Publicado:
Leitura 11 minutos
Quando o iPhone foi lançado, há cinco anos, o mundo conhecia um modelo completamente novo de interagir com a mobilidade. Quando do lançamento, Steve Jobs, o eterno CEO da Apple, morto em 2011, afirmou que o produto estava cinco anos à frente dos concorrentes. O prazo estipulado se acabou. E agora, a Research in Motion quer recriar o paradigma móvel com o BlackBerry 10, que chegará ao mercado em 2013.
Curta, no Facebook, a Fan Page do IT Web
Muito mais do que entregar um sistema operacional, a ideia é reestruturar a computação por meio de conceitos multitarefa e permitir um ambiente para a chamada Internet das Coisas, começando com carros já nos primeiros anos. Como futuro, redes privadas baseadas em IPv6 (o novo protocolo já ativo da internet) conectarão smartphones, tablets e carros da marca em um ambiente particular.
Estes detalhes foram dados por Don Dodge, CEO da QNX, em entrevista concedida durante o BlackBerry Jam Americas. O evento foi realizado entre os dias 25 e 27 de outubro em San Jose, Vale do Silício, para milhares de parceiros e desenvolvedores. A QNX foi comprada pela RIM há cerca de três anos. Dodge, que foi absorvido pela RIM após a aquisição, e seu time ?quebraram a cabeça? para criar o BlackBerry 10, que não é considerada uma atualização da atual versão, a BB7, mas uma plataforma totalmente nova. E quebraram a cabeça porque a ideia é promover um ambiente totalmente flexível, mas com a garantia da segurança das aplicações.
Em paralelo a isso, foi preciso mudar completamente a cultura da empresa. Conhecida por ser fechada, a RIM aprendeu com os erros do passado e abriu-se para o mercado open source. Não como jogada de marketing, mas para sua própria sobrevivência.
Leia os principais trechos da entrevista concedida por Dodge e entenda suas perspectivas e as da RIM para um futuro hiperconectado.
1. Como foi a chegada do QNX na RIM e o desenvolvimento de novos sistemas?
Colocamos o QNX primeiro no Playbook. Isso mostrou o poder do sistema, com HTML5 e uma interface de usuário multitarefa e extremamente fluida. E isso foi feito de forma muito rápida. Foi realmente somente o começo da mudança para a nova geração de sistema que será o BB10.
2. Podemos esperar muita semelhança com o Playbook então?
Para ser honesto, o Playbook foi um experimento. Antes de ir para um produto core, é bom ter a certeza de que você está entregando um sistema bom. Entregamos e o resto da RIM começou a construir o BB10 para o telefone e hoje o QNX para o grande ecossistema integrado. A plataforma está quebrada em duas: aqueles que fazem a base para o sistema e as aplicações que vão nele. Eu também tenho função ativa. Se eu não gosto de alguma coisa eu realmente não gosto e falo a verdade. O BlackBerry Flow, que vocês viram hoje, é uma foram de trazer uma experiência fluida para o usuário, ao mesmo tempo divertida e produtiva. A maior parte das pessoas não dá atenção para a palavra multitarefa, o que é importante é permitir que você faça coisas através do Flow. Que você consiga ir de uma experiência para outra, que não seria possível se não houvesse o multitarefa.
3. Como funciona o ambiente multitarefa?
O usuário não percebe, mas os múltiplos peeks pelos quais ele navega são, na verdade, múltiplos processos e aplicações, todos rodando ao mesmo tempo. Vejamos o Hub: não são apenas widgets decorativos que ficam lá em destaque, são processos completos, carregando a aplicação e rodando na memória. Então o Hub consegue acessso de dentro da aplicação. Como resultado, você tem segurança completa no Hub, que nunca é contaminado pelos cards que podem vir. Não é um plug-in com um código, é um plug-in com um programa processual completo inteiramente separado em firewall. Porque conseguimos algo como Hub que podemos abrir para outros fabricantes colocarem seus próprios visualizadores. Esperamos ter, em breve, visualizadores de PDF, espaços de música, e todas essas coisas.
4. E como fica a participação dos desenvolvedores neste processo?
Esperamos realmente que as pessoas escrevam outras coisas e melhorem a funcionalidade. Gastamos muito tempo tentando construir uma plataforma de computação móvel, que na verdade é um ambiente complexo que permite rodar uma grande variedade de aplicações com proteção. Temos sandboxes privadas onde as atualizações são completamente protegidas mas também temos áreas compartilhadas, e isso é importante porque agora você tem um lugar onde pode compartilhar dados, com apps limpas…. em um dispositivo iOS, este lugar simplesmente não existe. Tudo é vertical. Quando você entra em um app, você usa e sai. O que está lá está somente lá e em mais nenhum lugar. Além de garantir segurança, nós também provemos uma área geral onde usuários podem inserir informações. Então, a plataforma vai começar no telefone, mas com certeza esperamos que ela chegue em sua mesa e que você possa usar com touch, um teclado, ou o que quiser.
5. Depois de smartphones e tablets, quais outros produtos viriam com QNX?
A história do QNX vem de sistemas embarcados. Temos um número de clientes com os quais estamos nos aproximando para verificar as suas capacidades. Carros são um bom exemplo. Isso não significa que o seu telefone irá substituir a tela de seu carro. Quando você leva seu smartphone para o carro, o automóvel lhe garante uma antena muito melhor para recepção de sinal. Tem um ótimo GPS, melhor do que qualquer coisa no telefone, e um ótimo sistema de áudio. Então, você pensa: eu adoro esse GPS, esses alto-falantes e essa antena. Por que não posso começar a usá-las? E o carro tem tudo isso, mas precisa de conexão com a internet para utilizar os dados. Então o que queremos é unir essa relação simbiótica entre o telefone e o carro, para que os dois tragam um melhor respiro do que fazem melhor. Não podemos deixar que o telefone controle completamente o carro porque se você o esquecer em casa, o carro não liga. E isso é mau.
