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Perfil: Donald Feinberg, analista emérito do Gartner

Era início de tarde de uma segunda-feira nublada em São Paulo quando a equipe da revista aguardava, em uma sala de reunião do 25º andar de um edifício na região da Berrini, zona sul da capital paulista, a chegada do analista emérito do Gartner e figura bastante conhecida no mercado brasileiro de tecnologia, Donald Feinberg. Passados alguns minutos, ouvimos a voz de alguém falando um português com sotaque bastante carregado. O entrevistado da seção Perfil deste mês havia chegado. A promessa: um bate-papo interessante, passando, obviamente, pelas previsões que ele costuma fazer sobre movimentações no mercado de TIC.

Norte-americano de Saint Paul, em Minnesota – ele faz questão de ressaltar que, na tradução, também nasceu em São Paulo -, Feinberg está no Brasil há oito anos e por decisão pessoal. Com 45 anos de experiência em TI, sendo quase 21 deles servindo ao Gartner, o especialista conta que chegou ao País para um período de dois anos e não conseguiu mais deixar o local. Motivo: ?a maior
diferença entre Brasil e Estados Unidos está nas pessoas. Aqui, quando você diz ?bom dia, você está bem??, as pessoas sorriem, dizem que estão legal. Lá é diferente?, comenta, ao lembrar que até ambulantes de semáforos, que nada têm, esbanjam simpatia. ?Nos EUA, isto nunca acontece.?

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Apesar do amor declarado ao Brasil, sobretudo à alegria do povo e à culinária, tem algo Feinberg sente muita falta e, para surpresa de muitos, não tem relação alguma com gestão, comportamento corporativo ou qualquer outra coisa que países mais ricos costumam levar vantagem. ?Sinto muita falta do gelo. Eu nasci em Minnesota, lá se começa a patinar antes mesmo de andar. Comecei a jogar hóquei aos cinco anos de idade?, relembra, para frisar que, hoje, não tem perspectiva de voltar ao país de origem.

Casado com uma santista e pai de um filho que vive nos Estados Unidos e seguiu os passos paternos ao estudar e trabalhar com tecnologia, a vida de Feinberg é marcada por fatos interessantes. Estudou e cursou mestrado em matemática e quase concluiu doutorado na mesma área. ?Em 1966, não havia faculdade de ciências da computação.? E como chegou à TI? Na universidade de Boston, conta, havia alguns computadores IBM 360 usados para cálculos e ele resolveu aprender a operar tais equipamentos. Entre 66 e 67, fez alguns cursos na própria IBM para entender o funcionamento e gostou tanto que não largou mais o setor.

A chegada à empresa de análises veio mais tarde e está totalmente relacionada à experiência adquirida. Feinberg afirma que, para ser um bom analista, tem de conhecer e ter intimidade com o mercado, especialmente quando se fala para CIOs, algo difícil de conseguir sem ter uma carreira extensa no setor. Foi no Gartner, aliás, onde o executivo ganhou projeção. Suas análises e previsões de movimentações do mercado de tecnologia passaram a chamar atenção depois que ele acertou a compra da Sun MicroSystems pela Oracle. ?Para minhas previsões eu tenho uma lei?, avisa. ?Quando se fala em compra de empresas não existe a palavra não. É sim ou talvez. No caso da Oracle, um ano antes da aquisição da Sun, Larry Ellison tinha falado em aumentar muito o faturamento da companhia e só com software ele não conseguiria, precisava de hardware. Havia algumas alternativas e disse que poderia ser Dell ou Sun, e deu Sun.? Feinberg comenta ainda, como havia trabalhado na Oracle no passado, que conhecia os anseios de Ellison no mundo do hardware. Ele diz que o executivo, por iniciativa própria, tentara se aventurar neste segmento, mas sem sucesso.

Questionado sobre a expectativa que é gerada a cada evento anual do Gartner no Brasil para uma previsão dele, Feinberg caiu na risada e desconversou, dizendo que, na edição de 2010, preferiu não proferir nada. Mas o mercado ainda não esqueceu da projeção feita em 2009, sobre uma possível união Microsoft-HP, o que o analista ainda vê como viável, apesar de algumas barreiras legais.

Com tantos anos no mercado de TI, Feinberg conviveu com cartão perfurado, disquetes, assistiu à chegada dos mainframes, computadores pessoais, tirou benefícios dos telefones analógicos e vibrou com a chegada dos celulares, mas nenhuma invenção deste mundo, que ele presenciou até o momento, chama tanta a atenção quanto a internet. ?Em termos de mudar a vida das pessoas é a web. Talvez, no começo, ninguém tenha entendido o real impacto. A internet possibilitou que pequenas empresas negociassem com o mundo inteiro. Ela é um evento tão importante quanto foi a revolução industrial.?

A admiração pela rede mundial é grande, algo possível de entender apenas conversando pessoalmente. É algo que realmente inspira. Ele arrisca a dizer que a atual estrutura do próprio Gartner não seria possível sem internet e usa como outro exemplo o próprio filho, que trabalha desenvolvendo software morando em um lugar remoto do estado do Novo México (EUA). Já no fim da conversa, não poderíamos deixar de provocá-lo mais uma vez sobre as previsões. Há alguma para este ano? ?Acho que sim, mas o momento será em outubro, até lá muita coisa pode acontecer?, finaliza rindo e enumerando movimentações que grandes nomes da indústria fizeram nos últimos 12 meses.

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Redação
15 anos ago

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