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Proposta de divisão do DOJ ameaça segurança nacional e liderança dos EUA na corrida da IA, diz Google

Imagem: Shutterstock

O Google voltou aos tribunais nesta segunda-feira (21) para o início do julgamento que definirá as consequências práticas da condenação por monopólio no mercado de buscas, decidida em agosto de 2024.

Desta vez, o foco está nas medidas corretivas propostas pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), que incluem a separação do navegador Chrome e a abertura dos dados de busca da empresa para concorrentes, conforme reportado pela CNBC.

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A gigante da tecnologia está adotando uma estratégia agressiva de defesa. A empresa afirma que dividir suas operações prejudicaria a segurança nacional dos Estados Unidos e a capacidade do país de competir com a China na corrida global por supremacia em inteligência artificial (IA).

Leia também: “Hoje, não vendo só tecnologia. Entrego a solução como serviço”, diz diretor da Teltec

Em um post no blog da empresa, Lee-Anne Mulholland, vice-presidente de assuntos regulatórios do Google, escreveu que a proposta do DOJ limitaria o desenvolvimento de IA e abriria espaço para “um comitê nomeado pelo governo regular o design e o desenvolvimento de nossos produtos”. Ela argumenta que isso “travaria a inovação americana num momento crítico”.

DeepSeek como ameaça emergente

O Google também citou nominalmente a startup chinesa DeepSeek como uma ameaça emergente na área de IA, reforçando o tom geopolítico da defesa. “Estamos numa corrida feroz pela próxima geração da liderança tecnológica, e o Google está na linha de frente dos avanços científicos e tecnológicos dos EUA”, destacou Mulholland.

Apesar da retórica nacionalista, a empresa enfrenta um ambiente regulatório cada vez mais hostil. Na semana passada, perdeu um outro processo antitruste, no qual foi considerada monopolista no mercado de publicidade online. Meta, Amazon e Uber também enfrentam processos similares, inclusive da mesma FTC que muitos esperavam ver menos ativa após a posse de Donald Trump, em janeiro.

Durante o julgamento, que deve durar até 9 de maio, o juiz Amit Mehta ouvirá testemunhos tanto do governo quanto de empresas concorrentes. Entre os nomes citados estão Nick Turley, chefe de produto do ChatGPT, e Dmitry Shevelenko, diretor de negócios da Perplexity. Esta última publicou, inclusive, um post dizendo que a solução ideal não é dividir o Google, mas garantir liberdade de escolha para consumidores e fabricantes de dispositivos.

Proposta do DOJ

A proposta do DOJ de abrir os dados de busca, como termos consultados, cliques e resultados, para concorrentes é duramente criticada pela empresa, que alega que isso aumentaria os riscos de segurança cibernética e nacional, além de encarecer o custo de dispositivos para o consumidor final.

O Google tentará provar que não é insubstituível a ponto de sufocar a concorrência, mas essencial o suficiente para sustentar a liderança americana em inovação. Parte da defesa será destacar o papel da empresa em avanços de IA, como o artigo científico sobre Transformers, base técnica usada em sistemas como ChatGPT, Perplexity e Anthropic.

Ao final do julgamento, o juiz deverá apresentar uma decisão definitiva em agosto. Caso as medidas propostas sejam mantidas, o Google já sinalizou que vai entrar com recurso. Até lá, o embate jurídico promete intensificar o debate sobre os limites do poder das big techs e a interseção entre concorrência, segurança nacional e inovação tecnológica.

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Published by
Pamela Sousa
Tags: DOJGoogle
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