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Cursos de tecnologia devem ser mais ‘touch’ e menos online para formar jovens profissionais

Imagem: Shutterstock

A escassez de mão de obra está entre os principais desafios de 2023 para 147 CEOS brasileiros na pesquisa “O Brasil pós-eleições: uma visão da liderança empresarial”, da consultoria Michael Page, com o apoio de Paul Ferreira, professor de estratégia e liderança da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). O dado revela a preocupação latente dos executivos por conta da falta de força de trabalho em áreas estratégicas, como tecnologia, por exemplo, onde a escassez já é realidade há bastante tempo.

Os benefícios da educação vão muito além das mudanças no mundo do trabalho. É na formação de qualidade que as oportunidades vão surgir para os brasileiros mais impactados pela crise do desemprego: os jovens, em especial os periféricos. Oferecer qualificação a eles é uma atitude cidadã porque promove a verdadeira transformação social no país. Diversos estudos e pesquisas têm ressaltado o poder transformador da educação e seus efeitos sobre as taxas de homicídio, educação e emprego entre os jovens brasileiros.

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Um a cada quatro jovens brasileiros está fora do mercado de trabalho. O dado alerta aponta para algo que o mercado insiste em ignorar: também é no jovem que está a saída para uma série de desafios do país, como: apagões de talentos em diversos setores e melhor equilíbrio social, que impacta diretamente nos dados de violências. O caminho está no investimento maciço e real em educação, formação, qualificação e o principal: criação de oportunidades.

Leia também: Os 10 cursos de tecnologia mais demandados pelas empresas

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 39% dos alunos dos países que integram a entidade estão matriculados em cursos profissionalizantes, enquanto no Brasil são apenas 9% de alunos matriculados nos cursos de formação. Falta incentivo, políticas públicas para jovens a partir de 18 anos também, e falta apoiar projetos educacionais verdadeiramente especializados em tecnologia.

A educação para jovens ainda lida com uma questão desafiadora: o ensino online. É preciso ser realista e entender que não será possível preparar profissionais de qualidade para atuar em tecnologia e seus temas complexos como Java, segurança na nuvem, em análise de dados, em inteligência artificial etc., além de todas as habilidades sociais apenas com cursos online.

Diversos cientistas e pesquisadores da área da educação no Brasil apontam o ensino online como uma extensão ao conhecimento já adquirido no ensino presencial. Não é uma substituição do modelo presencial. Principalmente, quando nos referimos aos 87,4% dos adolescentes e jovens que se formam no ensino médio na rede pública, que ainda utiliza um método mais teórico e menos prático de aprendizado para os alunos.

É preciso fazer uma reflexão mais aprofundada sobre essa questão, começando pelo fato de que os alunos não aprendem na escola como estudar sozinhos em cursos online. Além disso, tem outro fator ainda mais relevante: a grande maioria dos alunos possui internet de boa qualidade, computador e um espaço físico adequado para se concentrar no aprendizado? E eles possuem pessoas em casa que possam esclarecer dúvidas tecnológicas, apoiando em seus estudos?

Na área de tecnologia, antes de aprender uma linguagem de programação, os alunos necessitam aprender lógica de programação e pensamento sistêmico, o que requer muita prática e aprendizado em grupo, a oportunidade de tirar dúvidas com o colega ao lado potencializa o aprendizado.

Quando o aluno já está escrevendo as primeiras linhas de código de um programa, naturalmente, as chances de errar são grandes. É um comando que foi escrito de forma incompleta, um ponto e vírgula que faltou na linha, já pode dar erro. Neste momento de aprendizado, o aluno não consegue se virar sozinho e precisa do professor ao seu lado, para apontar os erros e as soluções.

Leia mais: Impacto de mulheres pretas nas organizações

Somente após aprender o racional e a funcionalidade de uma linguagem de programação, que ele pode começar a aprender uma segunda e terceira linguagem. A formação online ampla e irrestrita para a juventude não deve ser considerada uma saída para a falta de talentos. Capacitação não pode (jamais) ser sinônimo de banalização do ensino no setor.

Além do conhecimento técnico, tem o desenvolvimento das soft skills, que está sendo esquecido em muitas propostas de cursos tecnológicos. O convívio diário é fundamental para aprendermos a trabalhar em grupo, a respeitar a opinião das pessoas, a se posicionar e defender ideias e muitas outras habilidades comportamentais que são essenciais para a manutenção do nosso emprego.

Não é mais possível vislumbrar o futuro da área tecnologia sem criar oportunidades reais e sérias para desenvolver pessoas. São iniciativas nesse sentido que vão contribuir não só para a saudabilidade dos recursos humanos das empresas, mas para a questão do desemprego entre os jovens no país – em especial das periferias.

Conhecer e se desenvolver em tecnologia é garantia de emprego no futuro, desde que a pessoa tenha aprendido sobre as demandas comportamentais essenciais para crescer no ambiente profissional. Todo este aprendizado é prático, é touch!

*Kelly Lopes é empreendedora social e superintendente do Instituto da Oportunidade Social (IOS)

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Redação
Tags: cursosinstituto da oportunidade socialtecnologia
3 anos ago

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