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Do progresso científico à prosperidade econômica

Imagem: Shutterstock

Por Alfonso Abrami

O crescimento econômico contínuo, que já tirou milhões da pobreza, não é obra do acaso. Ele nasce de ciclos permanentes de inovação tecnológica.

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O segredo da prosperidade moderna está em compreender por que as tecnologias funcionam – e não apenas em aplicá-las. Essa é uma das principais lições do trabalho dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2025, Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt. Seus estudos sobre a inovação como motor do crescimento sustentado reforçam a importância da Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D) para o avanço das sociedades e a elevação do padrão de vida.

Uma das constatações mais relevantes de Mokyr é que o salto da prática empírica para a explicação científica é o que permite que novas invenções se apoiem umas nas outras, acelerando o progresso contínuo. Essa reflexão conecta-se diretamente à missão das áreas de P&D das empresas: entender os fundamentos por trás das tecnologias para gerar novos ciclos de inovação.

Para que a pesquisa corporativa promova um desenvolvimento econômico e social robusto, não basta replicar ou aplicar tecnologias já existentes. É imperativo investir em P&D para alcançar uma compreensão profunda do como e do porquê das inovações – condição essencial para evoluir tecnologicamente de forma sustentada.

Leia também: IA não corrige processos ruins, ela os amplia, alerta Forrester

As empresas brasileiras têm um papel estratégico nessa jornada e contam com instrumentos públicos de apoio à inovação. O arcabouço legal nacional oferece incentivos relevantes, como a Lei do Bem, as subvenções econômicas e os financiamentos por meio da Finep e do BNDES, entre outros.
A combinação inteligente desses mecanismos é fundamental para viabilizar investimentos em P&D que transformem potencial científico em prosperidade econômica e social, exatamente como demonstram os laureados do Nobel.

Nos setores regulados da economia brasileira, compreender as tecnologias – e não apenas aplicá-las – é ainda mais estratégico. Nesses segmentos, a inovação em P&D não é apenas incentivada: é muitas vezes obrigatória, garantindo um fluxo constante de investimentos na fronteira tecnológica.

Além dos instrumentos horizontais (Lei do Bem, financiamentos da Finep e BNDES e subvenções da Lei da Inovação), programas setoriais atuam como poderosos indutores de P&D, transformando obrigações em oportunidades de avanço tecnológico. Exemplos incluem o MOVER, voltado ao setor automotivo; o P&D ANEEL, destinado às concessionárias de energia; e o TIC, para as áreas de tecnologia da informação e comunicação.

Outro ponto essencial é a formação contínua de pessoas. Cerca de 80% do esforço das áreas de P&D no Brasil vem das horas dedicadas por pesquisadores, técnicos e especialistas de múltiplas disciplinas. Entretanto, os profissionais que criarão as soluções do futuro nem sempre estão “na prateleira”. É preciso desenvolvê-los. Capacitar talentos internamente é parte inseparável da estratégia de inovação.

As organizações devem ir além do mero cumprimento da legislação. A lição de Joel Mokyr, de que o verdadeiro progresso nasce da explicação científica, deve orientar o uso dos recursos públicos e privados. Investir apenas em equipamentos não basta, é preciso direcionar esforços à pesquisa aplicada e ao desenvolvimento experimental, que formam a base do conhecimento tecnológico.

O uso estratégico dos incentivos e subvenções pode fomentar a inovação disruptiva, transformando obrigações setoriais em diferenciais competitivos. Assim, as empresas desenvolvem tecnologias proprietárias e avançadas, em vez de apenas otimizar processos existentes.

Esse movimento é o que sustenta a “destruição criativa” descrita por Aghion e Howitt – o ciclo virtuoso no qual a inovação substitui o que está obsoleto e gera crescimento contínuo. Em outras palavras: compreender as tecnologias é o primeiro passo para liderar o futuro.

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Published by
Pamela Sousa
Tags: científicoeconomia
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