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As companhias de internet compram e vendem pessoas. A afirmação foi feita pela advogada Juliana Abrusio, da Opice Blum Advogados, durante o colóquio realizado na primeira quinzena de abril com o tema “Cibridismo: como essa tendência afetará a TI”, para comemorar 12 anos do IT Web completados no último mês. Segundo ela, essas empresas comercializam os dados pessoais dos seus usuários e, por isso, valem tanto.
Não fazemos dinheiro vendendo você, diz CEO da Mozilla sobre dados de usuários
Recentemente, o Facebook pagou US$ 1 bilhão pelo Instagram sem nunca a companhia comprada ter faturado capital. “Por que o Facebook pagou tudo isso? Na realidade, eles negociam os dados: meus e seus. E isso do ponto de vista jurídico é uma violação, pode consistir uma violação. Cabe ao Estado sim, levantar e trazer leis contra isso”, afirmou Juliana.
“O Facebook não é nada, ele é nós, ele é só nós, e só tem coisas sobre nós. Ficamos alimentando aquele troço enlouquecidamente e eles ganham uma fortuna com por nossa causa. Eles só têm uma plataforma, mas ganham muito dinheiro porque vendem gente”, afirmou Bob Wollheim, fundador da Appies. “E nós consentimos com essa venda.”
Para Rafael Rez Oliveira, consultor de SEO, fundador da Webestratégica e blogueiro do IT Web; Bráulio Medina, responsável por inovações e desenvolvimento de negócios da uberVU e blogueiro do IT Web, e Leandro Rubim de Freitas, coordenador dos cursos tecnológicos da Fiap, também participantes do debate, o cibridismo premia esse comportamento das grandes empresas. Segundo eles, esse fenômeno é o resultado de todos os dados que os usuários disponibilizam na internet.
“Quanto mais você navega, mais você consegue ser perfilado. E o que é perfilado? É saberem o que você está vivendo, para onde você quer viajar, o que você gosta de comprar, quais são os lugares que você frequenta, as baladas que você vai. Quanto mais a pessoa ficar conectada mais se tem o risco da pessoa não pensar, é tão automático que a pessoa vai fazendo check-in aqui, vai curtindo lá e com isso damos nossa informação de bandeja”, afirmou a advogada.
Wollheim também ressaltou que a busca por popularidade nesses meios faz com que os usuários, cada vez mais, postem informações pessoais e contribuam para esse comportamento das empresas de internet.
Juliana apontou que, na realidade, o problema não é a venda de dados. “Não é uma rivalidade, não tem problema dar [os dados] de bandeja. Se as empresas usam usando isso, investem e ganham dinheiro com essas informações, não tem problema. O problema é: eu sei o que eles fazem com meus dados? É esse o ponto, não é um pecado ganhar dinheiro, o problema é não avisar o internauta, o problema é não avisar o cidadão.”
Mas será que existe um fim para esse problema de desinformação sobre como nossos dados são usados? Segundo Wollheim, a resolução, nos dias atuais, está além da criação de regras e de órgãos reguladores nacionais. Isso porque, hoje, o mundo já não tem mais fronteiras. E assim passa a surgir uma ética comum entre todos os povos. “Essa ética digital é mais mundial, porque as coisas são mundiais”, encerrou.
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