All Rights ReservedView Non-AMP Version
Preprod IT Forum
  • Homepage
  • Cibersegurança
Notícias

Dia Mundial da Saúde: dados genéticos são os mais sensíveis da população

Foto: Shutterstock

Os testes genéticos, feitos a partir de dados genéticos, estão na moda há algum tempo, seja para uso recreativo (como descobrir sua ancestralidade) ou para uso medicinal – o caso mais famoso é o de Angelina Jolie, que descobriu altas possibilidades de ter câncer de mama. Com preços mais acessíveis, os testes genéticos se tornaram sedutores, mas esses dados devem estar muito bem protegidos para que o usuário e seus familiares não tenham consequências.

“O dado genético não pode ser alterado. Se vazar uma informação sobre seu histórico de viagem, endereço, banco etc., a gente consegue, no pior dos casos, acessar a justiça e mudar. Já o dado genômico está com a pessoa até depois da morte. E o acesso não é só do individuo, mas dependendo do tipo de informação genética, é possível acessar informações da família. E, se ele tem uma predisposição, a família também tem”, explica Raul Torrieri, cientista sênior de suporte de bioinformática da Illumina, em entrevista ao IT Forum.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Se a pessoa que fez o teste está associada a um crime muito grave, por exemplo, indivíduos da família podem ser associados pois é impossível dissociar esse background genético.

Leia mais: Neuralink: comunicação sobre cérebro-computador preocupa cientista

Pergunto se, no caso de vazamentos de dados genéticos, a leitura seria fácil. Torrieri diz que não por pessoas leigas. Entretanto, ainda que hoje seja uma informação razoavelmente complexa, com a Inteligência Artificial, no futuro essa leitura poderá ser fácil. E, por ser um dado imutável, mesmo que os dados vazem hoje, alguém pode ter acesso a eles daqui a dez anos.

“Vamos supor que descobrem que o presidente tem um filho fora do casamento. O risco não é apenas para a reputação, mas um risco que agora que a gente sabe que o indivíduo X é esse filho e um criminoso poderá fazer chantagens sem alarde”, alerta Torrieri.

Nos Estados Unidos, por exemplo, por meio de medidas judiciais, eles usam dados genéticos para rastrear bancos de dados de empresas que vendem testes para rastrear criminosos. Eles coletam amostra de sangue de um criminoso e fazem a análise biológica. Com isso, vão para os bancos de dados e começam a rastrear.

As linhas pequenas dos contratos sobre os dados genéticos

Como existem testes para diversos fins, fico curiosa se ao fazer um teste específico, a empresa teria acesso a todo o meu material genético, e Torrieri diz que depende. Há exames que olham especificamente para a pergunta feita e outros que fazem a investigação da parte genética mais ampla e responderá apenas o que foi perguntado.

“Se você interrogou um pedaço pequeno, é praticamente impossível olhar para outras coisas, mas se for mais amplo, existe um potencial de olhar para outras coisas. Mas, como saber isso? Nas linhas pequenas do contrato da empresa que fará o teste”, revela o especialista.

A atenção aos contratos também engloba a possibilidade dessas empresas venderem os dados. Não é uma novidade que, nos EUA, companhias compartilharam os dados com terceiros para pesquisas médicas ou para planos de saúde.

“Eu acho que eles lançam mão do fato de que a população em geral é muito leiga e não tem ideia das consequências. Eles colocam nas letras pequenas e as pessoas não se atentam ou não têm a dimensão do estrago. O público pensa ‘se meu dado genético vazar, o que vai acontecer?’. Talvez hoje não tenha um impacto, o perigo é nas próximas décadas e talvez não seja com ele, mas com seus filhos ou outro familiar”, evidencia Torrieri.

No caso de planos de saúde, por exemplo, as companhias podem usar esses dados para entender se determinada família tem predisposição para doenças e aumentar o preço do plano. “Talvez o impacto para aquele individuo seja pequeno, mas todos os descendentes têm esse risco. Então os netos já entram no plano de saúde com um preço ainda mais alto”, diz o especialista.

Para o futuro, Torrieri diz que uma das discussões é sobre como armazenar esses dados. Atualmente, o dado genético é produzido em arquivo-texto. Mas há uma conversa na indústria e na academia para que ele possa ser gerado com marcadores de blockchain para rastrear o movimento.

“Mas precisamos garantir que funcionará. O medo de fazer isso é as pessoas acharem que criamos a solução definitiva de segurança desse dado. Entretanto, a solução são as técnicas tradicionais de segurança”, finaliza Torrieri.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Next Reinvenção constante pauta crescimento da Simpress »
Previous « Novos executivos da semana: Pure Storage, Senior Sistemas, Iron Mountain e mais
Share
Published by
Laura Martins
Tags: dados genéticossequenciamento genético
2 anos ago

    Related Post

  • Novos executivos da semana: Uncover, Tech for Humans, Diebold Nixdorf, Unico e mais
  • Se o Brasil não organizar seus dados culturais, outro fará isso por nós, alerta Jorge Brivilati
  • CBYK nomeia Maurício Matsuda como novo CEO

Recent Posts

  • Notícias

83% dos CIOs já adiaram projetos estratégicos por restrições de orçamento

A pressão por controle de custos vem alterando a dinâmica das áreas de tecnologia nas…

6 dias ago
  • Estudos

Fintechs brasileiras captam US$ 2,77 bi em 2025 e entram em nova fase de maturidade

O mercado brasileiro de fintechs passou por uma transformação no perfil dos investimentos em 2025.…

6 dias ago
  • Notícias

Sioux aposta em IA e dados para nova fase de experiências digitais e expande atuação para a Europa

O avanço da inteligência artificial e o uso estratégico de dados vêm transformando a forma…

6 dias ago
  • Artigos

Qual é o risco do desenvolvimento de software com IA?

Por Ramon Ribeiro Quase metade do código produzido por assistentes de inteligência artificial contém vulnerabilidades…

6 dias ago
  • Notícias

Se o Brasil não organizar seus dados culturais, outro fará isso por nós, alerta Jorge Brivilati

Peça a um modelo de inteligência artificial que gere a imagem de uma cidade, sem…

6 dias ago
  • Notícias

Novos executivos da semana: Uncover, Tech for Humans, Diebold Nixdorf, Unico e mais

O IT Forum apresenta, semanalmente, os novos executivos e os principais anúncios de contratações, promoções e mudanças…

6 dias ago
All Rights ReservedView Non-AMP Version
  • L