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Desconstruindo o mito da ideia genial

ideia inovadora

Estima-se que a população mundial atingiu em 2017 o número de 7,6 bilhões de pessoas, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Isto significa que, todos os dias, esta imensa massa de pessoas concebe milhares de ideias, algumas boas e outras sem nenhuma lógica.

Será que estas ideias são inéditas? Claro que não. Nenhuma ideia é original e ninguém nunca teve uma ideia única. As ideias são constantemente melhoradas, mas, longe de serem exclusivamente originais. De fato, com certa frequência nós somos solicitados a assinar os famosos acordos de confidencialidade, aqueles “NDAs” – do inglês “Non Disclosure Agreement”. Estes acordos, tirando o aspecto da troca das informações confidenciais, geralmente, também são requeridos pelos empreendedores e diretores, pois acreditam que irão revelar alguma ideia original, única e que nunca foi pensada antes. Será mesmo? Claro que não. Certamente, você não pensou nisso antes, mas alguém, em algum lugar do mundo já pensou. Contudo, e se as ideias não são únicas, como então que Google, Uber, Facebook, Whatsapp, Netflix, XP Investimentos, Nubank, Airbnb e tantos outros alcançaram sucesso em seus empreendimentos?

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Nas últimas duas décadas foi propagado dentro das organizações e universidades o anseio da busca por uma nova ideia genial. Isto beirou o fanatismo e desenhou uma imagem que apenas as ideias extraordinárias teriam sucesso – um mito que se concebeu e que precisa ser desconstruído. No entanto, muitos negócios da atualidade estão ressurgindo e alcançando sucesso simplesmente com a adoção correta da transformação digital em suas áreas, processos e nova experiência para os usuários.

Quando analisamos alguns cases globais de tecnologia, percebemos que o WhatsApp não foi o primeiro, nem o segundo e nem o décimo comunicador a ser desenvolvido. Podemos citar o IRC, ICQ, MSN, Skype e tantos outros comunicadores lançados anteriormente. Todos estes comunicadores resolviam problemas reais, mas o WhatsApp conseguiu identificar algo ainda não percebido e melhorar a experiência dos usuários. Alguns valores foram percebidos, por exemplo, número do telefone como chave para identificação global dos usuários, ausência de senha, sempre conectado, facilidade de uso, etc. Em resumo, o seu sucesso foi devido ao foco em melhorar o envio de mensagens entre as pessoas.

Além do case acima e de maneira semelhante, o Nubank não foi o primeiro aplicativo de cartão de crédito lançado e nem o Google foi o primeiro buscador de sites na Internet. Todos eles avaliaram soluções já existentes e procuraram relançar algo, embora já existente, mas que pudesse ser melhor ou que resolvesse com mais acerto um problema real. Até 1998 existiam muitos buscadores na Internet, como Cadê, Aonde, Altavista, Sapo e tantos outros. Para relembrar este movimento, o buscador brasileiro, Cadê foi lançado em 1995 e o Google, apenas em 1998, este último ainda é um sucesso e escalou rapidamente.

A busca por ideias geniais tem consumido pessoas e empreendedores. A energia empregada nisso tem afastado o sucesso dos negócios e o crescimento de startups e fintechs. Ao invés de buscar essas ideias, o tempo pode ser melhor investido na identificação de melhorias contínuas da experiência do usuário com algum produto, na mudança de perspectiva de como perceber um problema real da sociedade e principalmente no ganho de escala da solução.

Se você está transformando digitalmente um negócio e acredita estar tendo uma ideia genial, cuidado, ela pode se revelar um fracasso. Mas, se você reconhece que não tem uma ideia genial, então ótimo! E não se inquiete com isto, olhe para o seu produto ou para o produto que você deseja lançar, avalie se ele resolve um problema real e como o seu concorrente trabalha. Busque melhorar isso, trabalhe, lance, ajuste sempre o seu produto e o escale o quanto antes.

*Leonardo dos Reis Vilela é CEO e fundador da Cedro Technologies

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Redação
7 anos ago

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