociedade de hoje é contida emocionalmente. Neste contexto quem usa a emoção como ferramenta mental sai na frente, pois ela é motor de comportamento.

“Geralmente, as pessoas controlam a expressão da emoção, mas não conseguem controlar as emoções. Assim, elas vão ‘engolindo’ as emoções e alimentando os transtornos mentais e dessa forma perdemos pessoas que poderiam mudar o mundo”, analisou.

Para ela, o líder atual deve estar atento a este contexto e tornar-se um maestro das emoções do time. “A liderança humanizada tem comunicação de qualidade, é relacional e tem objetivo de produzir vínculo, pois é ele que deve estar no centro. A liderança não é só para informar, para isso mandamos  e-mails. Um líder [com propósito] sabe onde estão os gaps e conclama o time para resolvê-los”, aconselhou.

* O Liderança de Propósito, programa realizado pelo Itaqui em parceria com a Singularity Brazil, ocorreu nos dias 22, 23 e 24 de setembro e reuniu cerca de 30 C-levels das mais diferentes indústrias.

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Tags: ESGItaquiliderança
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