All Rights ReservedView Non-AMP Version
Preprod IT Forum
  • Homepage
  • Tendências
Categories: InovaçãoNegóciosNotíciasTendências

Computação quântica já entusiasma o setor financeiro

Da esquerda para a direita: Igor Simões, do BB; Waldemir Cambiucci, da Microsoft; Rodrigo Capaz, do LNNano; e Bárbara Amaral, do IF-USP. Foto: Marcelo Gimenes Vieira

Aplicações práticas de computação quântica ainda estão um longe de se tornarem realidade, mas as expectativas do setor financeiro já são atuais. Para os debatedores de um painel específico sobre a tecnologia – que aconteceu durante o segundo dia do Febraban Tech 2022, realizado em São Paulo, capital – o setor financeiro não só pode se beneficiar dos algoritmos quânticos como também já é apontado como um grande financiador de pesquisas.

“É uma área que está aberta a ser explorada”, explicou Igor Regis Simões, gerente executivo de TI do Banco do Brasil. “O desafio agora é desenvolver métodos e algoritmos. A indústria financeira e bancária já criou ao longo das décadas algoritmos para resolver problemas [quânticos] dentro do que é possível – nós simplificamos a realidade para [poder] analisá-la.”

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

A partir desse argumento, Simões diz que os computadores quânticos poderão dispensar a necessidade de simplificação ou “poda da realidade” exigida pelos sistemas tradicionais, ou “pelo menos [chegar] mais perto dela” para assim analisar problemas complexos e mais próximos dos reais. Segundo ele, algoritmos quânticos darão aos clientes do setor bancário serviços “melhores e mais eficientes”, além de “levar a modelagem de produtos a nível de personalização que hoje não é viável”.

Leia também: Febraban Tech: Pix e Open Finance são ‘alavancas’ da transformação financeira do país

No entanto, admitiu o executivo do BB, desenvolvimento de aplicações em computadores de fato quânticos ainda vai levar tempo. O próprio Banco do Brasil tem programas de incentivo de mestrado e doutorado para funcionários, e um tema de pesquisa que tem sido incentivado é justamente a computação quântica.

“Só que o termo ‘computação’ acaba atrapalhando um pouco o interesse. O momento está muito mais para matemáticos e estatísticos [do que para cientistas de computação]”, refletiu Simões. “São profissionais que estão no setor financeiro e vale a pena desenvolver pesquisa para criação de uma nova classe de algoritmos. Seja para executar em máquinas de pouco qubits ou para as próximas gerações que forem surgindo.”

Esse investimento em pesquisa básica, no entanto, deixa “qualquer empresa um pouco desconfortável, em qualquer setor, principalmente no financeiro”, admitiu o executivo, que ressaltou a importância do investimento em pesquisa. E que de qualquer forma já é possível experimentar alguns recursos quânticos em frameworks híbridos já disponíveis. Em inteligência artificial, por exemplo.

Longa história de desenvolvimento

Rodrigo Barbosa Capaz, diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), reiterou alguns limites da computação quântica. Primeiro que “não se espera que o computador quântico seja uma panaceia, ou resolva melhor que computadores tradicionais problemas em todas as áreas”, ou seja, há aplicações específicas que tirarão proveito de sistemas quânticos.

Para o setor bancário, disse o pesquisador, a criptografia – e por tabela a segurança da informação – deve oferecer grande avanço devido a capacidade de fatorização de números inteiros. E, por outro lado, há uma preocupação na facilidade que os sistemas quânticos podem ter para “crackear” a segurança atual dos bancos. Isso tem trazido não só preocupação, mas também impulsionado investimentos em pesquisa.

Outras áreas apontadas por Capaz como promissoras são a simulação quântica, que tem a ver com o desenvolvimento de novas moléculas para fármacos e práticas agrícolas, por exemplo. Inteligência artificial também deve ganhar impulso.

Waldemir Cambiucci, diretor e chefe de tecnologia do Microsoft Technology Center de São Paulo, lembrou que a computação quântica não é necessariamente uma novidade. A previsão desses sistemas foi feita há pelo menos 40 anos, pois desde os anos 1980 existe a provocação de estudar a natureza usando dispositivos quânticos.

