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Da delegacia ao comando da TI

Há três anos, André Drumond deixou a atividade arriscada de delegado da Polícia Civil para ocupar o cargo de diretor do Departamento Geral de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (DGTIT) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A experiência de 14 anos no comandando de delegacias contribuiu para levar a TI a novos patamares. A atuação diferenciada proporcionou a conquista do Prêmio IT Leaders deste ano na categoria Governo, disputada pelos CIOs Roni Martins, da Prefeitura de São Leopoldo, e Sandra Dias, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

O ingresso na TI representou para Drumond uma guinada de 360 graus em sua carreira, visto que foi por muito tempo delegado titular da 64ª Delegacia de Polícia da cidade do Rio de Janeiro. Uma rotina, envolvendo a condução de operações arriscadas, que foi substituída por “bits e bytes”.

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A tecnologia não era algo tão distante do ex-delegado. Drumond conhecia Cobol, linguagem de mainframe. Na antiga função, também apoiou-se em algumas ferramentas informatizadas para conduzir investigações, principalmente as escutas telefônicas de acusados.

“Missão dada tem de ser cumprida. Tentei tornar a TI do DGTIT mais dinâmica”, conta. O primeiro passo foi buscar aprendizado, matriculando-se em um MBA de Gestão Estratégica na Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). Vieram outros cursos e aos poucos Drumond foi-se aperfeiçoando, informatizou diversos serviços e regras de negócios para apoiar a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O conhecimento adquirido na prática, quando estava na rua conduzindo operações policiais, foi fundamental para entregar soluções de acordo com a necessidade da polícia.

Hoje, Drumond orgulha-se de ter criado diversas ferramentas que se tornaram referência e foram doadas para outros estados. “Não há nenhum sistema nacional de que o Rio de Janeiro não participe”, comemora, mencionando os de Inquérito Policial, Combate às Drogas e Combate às Armas.

O mais novo sistema implementado por Drumond na Polícia Civil do Rio de Janeiro foi o Delegacia de Dedicação Integral do Cidadão (Dedic), que entrou em operação há dez meses para incentivar a população a comunicar fatos criminosos, sem a necessidade de locomover-se até uma delegacia. O serviço permite que as vítimas informem a ocorrência pela internet e agendem atendimento em sua casa.

Após receber a queixa, Drumond informa que no prazo de duas horas uma dupla de policiais à paisana, equipada com notebook, dirige-se ao local para registrar a ocorrência do cidadão. “A Polícia manda um homem e uma mulher em viatura descaracterizada para não provocar medo nas pessoas. Esses policiais deixam o nome e o número do celular, para que os cidadãos possam contar o que aconteceu no seu bairro”, diz o diretor do DGTIT, que acredita que o Dedic resgata a figura do xerife que cuida de determinadas áreas.

Drumond observa que a sociedade do Rio de Janeiro passou a ver a Segurança Pública como uma imposição do Estado e não como um serviço a seu dispor. Como resultado, muitos não vão à Delegacia de Polícia para comunicar fatos de que foram vítimas.

“Há um percentual enorme das chamadas ‘cifras negras’ (subnotificações dos crimes ocorridos) no estado do Rio de Janeiro”, afirma, enfatizando que em comunidades carentes impera o reinado do tráfico e das milícias. Ele constata que as pessoas acabam omitindo os acontecimentos pela demora no atendimento e falta de crença na polícia.

O serviço informatizado Dedic veio para estimular as pessoas a denunciarem essa situação, sem correr riscos. “Aumentamos em 14% o registro das ocorrências de crimes após a sua implementação”, contabiliza Drumond.

O Dedic é apoiado em um sistema que mapeia as informações das ocorrências por tipo de crime e local para reforçar o policiamento. Hoje, 20 delegacias do Rio de Janeiro contam com esse serviço e Drumond espera que a iniciativa sensibilize governador e secretário estadual cariocas para expandir a iniciativa a
outras regiões.

Para ele, a principal barreira é convencer a população a usar o serviço para denunciar pequenos crimes. O Dedic registra quase todos os tipos de ocorrências, exceto homicídio e roubo de veículo.
Como diretor do DGTIT da Polícia Civil do Rio, Drummond enfrenta o desafio de convencer que os investimentos em TI estão sendo bem aplicados. Segundo ele, há corrupção em órgãos governamentais, principalmente nas licitações de TI e isso acaba gerando imagem negativa. “É preciso trabalhar direito e na legalidade”, diz o ex-delegado.

Para driblar essa situação e ser um bom gestor, ele diz que o segredo é sempre dar exemplo e ter bom caráter. “Costumo também comprar a briga da equipe”, conta o diretor do DGTIT, que tem no departamento oito policiais especializados em tecnologias e que atuam como analistas de negócios.
Quando lembra do antigo papel, Drumond sente saudades, mas avalia que ganhou mais tranquilidade e gosto pela TI.

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Redação
14 anos ago

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