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Com Connect, Rimini lança olhos para desafios de integração e interoperabilidade

Edenize Maron. Foto: Divulgação

“O cliente nos demandava mais do ponto de vista de eficiência e modernização”, contou ao IT Forum, sem papas na língua, Edenize Maron, gerente geral para a América Latina da Rimini Street. Embora a companhia seja automaticamente reconhecida pelos serviços de suporte terceirizado oferecidos para sistemas de gestão da americana Oracle e da alemã SAP, isso já não era o suficiente para os clientes, explicou a executiva.

Não por acaso a empresa lançou no último mês uma série de soluções chamadas de Rimini Connect, que prometem facilitar a resolução de requisitos de integração e interoperabilidade entre diferentes sistemas. Se por cima parece simplesmente uma nova oferta, para Edenize – e para a companhia americana – simboliza uma grande mudança de posicionamento.

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Isso porque houve uma mudança experimentada pelos próprios negócios nos últimos anos. Segundo Edenize, atrelada à necessidade das empresas serem “composable”, ou seja, combináveis, em tradução literal, citando um conceito cunhado pelo Gartner. Isso porque o “boom” de aplicações orientadas a nuvem obrigou as empresas a combinarem seus ERPs monolíticos com soluções de RH, vendas ou compras rodando na nuvem.

“Houve uma mudança de comportamento muito grande”, conta Edenize. “Mas a TI está com muita dificuldade de dar vasão. É muito comum áreas de negócio comprarem aplicações cloud sem envolvimento da TI. Só que [essas aplicações] tem que integrar com sistemas existentes.”

Leia também: Mercado de low code deve atingir US$ 26,9 bi em 2023, projeta Gartner

Segundo a executiva, ecoando um posicionamento global da própria Rimini, as empresas têm um “legado positivo” nesses sistemas de gestão que “seguram a empresa há décadas”, ou seja, o ERP. E esses sistemas e bases de dados não são facilmente “migráveis” para a nuvem ou descartados, o que gera uma necessidade por governança por parte dos CIOs quando novos módulos são associados aos sistemas de gestão.

“O sistema cloud raramente funciona sozinho, depende de integração. Ficou evidente durante a pandemia que isso gerou um gargalo arquitetônico”, defende ela. “Essa nova arquitetura contempla investimentos relevantes em várias camadas, incluindo segurança – tanto que lançamos um produto de proteção – e integração. São camadas que o cliente tem para integrar, desenvolver e proteger.”

Edenize diz que o legado segue sendo “a joia da coroa”, uma vez que mesmo que inúmeros sistemas passem a ser desenvolvidos na nuvem e em outras plataformas externas ao ERP, muitos “vão ficar onde estão, mas não podem ser gargalos para o negócio”. E que cabe aos CIOs agora “encarar essa complexidade”, uma vez que “ninguém segura a necessidade de fazer integrações” – o que, para ele, já está acontecendo de maneira desorganizada.

É aí que entra o novo posicionamento da Rimini.

Papel do Brasil

O Connect da Rimini reúne primeiramente três soluções, cada uma delas voltada a uma plataforma: browser, sistema operacional e e-mail. Elas prometem eliminar a necessidade de as empresas comprarem lançamentos ou atualizações de aplicativo a cada vez que fazem mudanças em seus ambientes e se depararem com incompatibilidades.

Segundo a empresa, essa abordagem traz riscos, além de demorar e exigir investimentos talvez desnecessários. Por isso o Connect promete isolar aplicativos e cria um “tradutor universal” entre tecnologias e códigos incompatíveis.

Foram soluções desenvolvidas em parceria com os clientes – e aí o mercado brasileiro desempenhou papel importante, contou Edenize. Se por aqui o cenário de integrações desafiador não é tão diferente do observado no resto do mundo, “temos de diferente a proximidade com os clientes”, diz a executiva.

O piloto do Connect foi feito no Brasil, em parceria com cinco clientes. Segundo ela, os projetos não só geraram mais receita como abriram portas para que a filial brasileira se tornasse provedora de serviços de sustentação para a matriz da Rimini e atendessem outros mercados além do próprio Brasil.

“Provamos que a mão de obra dos técnicos, muito focados em SAP e Oracle no Brasil, é muito competente e a um custo adequado. Não somos tão econômicos como a Índia, no entanto somos mais que os EUA”, conta ela. “Estamos contratando para atender mais clientes americanos e europeus.”

Parte do sucesso dos profissionais brasileiros se deve, de acordo com a executiva, a senioridade dos profissionais empregados pela Rimini. “Nunca abrimos frente para a ‘juniorização’. Foi uma forma de nos diferenciar”, disse ela. “O Brasil tem uma disponibilidade importante de pessoas muito capacitadas e que falam o inglês suficientemente bem para se comunicarem.”

Perspectivas

A Rimini espera, com o Connect, aproveitar no próximo ano “um tsunami de oportunidades”. E que o momento da filial brasileira é de preparação, inclusive com contratações, para atender a demanda pelos novos serviços de integração.

“Nos últimos dois anos, mais no mercado de SAP do que de Oracle, existe essa pressão grande dos clientes para migrarem para uma plataforma ERP na nuvem. Grandes empresas avaliam a possibilidade de fazer um novo grande investimento com a missão de dar flexibilidade e inovação que o business pede”, reflete a executiva. “Mas temos evidência com feedback dos clientes de que isso não é uma verdade absoluta.”

Para a executiva, a maioria das grandes empresas vai ter um “composable ERP”, e vão precisar de pessoal experiente para cuidar das aplicações legadas, inclusive com foco em segurança. “Temos essa máxima de que comprar software não resolve, não adianta. Tem que usar!”, disse.

“Os dois últimos anos foram bons [para a Rimini], e vai continuar em 2023”, acredita Edenize.

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Published by
Marcelo Gimenes Vieira
Tags: Edenize MaronintegraçãointeroperabilidadeRimini ConnectRimini Street
3 anos ago

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