“Porque a natureza é quântica, não é binária”, disse ao público. “Existe um novo modelo computacional nascendo, e nos últimos 30 anos todas as indústrias estão estudando onde usar um computador quântico, ou um algoritmo quântico, que já posso simular porque já tenho um modelo, então já sei como funciona.”

Cambiucci ressaltou que há uma corrida para validar um hardware quântico comercialmente viável, e que quando esses equipamentos existirem e forem capazes de rodar algoritmos desenvolvidos ao longo dos últimos 40 anos de pesquisa, “aí vem a disrupção”.

O problema, lembrou Bárbara Lopes Amaral, professora e pesquisadora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), é que “todas essas potencialidades [da computação quântica] ainda estão bem longe de realmente implementar em hardware”. Mas que pode surgir em breve “alguma invenção disruptiva [capaz de]levar à essa realidade”.

O que há de realmente aplicável agora, lembrou a professora, é o que está dentro de um campo maior que a computação quântica e chamado de “informação quântica”. Dentro dele estão, por exemplo, muitos protocolos de criptografia que podem ter grande impacto no setor financeiro.

“Isso está muito mais próximo de implantações reais que não depende do computador quântico”, disse, lembrando que esses protocolos já foram inclusive usados em testes de transmissão de informações via satélite e até no setor bancário suíço.

Outra forma de acelerar a chegada do mundo quântico ao mercado de tecnologia, lembrou Cambiucci, é que essas soluções vão conviver com computação tradicional, ou seja, serão híbridas. Mas que nos últimos anos milhares de artigos acadêmicos tem explorado formas de evoluir o hardware quântico e reduzir os erros decorrentes dessa forma de processamento e, finalmente, resolver problemas reais.

“Quando vou ter isso? Essa é a grande pergunta. A expectativa é que nessa década cheguemos a computadores comercialmente viáveis”, disse.

Next Como a Unimed Grande Florianópolis economizou 2 mil horas por mês? »
Previous « Ana Paula Campoi é nova vice-presidente de Concur para o Brasil na SAP
Share
Published by
Marcelo Gimenes Vieira
Tags: CIABcomputação quânticaFebraban Tech
4 anos ago

    Related Post

  • Novos executivos da semana: Uncover, Tech for Humans, Diebold Nixdorf, Unico e mais
  • Se o Brasil não organizar seus dados culturais, outro fará isso por nós, alerta Jorge Brivilati
  • CBYK nomeia Maurício Matsuda como novo CEO

Recent Posts

  • Notícias

83% dos CIOs já adiaram projetos estratégicos por restrições de orçamento

A pressão por controle de custos vem alterando a dinâmica das áreas de tecnologia nas…

6 dias ago
  • Estudos

Fintechs brasileiras captam US$ 2,77 bi em 2025 e entram em nova fase de maturidade

O mercado brasileiro de fintechs passou por uma transformação no perfil dos investimentos em 2025.…

6 dias ago
  • Notícias

Sioux aposta em IA e dados para nova fase de experiências digitais e expande atuação para a Europa

O avanço da inteligência artificial e o uso estratégico de dados vêm transformando a forma…

6 dias ago
  • Artigos

Qual é o risco do desenvolvimento de software com IA?

Por Ramon Ribeiro Quase metade do código produzido por assistentes de inteligência artificial contém vulnerabilidades…

6 dias ago
  • Notícias

Se o Brasil não organizar seus dados culturais, outro fará isso por nós, alerta Jorge Brivilati

Peça a um modelo de inteligência artificial que gere a imagem de uma cidade, sem…

6 dias ago
  • Notícias

Novos executivos da semana: Uncover, Tech for Humans, Diebold Nixdorf, Unico e mais

O IT Forum apresenta, semanalmente, os novos executivos e os principais anúncios de contratações, promoções e mudanças…

6 dias ago
All Rights ReservedView Non-AMP Version
  • L