De nerd a milionário: fundador da Hostlocation aposta agora em fibra ótica

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De nerd a milionário: fundador da Hostlocation aposta agora em fibra ótica

Em 1998, quando a banda larga ainda era uma utopia no Brasil, o irrequieto Marcelo Safatle, então com 17 anos,  criou uma solução caseira para conseguir atender à demanda por módulos de ERP da empresa onde fazia estágio em TI: locar, em seu próprio nome, servidores da Embratel (o que ele mesmo classifica como microterceirização extremamente precária). Foi o pontapé para o que hoje é a Hostlocation, empresa de host e servidores, que passa, agora, por um outro momento de criação e quebra de paradigma: o investimento em fibra ótica para garantir conexão à internet de alta velocidade e sem a dependência de operadoras.

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?Sou nerd, não tem como esconder isso?, afirmou o jovem executivo, que aos 30 anos tem uma empresa com faturamento de R$ 10 milhões ao ano, em entrevista ao IT Web. ?Mas antigamente a gente se escondia. Hoje está na moda?, brincou. Para entender como uma empresa de locação de servidores recebeu da Agência Nacional de Telecomunicações  (Anatel) o aval para operar fibra ótica em nível nacional, é preciso compreender os passos que foram guiando o empreendedor no mercado de TI. O perfil de sua empresa, conta, foi moldado pela demanda dos próprios clientes.

Nascido em uma família de médicos ? pai, mãe, irmãos e tios se dedicam à saúde humana ? a comoção foi geral quando Safatle decidiu que faria faculdade de análise de sistemas. Acostumados ao cuidado, os familiares acharam que o jovem promissor queria dedicar seus dias a consertar computadores.  Como seu trabalho de locação de servidores ? serviço contratado como pessoa física mesmo ? começou a ficar conhecido na empresa na qual trabalhava, não demorou muito para que diversos colegas contratassem a oferta para colocar sites no ar. Era o início da bolha da internet, que veio a estourar nos anos 2000. E era o início da Hostlocation, cujo primeiro escritório foi aberto em 1999, no quarto do jovem, então com 18 anos. Sua carteira de clientes saltou de zero para 15 mil em um curto espaço de tempo. Naquela época, a principal demanda era uso compartilhado de servidores para publicação de sites, alguns e-mails corporativos, ao custo médio de R$ 50 ao mês.

Com o trabalho, a empresa, e a faculdade, a média era a de perder ao menos uma matéria por semestre. ?Eu me empolgava demais com tudo isso eu queria trabalhar dentro da sala de aula?, contou. Seu irmão mais novo já se aproximava da graduação em medicina, e nada de Safatle conseguir o diploma. Quando, com um ano de atraso, conseguiu enfim se formar, a família abriu uma faixa, no momento da colação de grau, agradecendo a Santo Expedito pela graça alcançada. A gargalhada foi geral.

Entre 2002 e 2003, começou a surgir uma nova demanda, e a Hostlocation flexibilizou seu perfil de atuação. Já com 25 funcionários, milhares de sites espalhados por Data Center como Alog e Intelig, o faturamento da empresa chegou a R$ 3 milhões, com clientes corporativos de grande porte contratando servidores dedicados, no início do processo de outsourcing de TI no Brasil. ?Isso mudou os rumos da Host. Não deixamos de focar em clientes compartilhados, mas a receita desse novo perfil era muito maior e acabou por ser a área principal da empresa?, comentou. Naquele ano, já era uma carteira com cem clientes corporativos.

Quando, entre 2005 e 2006, a contratação de data centers começou a encarecer demais, a companhia teve de migrar para o sistema de cloud computing, aos poucos, por pura necessidade. O número de clientes não parava de crescer, e a limitação de espaço físico e o alto custo da contratação começavam a engessar o crescimento da companhia. Se hoje a nuvem ainda é uma novidade, naquela época era ainda mais difícil oferecer o serviço aos clientes. Safatle conta que o processo de convencimento foi feito aos poucos. ?Nós vendíamos VPS, uma máquina virtual pequena para substituir o servidor dedicado básico. Se viesse um ?baita? de um cliente corporativo não cabia, tinha de ir para computação tradicional. Mas conseguíamos atender a clientes menores?, contextualizou.

A criação do backbone veio com a necessidade, mais uma vez. Por conta da intermitência na disponibilidade da banda larga, os serviços de cloud computing oferecidos pela Hostlocation poderia sofrer com a reputação. Safatle decidiu resolver o problema pela raiz e criar sua própria infra. Hoje, a companhia possui 100% de cobertura na cidade de São Paulo. Entre os pontos próprios de operação, o da Rua Cubatão, perto da Avenida Paulista, consumiu cerca de R$ 3 milhões em investimentos. ?Temos atuação em seis cidades da Região Metropolitana de São Paulo?, contou, sem esconder que o caminho natural é levar a oferta ao resto do Brasil, seguindo sempre a necessidade do cliente. ?Vamos expandir para o interior do Brasil?, finalizou.

*Atualizado em 19 de novembro, às 17h20

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