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“Empresas têm dificuldade para aterrissar o assunto”, diz CIO da FCamara sobre projetos de IA Generativa

Joel Backschat, vice-presidente de Tecnologia e Pessoas da FCamara (Imagem: Divulgação)

Quase dois anos após a avalanche da inteligência artificial (IA) generativa ter chegado aos times de tecnologia, o tema ainda permanece um desafio dentro das organizações. Essa foi a avaliação de Joel Backschat, CIO da FCamara, multinacional brasileira que atua com projetos de consultoria e jornadas digitais, em conversa com o IT Forum sobre o tema.

“Empresas têm dificuldade para aterrissar o assunto”, disse. “Existe um sentimento de muitos diretores de que há uma pressão que vem de cima, muitas vezes do conselho, de que é só começar a usar que vai se resolver todos os problemas. A gente deixa bem claro que não é assim que funciona.”

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Há mais de dez anos na FCamara, o executivo tem hoje como uma de suas atribuições a liderança do núcleo de IA da organização. É de lá que saem projetos de IA generativa e de “IA clássica” que são aplicados junto aos clientes. Backschat conta que os temas são vistos como dois tipos de jornada diferentes para os clientes, já que demandam abordagens distintas de implementação e têm objetivos diversos.

“O modelo clássico vem acompanhado de uma jornada um pouco mais longa, que é a jornada de dados. Falamos muito de governança, de escala e de se fazer experimentação”, explicou o executivo. “A tecnologia da IA generativa é uma jornada mais curta, muitas vezes focada em criar novos canais de receita e trabalhar performance”.

A ideia central por trás do núcleo é discutir o projeto proposto pelo cliente e trazê-lo do campo das ideias para algo que gere impacto ao negócio, com escopo definido. Frequentemente, conta Backschat, é necessário desmembrar o projeto para que outras mudanças e integrações sejam aplicadas antes da tecnologia – mudanças de processo, do papel de pessoas dentro da organização e até de tecnologias.

Veja também: Empresas familiares do Brasil são as mais avançadas do mundo em IA generativa

“Entendo que a tecnologia não é uma coisa que está desconfortável para os executivos. O problema é como eu pego e aplico isso para resolver um processo dentro da empresa”, detalhou o CIO.

A jornada prévia de estruturação também é fundamental para que o impacto dos projetos de IA generativa possa ser, de fato, mensurado pelas organizações e seus efeitos para o negócio fiquem claros. Desde o início do ano, o núcleo já desenvolveu 27 projetos envolvendo IA generativa.

“Se você libera a IA generativa para qualquer grupo de pessoas e faz uma pesquisa de campo para medir isso, o resultado é sempre o mesmo: ‘me sinto mais produtivo’, ‘me sinto mais conectado ao processo’. Mas qual o problema desse tipo de dado? Ele é de sentimentos. Como eu vou medir o sucesso? Por isso, falo sempre no começo: é preciso ter um projeto, aterrissar um assunto com um objetivo claro”, explicou.

Um dos projetos recentes da organização com IA generativa foi com a Ipsos, do setor de estudos de mercado. A companhia tinha como um de seus principais desafios a análise de dados qualitativos, em especial entre respostas para perguntas abertas. A IA generativa foi a alternativa para o processamento desses dados em grande volume, utilizada para interpretar as informações não estruturadas de forma mais ágil.

A Ipsos projeta diminuir custos em 25% ao longo de 2024 com a aplicação de Inteligência Artificial (IA) generativa nos processos de pesquisa. A companhia também já registrou uma redução de 35% no tempo de codificação de dados das entrevistas, além de ter uma taxa de assertividade de 80% por parte da tecnologia.

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Rafael Romer
Tags: FCamaraIA generativa
2 anos ago

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