6. Qual a diferença entre O QNX e o Sync, da Microsoft [sistema operacional embarcado feito em parceria com a Ford]?
Podemos fazer isso. Competimos com a Microsoft no ramo automotivo. Eles têm o Ford Sync, que não é exatamente um produto de sucesso, se você quiser falar com a fabricante ? que neste caso é a Ford ? ela provavelmente não vai lhe falar isso, de qualquer forma… deixe-me simplesmente dizer que o Sync é interessante, mas se você olhar para o que nós temos… nós temos cerca de 60% do mercado. Todo Audi, BMW, Mercedes, Crhysler, Toyota, Land Rover… todos têm QNX. Em alguns casos você ê até três QNXs rodando em um carro e estamos trabalhando com empresas que fazem combinações, então lançamos múltiplos displays nos carros.
7. O senhor explicou que o processo por traz do BB10 é complexo. Seria esse o motivo de não haver atualização de dispositivos BB7 para o BB10?
Na verdade é mais simples do que isso. Se você olhar o nível de problemas e aplicações que queremos resolver, os smartphones atuais não têm memória suficiente e seus processos são fracos. Poderiamos forçar em um 7? Sim. Nós não requeremos dual-core, rodamos bem em apenas um core. Mas não manteríamos a experiência que queremos das aplicações… haveria limitações e a pessoa que teria o telefone não estaria feliz, porque ao final do dia tudo gira em torno da experiência do usuário. Você verá que nós exigiremos mínimos specs de tela e hardware para ter certeza que podemos garantir uma experiência consistente e trazer telefones com custo menor.
8. Você espera que copiem o BB7 como copiaram o iPhone?
Steve [Jobs] subestimou o resto do mundo a se adaptar e mover. Não há dúvidas de que ele trouxe um novo paradigma quando apresentou o iPhone, mas ele com certeza subestimou. Rapidamente as pessoas se adaptariam a esse novo cenário. O que fizemos é que nos adaptamos e melhoramos. Acho que seria o melhor elogio se tentassem nos copiar, mas isso seria difícil de fazer. De verdade. O que fizemos é difícil. A capacidade multitarefa dos aplicativos é relativamente simplista. A combinação que fizemos entre segurança e fluidez de navegação cria uma nova base de interagir com o telefone. Acreditamos que os telefones BlackBerry com o Flow e o Hub são um nova metáfora, acreditamos que alguns vão tentar copiar. É o que acontece quando se faz algo fantástico.
9. E como convencer as pessoas que o BB10 não é somente mais um BlackBerry, que hoje é considerado pelos usuários como algo velho?
Com certeza precisamos melhorar o marketing, focados nessas experiencias multitarefas. Faremos isso. Este não é um novo fone que vem com vários apps e é tudo o que você vai usar. Precisa ter um enorme backlog de funcionalidades. Estamos buscando ter 75 mil apps no lançamento, o que é um grande número para um produto recém-lançado.
10. É mais fácil programar para BB10 do que era para BB7?
É de dez a cem vezes mais fácil. É dramaticamente mais fácil. Um desenvolvedor me abraçou e disse que não poderia acreditar como é mais fácil. Se voce olhar para o Playbook e ver como surgiram jogos tão legais de maneira tão rápida, em muitos casos eles disseram ter levado apenas dois dias para desenvolver, o que com o antigo BlackBerry ele não teriam nem como começar. A experiência é que representamos um ecossistema Posix [o mesmo API de Linux, OSX e iOS]. O nível do sistema operacional é comparável, e isso ajuda. Porque muito dos códigos estão lá. As ferramentas que provemos são completas. Realmente atingimos a outra milha na experiência do desenvolvedor. É a forma de dizer aos desenvovedores que o amamos e que provaremos isso a eles.
11. Quais outros produtos podem receber o QNX depois de carros?
Meu foco são os próximos anos. Se não tivermos sucessos nos celulares, tablets e carros, não será um mercado decente, em primeiro lugar. Mas você verá novidade em sistemas médicos para informações dos pacientes. Esta é uma área interessante e temos o pedigree para o sistema operacional que entregue issoo. Temos certificados de segurança e uma plataforma muito robusta. Para sairmos disso a um mercado de massa, esses números vão mudar. Mas estaremos lá? Com certeza. Sobre linha branca: eles terão displays e a resposta é absolutamente sim, haverá comunicação entre eles. Elas ainda são muito caros, o que significa que o cidadão comum não tem dinheiro para comprá-las, mas chegará o dia em que a linha branca será parte do ecossistema móvel e uma das coisas que fizemos com o BB10, não falamos muito, mas todos os dispositivos podem formar uma rede fechada, toda construída em IPv6, entre eles. Isso significa que os dispositivos podem conversar entre si. Então, se você estiver na rua, seu telefone pode falar com sua geladeira e ela pode informar que está acabando o leite. Ela pode ainda dizer: ei, você está perto de um supermercado, pare o carro e traga o leite. Pode parecer besteira hoje, mas eu honestamente acredito que em dez anos você começará a ver essas coisas fazendo parte de nossa realidade.
Redação
2 dias atrás
Redação
2 dias atrás
Redação
2 dias atrás
Redação
2 dias atrás